No final da tarde desta segunda-feira (12), foi realizada uma reunião entre as áreas técnicas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Ministério da Fazenda para dar continuidade às negociações a fim de se encontrar uma solução definitiva ao endividamento crônico da cafeicultura nacional.
Infelizmente, ao contrário do esperado por todo o setor, não se chegou a um consenso em função da resistência existente por parte do diretor de Programa da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt.
Por outro lado, sob um olhar mais positivo, contamos com o apoio incondicional do ministro Reinhold Stephanes e do alto escalão da Pasta da Agricultura, advindo do secretário-executivo, Silas Brasileiro, do diretor de Programa da Secretaria-Executiva, Gerardo Fontelles, e do secretário de Política Econômica, Edílson Guimarães.
Ao passo que as negociações avançam, notamos a percepção e o convencimento por parte do Governo Federal da necessidade de se realizar a conversão do endividamento financeiro em produto físico, principalmente devido ao passado recente da cafeicultura, uma vez que o produtor vem comercializando pelo menos suas últimas cinco safras por valores inferiores aos custos de produção.
Também por causa desse passado recente, insistimos na necessidade de se estipular um preço de referência de R$ 320 para a conversão das dívidas em saca de café. Essa persistência se justifica porque houve deformação do crédito, com o cafeicultor "entrando" em promissórias, CDC, cheque especial e fazendo da CPR instrumento para capital de giro, portanto, desfigurando o verdadeiro sentido dessa ferramenta de mercado, para poder permanecer na atividade, até porque não há como se retirar, já que não possui recursos financeiros suficientes para quitar seu endividamento atual.
O feeling que ficou após essa nova reunião é de que está bem encaminhada a implantação de um programa de Leilões de Opções Públicas, envolvendo recursos de R$ 1 bilhão para um volume de 3 milhões de sacas, a conversão das dívidas relativas às linhas de Colheita, Custeio e Dação em Pagamento do Funcafé e, principalmente, de que é melhor ao Governo solucionar a questão agora, com base em nossas propostas, do que ter que arcar com as conseqüências sociais que serão desencadeadas, uma vez que a cafeicultura nacional gera 2,2 milhões de empregos diretos no campo e mais de oito milhões de postos de trabalho direta e indiretamente.
Neste cenário conflitante, um ponto final ao assunto deve ser dado, nesta terça-feira (13), pelo Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, e tudo leva a crer que a favor da cafeicultura brasileira. Isso porque apostamos na sensibilidade de nosso Presidente, o qual tem ciência da má implantação de uma política passada, quando, nos anos de 1964 a 1967, a política proposta de erradicação do café contribuiu para a "favelização" das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Atenciosamente,
Gilson Ximenes
Presidente do Conselho Nacional do Café
Breno Pereira de Mesquita
Presidente da Comissão Nacional do Café da CNA
Carlos Melles
Presidente da Frente Parlamentar do Café
Presidente Lula deve dar a solução amanhã
Após resistência do diretor de Programa da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Presidente Lula deve intervir a favor da produção.
Publicado por: CaféPoint
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