O Trimestre das Commodities

No terceiro trimestre que acaba de encerrar as commodities tiveram o melhor resultado desde o primeiro trimestre de 2011, ajudadas entre outras coisas pelo novo pacote de estímulo americano. O café arábica na semana fechou virtualmente inalterado, enquanto seu "primo" robusta teve alta de US$ 5.94 por saca, estreitando novamente a arbitragem.

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Por Rodrigo Corrêa da Costa - Archer Consulting

Protestos populares na Espanha voltaram a trazer preocupações sobre o longe-de-ser-resolvido problema nas contas de alguns membros da zona do Euro.

Investidores colocaram o pé no freio e as principais bolsas de ações tiveram mais uma semana de baixa, mesmo com o anúncio de cortes no orçamento espanhol e com o resultado do teste de estresse em bancos do país que demonstraram uma necessidade menor de caixa do que se esperava.

Os índices de commodities se comportaram melhor liderados pelo gás natural, cuja oferta em relatório divulgado na semana veio menor do que o mercado previa.

No terceiro trimestre que acaba de encerrar as commodities tiveram o melhor resultado desde o primeiro trimestre de 2011, ajudadas entre outras coisas pelo novo pacote de estímulo americano.

O café arábica na semana fechou virtualmente inalterado, enquanto seu "primo" robusta teve alta de US$ 5.94 por saca, estreitando novamente a arbitragem.

O motivo da subida do contrato da LIFFE parece estar relacionado com o atraso na chega da safra do Vietnã, que segundo informado pela VICOFE só começará em Novembro. Junta-se a isto a procura de torradores para o produto e o que vemos é Londres se aproximando das máximas vistas no ano.

Nova Iorque ficou mais errática, inicialmente caindo em função da diminuição da posição dos fundos, e depois por causa das chuvas no Brasil que estimulam a primeira florada. Na sequência o Brasil anunciou novos 600 milhões de reais para financiamento de estocagem, o que dá fôlego para a produção diluir suas vendas.

Ainda falando das origens, ouvimos prognósticos diferentes, com a associação da Guatemala crendo em preços mais baixos (NY a US$ 140 a 150 centavos por libra) por causa da entrada da safra de América Central e Colômbia, enquanto no Brasil a maior cooperativa de café (diga-se de passagem, do mundo) acreditando que os produtores estão esperando o preço de R$ 450 a saca para oferecer mais café.

Tudo indica que a florada no Brasil será o divisor das águas, mesmo que coincida com a colheita dos outros produtores de arábica - que pessoalmente acho não terá impacto negativo aos preços.

A proximidade do inverno no hemisfério norte, e uma necessidade de cobertura pelos dealers e torradores para o final do ano deve dar um apoio aos preços, mesmo que não signifique em uma alta que os produtores gostariam de ver.

Por outro lado mais uma vez volto a bater na tecla da questão do perfil da demanda. Estando em Dubai nas últimas semanas e tomando café em diversos locais (como de costume), me deparo com a qualidade dos "espressos" que para um consumidor atento trás pouco de "coisa boa". Claro que o UEA não é referência para qualidade, mas Dubai especificamente, emirado que tem uma grande diversidade de imigrantes, não atende a um bebedor de café que conheça de fato um arábica diferenciado.

Como a crise global não será solucionada no curto prazo, e a troca de blends já foi digerida por muitos, quem paga a conta é o arábica, principalmente os grãos que não têm uma característica mais "nobre".

O tom da conversa dá a impressão de ser negativa, mas de fato apenas reforça um argumento usado neste espaço há algum tempo, que é o do suporte que o robusta, via arbitragem, deve continuar dando ao "C".

Fora isto ainda tem a questão dos fundos estarem vendidos.

Portanto os altistas ainda podem ter esperança.

As informações são da Archer Consulting, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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