Leitor: preço do conilon terá alta lenta e contínua

"A nossa previsão e de muitos outros cafeicultores é que a partir de outubro o preço do café conilon deve ter um aumento significativo, análise contrária às de Renato Fernandes e Gil Barabach da Safra & Mercado", disse José Sebastião Machado Silveira, de Linhares/ES, em comentário enviado ao CaféPoint. "O preço do conilon vai subir de forma lenta e contínua, não haverá um aumento rápido nos próximos meses, entretanto, se as previsões climáticas previstas até janeiro se confirmarem, poderá haver um aumento rápido de preço", comenta.

Publicado por: CaféPoint

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"A nossa previsão e de muitos outros cafeicultores é que a partir de outubro o preço do café conilon deve ter um aumento significativo, análise contrária às de Renato Fernandes e Gil Barabach da Safra & Mercado", disse José Sebastião Machado Silveira, de Linhares/ES, em comentário enviado ao CaféPoint.

"Segundo Barabach o preço do café robusta teria queda em três meses (Preços inferiores aos praticados hoje só tivemos em setembro de 2005). Segundo Renato a queda de preço do conilon está relacionada com o aumento de sua produção no Brasil e com o aumento da safra mundial de robusta.

Nosso entendimento do que está ocorrendo: Em novembro de 2009 a Incaper informou que teríamos uma super safra de café conilon, falava-se em produção de 10 a 12 milhões de sacas. Até esta data o estoque de café conilon existente encontrava-se assim distribuído em quantidades: primeiro lugar produtores; segundo lugar indústrias e em terceiro lugar os intermediários, com pequena quantidade. Neste contexto todo aumento de preço era repassado imediatamente para os produtores. Como os preços estavam em alta, os intermediários repassavam rapidamente para a indústria o café adquirido. Muitas vezes o café saía do produtor e ia direto para as indústrias. Os intermediários simplesmente efetuavam o lucro, não estocavam café.

Com a possibilidade de uma super safra, as indústrias saíram do mercado a partir de novembro, na expectativa de comprar conilon na safra abaixo de R$ 120,00/saca e começaram a consumir seus estoques. Quem dizia isto era a própria indústria e acho que não estava errado. Entretanto, não contavam com a ocorrência de uma grande estiagem que estava para vir nos meses de novembro, dezembro, janeiro e fevereiro. Não acreditando no que todo mundo dizia, mantiveram suas posturas. Com a queda da demanda pela indústria o mercado ficou todo desorganizado, por alguns momentos não existiam compradores para o nosso conilon, foi uma loucura. Por outro lado, os intermediários conhecedores dos efeitos da seca, passaram a comprar a preço baixo e estocar.

A indústria só tomou conhecimento real do problema nos meados de junho. Já era tarde. A indústria comeu gato por lebre. Neste novo cenário, assim ficou distribuído o estoque de conilon: primeiro lugar os produtores, segundo os intermediários e em terceiro lugar as indústrias. A curto prazo, para o produtor este novo cenário não é bom, porque o aumento de preço vai demorar mais. Os intermediários vão primeiro vender seus estoques, para depois repassar estes valores aos produtores.

O preço do conilon vai subir de forma lenta e contínua, não haverá um aumento rápido nos próximos meses, entretanto, se as previsões climáticas previstas até janeiro se confirmarem, poderá haver um aumento rápido de preço. Para a indústria a situação também não é boa, o poder do intermediário é maior que do produtor, isso vai puxar o preço para cima, possivelmente, em um patamar mais alto. Já tivemos café vendido este mês a 190,00/saca.

Ao contrário do que diz o Senhor Herszkowicz (Abic) a procura do conilon está em alta, a indústria não está conseguindo comprar conilon a 180,00/saca, há pouquíssima oferta para este valor.

Contradizendo o que diz Renato Fernandes, não há um aumento de produção de robusta no mundo nem no Brasil. É só ver o que vem sendo anunciado nos últimos dias: "Cepea: clima seco reduz produção mundial de robusta."; "Produção de conilon caí no ES"; "Indonésia: produção e exportação de café devem cair"; "Em Uganda, maior país produtor de robusta na África, a ocorrência de uma estiagem de cinco meses em 2009 fez com que a Autoridade de Desenvolvimento de Café da Uganda (UCDA) reduzisse as estimativas de embarques por três vezes. A estimativa inicial, de 3,4 milhões de sacas, foi reduzida para 3,1 milhões, depois para 2,9 milhões e, agora para 2,7 milhões de sacas"; "Segundo a Organização Internacional do Café (OIC), o volume produzido pelo país vietnamita na safra 2010/11 deve ser igual ou inferior ao colhido na temporada 2009/10". "Estoques de cafés nos armazéns norte-americanos em agosto de 2009 de 5.533.236 sacas caiu para 4.294.347 de sacas em agosto de 2010".

"Safra brasileira de 2011/2012 de ficar em 43 milhões de sacas". "Florada do conilon é afetada pela seca e deve comprometer a produção de 2011/2012".

Não há nenhum evidência para sustentar hipóteses de baixa de preços tanto no robusta como no arábica nos próximos 12 meses."
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