Minas investe no cultivo de cafés gourmet e especiais
O aumento do poder aquisitivo e a exigência dos consumidores por produtos de maior qualidade têm impulsionado o consumo de cafés com sabor e aroma mais sofisticados, chamados gourmet e especial. Produtores mineiros dedicam áreas maiores de seus cafezais tradicionais ao plantio de café especial, e o grande atrativo é o preço da saca de 60 quilos, até 30% superior ao do produto comum.
Publicado por: CaféPoint
Publicado em: - 3 minutos de leitura
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), Tulio Henrique Rennó Junqueira, o volume de café especial produzido no país ainda é pequeno, de 200 mil a 300 mil sacas/ano, ante estimativa inicial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para o Brasil de 46 milhões a 48 milhões de sacas (arábica e conilon) para a safra 2010.
Em Minas Gerais, o café de qualidade, todo ele arábica, é plantado principalmente no Sul de Minas e no Cerrado, e responde por cerca de 80% da produção nacional. O produto tem destaque também na Bahia, com cerca de 10% do todo, e aparece em menor quantidade em São Paulo e Espírito Santo.
Só é considerado produto especial pela BSCA o café com classificação acima de 80 pontos. Para alcançar essa exigência, o produtor necessita do aval da entidade, que leva em conta, no processo de classificação, características como aroma, sabor e retrogosto - aquele que permanece na boca após a ingestão da bebida. Rastreabilidade, com denominação de origem, e observação do código de conduta, que atende regras legais, ambientais e trabalhistas, também são fundamentais na obtenção da certificação. "Antigamente, o café era classificado pelos defeitos, entre eles a quantidade de pedras e pedaços de galhos misturados. Esse conceito mudou, e hoje é levado em conta a qualidade", observa Junqueira.
Existem basicamente três tipos de café no mercado: o comum, o comercial de mais qualidade - onde se concentra parte do gourmet - e o especial. A saca do comum custa, em média, R$ 250. Já o comercial sobe para cerca de R$ 280 a R$ 300, e o especial de R$ 350/R$ 380 para mais. Em alguns casos, a saca chega a custar de R$ 800 a R$ 1 mil. No leilão internacional Cup of Excellence, por exemplo, realizado via Internet em janeiro de 2010, com produtores de ponta e selecionados por rigorosos critérios, o preço mínimo de abertura foi fixado em R$ 580 a saca. A média foi de R$ 1.713,87.
Não existe no segmento de café especial quem se dedique exclusivamente ao produto. Cafeicultor em Monte Belo, Sul de Minas, Adolfo Henrique Vieira Ferreira planta café comum desde jovem, e especial há 12 anos. Da produção total de 160 hectares, metade é do tipo fino, que tem como destinos principalmente países da Europa, Estados Unidos e Japão. Na média, o ágio da saca do café especial sobre o comum é de 20%. "Os preços estão estáveis lá fora. O problema é dólar baixo. De toda forma, ainda é um bom negócio. A gente gasta muito para implantar o sistema mas, depois, é só manutenção", avalia.
De acordo com o também produtor José Renato Gonçalves Dias, do município de Botelhos, no Sul de Minas, para ter sucesso no negócio de café especial é preciso levar em conta várias questões, como investimento em equipamentos, altitude da fazenda, variedade e exposição solar das plantas, além de cuidados pós-colheita, que incluem secagem e armazenagem, entre outros.
O mercado encontra-se em expansão. Aos poucos, cafeicultores tradicionais aumentam o espaço de plantio, apesar do alto custo da produção. "O consumo no mercado interno tem crescido bastante, em função principalmente da qualidade exigida pelo consumidor", conta. Para ele, a tendência é o aumento gradativo da produção do café especial. "Com o alto custo da produção, quem não partir para a qualidade, que remunera melhor, vai ficar para trás", opina o também diretor da BSCA.
A reportagem é de João Alberto Aguiar, para o portal Hoje em Dia, resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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MANHUMIRIM - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 12/04/2010
Não foi lembrado a região das Matas de Minas, que produz volume significativo de cafés especiais, inclusive sendo destaque nos concursos nacionais a partir do ano 2000, portanto não é novidade e sim tradição consolidada, com grande número de propriedades certificadas e tradicionalmente fornecedora de cafés para a exigente empresa italiano Illy café.