Países produtores de café ganham menos com o grão do que os que importam a commodity, industrializam, registram patentes e comercializam o produto final. A afirmação é da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), que publicou um artigo na última segunda-feira (20), sobre o valor adicionado que o produto ganha graças a tecnologia, patentes e inovação.
Foto: Alexia Santi/Agência Ophelia
De acordo com dados da OMPI, produtores de café vendem o grão, em média, a US$ 1,25 a libra-peso (unidade de medida usada pela Bolsa de Nova York equivalente a 453 gramas) ao exportador, que repassa a commodity para as indústrias a US$ 1,45. Já as torrefadoras negociam, em média, o produto acabado a US$ 4,11.
Segundo noticiou o jornal O Estado de S.Paulo, em 1965 60% da renda do café ficava para o exportador. No fim dos anos 1970 essa taxa era de 50% e, em 2013, ele ficava com a menor parte, cerca de um terço. Para o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Nathan Herszkowicz, essa é uma regra geral do mercado: "os extremos da cadeia (produtor e indústria) têm remuneração diferente. O grande desafio é fazer os produtores agregarem valor ao grão."
De acordo com a OMPI, cafeicultores podem tirar maior proveito de seus recursos naturais com a produção dos cafés especiais, que vêm ganhando espaço nos países desenvolvidos. Estimativas apontam que, apenas no Brasil, os produtores poderiam aumentar sua renda em US$ 137 milhões com um café de alta qualidade que seria fornecido para empresas de fora, porém, ainda assim, é o vendedor final na Europa, Japão ou EUA que fica com US$ 17,45.O Brasil é o maior produtor e exportador global de café. A maior parte da produção em grão é cultivada nos países do Hemisfério Sul, onde, de acordo com jornal O Estado de S.Paulo, 26 milhões de fazendeiros dependem da cultura para a sua subsistência. Porém, das 35 mil xícaras de café vendidas no mundo a cada segundo, 70% ocorrem nos países do Hemisfério Norte.
Em relação a torrefação, sete grandes multinacionais controlam 40% do café comercializado no mundo, entre elas a alemã Jacobs Kronung, a americana Maxwell House, a suíça Nestlé e a italiana Luigi Lavazza.