Gráfico 1. Evolução da colheita de arábica no Brasil, safra 2008/09 (%)

Fonte: Cooperativas, Agência Safras, elaboração CaféPoint
Segundo o Escritório, a melhor política para a elevação e sustentação dos preços em um patamar que remunere dignamente o cafeicultor brasileiro seria a adoção de Leilões de Opções de Venda ao Governo Federal, que garantam aos produtores um patamar de preço compensador e forneçam ao mercado internacional um preço de referência.
"As diferentes regras para o recolhimento do PIS e COFINS, colocam em desvantagem alguns setores do agronegócio, principalmente os cafeicultores independentes, e estão gerando muitas reuniões entre as lideranças dos diversos segmentos da produção de café. Em plena entrada de safra cheia não existe pressão vendedora, indicando que os preços praticados não estimulam os produtores, que se mostram bastante preocupados com o alto custo da colheita e insumos", publicou Carvalhaes.
De acordo com o escritório, a semana foi de poucos negócios. Frente às ofertas desanimadoras, os produtores voltam suas atenções para os trabalhos de término da colheita e preparo dos lotes compromissados com CPRs e vendas antecipadas em trocas de insumos. São estas vendas antecipadas que abastecem as exportações brasileiras nestes primeiros meses do ano safra. Até o dia 21, os embarques de agosto estavam em 949.057 sacas de café arábica e 179.932 sacas de café conilon, somando 1,129 milhões de sacas de café verde, contra 1,123 sacas no mesmo dia de julho.
A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, divulgou os números da receita obtida com as exportações de café ao longo da quarta semana de agosto de 2008. De acordo com os dados da Secretaria, entre os dias 18 e 24 deste mês, os embarques do grão registraram uma média diária de US$ 19,390 milhões FOB (Free on Board), o que definiu a média diária no acumulado de agosto em US$ 17,662 milhões.
A bolsa de Nova York "ICE Futures", na semana passada, do dia 18 ao dia 22 de agosto, subiu 5,57% para os contratos com entrega em setembro. Em relação ao dia 22 do mês passado, a valorização é de 2,04%. Desde o início do ano agrícola 2008/09, em julho, a posição acumula perdas de 9,72%. Para os contratos com vencimento em dezembro, o acumulado na semana passada foi de +5,41%. Na diferença de trinta dias, o acumulado é menor, 2,20%. Desde o início de julho, entretanto, a variação é negativa, chegando a 9,28%.
Tabela 1. Comparativos das principais Bolsas de café

Na semana passada, em Londres, a bolsa de mercados futuros acumulou alta de 4,46% para os contratos com entrega prevista para setembro, considerada uma boa valorização, mas ainda não suficiente para amenizar a queda de 10,20% desde o início de julho. Nos últimos trinta dias, o acumulado é de -4,34%.
A bolsa de mercadorias & futuros de São Paulo (BM&F), que vem claramente acompanhado as oscilações da bolsa de Nova York, fechou a semana com 4,45% de valorização. No comparativo com o mês anterior, os ganhos são menores, de 1,96%. Desde o início do mês de julho, entretanto, a posição acumula -8,26%. Os contratos para dezembro seguiram linha bastante similar.
No mercado físico, o indicador à vista do Cepea/Esalq para o arábica foi de R$ 253,40/sc na sexta-feira, alta de 3,95% na semana e 3,12% no acumulado dos últimos trinta dias. Na comparação com mesma data do ano anterior, a cotação está 3,23% desvalorizada. Para o conilon, deu-se o contrário. Em relação à mesma época do ano anterior, a variedade está 6,20% valorizada, mas praticamente não acumula variação na semana, com menos de 1% de valorização no mês. Na sexta-feira, o indicador à vista do Cepea/Esalq foi de R$ 214,45/sc.
Tabela 2. Contratos BM&F, Indicador Cepea/Esalq e cotação do Dólar

Segundo o InfoMoney, o dólar iniciou a semana com valorização, cotado a R$ 1,6290 na compra e R$ 1,6310 na venda, alta de 0,18% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$ 1,80, representando um ágio de 10,50% em relação ao dólar comercial.
Com esta alta, o dólar acumula valorização de 4,28% em agosto, frente à baixa de 2,38% registrada no mês passado. No ano, a desvalorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 8,16%. Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em setembro encerrou o dia cotado a R$ 1.636, alta de 0,31% em relação ao ajuste de R$ 1.631 da última sexta-feira. O contrato com vencimento em outubro, por sua vez, fechou em alta de 0,18%, atingindo R$ 1.646 frente à R$ 1.643 do ajuste anterior.
Em relação às cotações médias da moeda norte americana nos meses que compuseram o ano agrícola de 2007/08, o dólar vem registrando praticamente baixas consecutivas, com sinais de melhora apenas a partir deste mês. Na comparação com agosto de 2007, a desvalorização é de 14,03%.
Gráfico 2. Variação do dólar (médias mensais) a partir de julho de 2007 (R$)

Fonte: Banco Central, elaboração CaféPoint
Segundo o banco de investimento Merrill Lynch, o espaço para a valorização do real frente ao dólar pode estar chegando ao fim depois de cinco anos. "A tendência de recuperação global do dólar deve frear o real. A expectativa é que o dólar chegue em dezembro deste ano a R$1,60, e para 2009, a previsão é de um dólar a R$1,80", afirmou o banco em seu relatório. Para alguns analistas, a moeda está buscando equilíbrio, após vários anos de desvalorização.