Em meio a milhares de pés de café, um único homem trabalha na lavoura de cinco alqueires, às margens da BR-376, em Mandaguari (a 39 quilômetros de Maringá). Alheio ao sol forte e com uma enxada nas mãos, o produtor rural Euclides Marques, 62 anos, descreve a situação atual da cafeicultura. "Os rapazes não querem mais mexer com roça, só ficou mesmo quem é velho", afirma.
O agricultor tentou encontrar mão-de-obra para a lavoura, mas acabou tendo que colher tudo sozinho. Por conta disso, Marques prevê atraso na conclusão do trabalho. "Era para ter acabado, mas este ano, a colheita vai até a metade de setembro". Em todo o Paraná, mais de 85% do café foi colhido, de acordo com o mais recente relatório do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab).
O que é problema para os produtores rurais se transforma em oportunidade para os profissionais da colheita. A oferta de emprego cresce na região e diante da escassez de mão-de-obra, a remuneração aumenta.
O casal Nair Severino Ferreira e Válber da Silva nunca teve tanto trabalho como em 2008. "Acabamos de colher numa área e já fomos contratados para outra", conta Nair. Depois de terminar uma empreitada em oito alqueires de Mandaguari, a dupla tem contrato de trabalho assinado para colher café em Cambira. "Onde tiver café, a gente vai", comemora Nair.
Para quem trabalha na cultura, a quantidade colhida é calculada com base na "saquinha", que contém 60 quilos de café. Por causa da escassez de trabalhadores, a remuneração média por saquinha saltou de R$ 4,00 para R$ 6,50, desde a safra de 2007. Ferreira revela que colhe, junto com o marido, em média, 600 quilos de café por dia, chegando a 14 horas, em jornadas de trabalho mais intenso. Trabalhando de segunda a sábado, os dois podem ganhar mais de R$ 1,5 mil em um mês.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Maringá, Paulino de Carlos, a dificuldade em encontrar trabalhadores foi mais acentuada em junho, quando começou a colheita do produto. "Não se achava gente de jeito algum, muitos produtores se desesperaram", relata Carlos. O dirigente sindical acredita que a profissão não é mais transmitida entre as gerações. "Hoje, os jovens estudam na cidade e não têm mais o perfil de trabalhador rural", alega Carlos.
O Sindicato dos Trabalhadores Rurais, juntamente com outras entidades de classe, tentam minimizar o problema com medidas de combate ao êxodo rural. A categoria reivindica mais investimento governamental na agricultura familiar. "Com o avanço da tecnologia, daqui a pouco tempo não vai ter mão-de-obra no campo". A matéria, de Vinícius Carvalho, foi publicada em O Diário do Norte do Paraná, adaptada e resumida pela Equipe CaféPoint.
PR: mão-de-obra escassa atrasa colheita do café
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Maringá, Paulino de Carlos, a dificuldade em encontrar trabalhadores foi mais acentuada em junho, quando começou a colheita do café. "Não se achava gente de jeito algum, muitos produtores se desesperaram", relata Carlos. O dirigente sindical acredita que a profissão não é mais transmitida entre as gerações.
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