Fazuoli recebe prêmio Conrado Wessel

Luiz Carlos Fazuoli recebeu o Prêmio Fundação Conrado Wessel de Ciência Aplicada ao Campo 2005 em reconhecimento a sua capacidade de transformar conhecimento científico em tecnologia aplicada aos cafezais.

Publicado por: CaféPoint

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Integridade, humildade e capacidade de transformar o conhecimento científico em novas cultivares e tecnologia aplicada aos cafezais. Estas características descrevem o pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Luiz Carlos Fazuoli, agraciado com o Prêmio Fundação Conrado Wessel de Ciência Aplicada ao Campo 2005.

Figurar entre os vencedores do Prêmio FCW de Arte, Ciência e Cultura 2005, confirma o perfil do pesquisador Fazuoli, que segundo os representantes da Fundação Conrado Wessel, deve apresentar talento inovador, liderança, abrangência social, trabalho incansável, integridade e ética.

Figura 1

"É uma alegria participar desta justa e oportuna homenagem a um pesquisador que dedicou a vida à pesquisa cafeeira, com simplicidade, humildade e carinho. Às vezes, parece até simples demais, mas, quando é instigado a dar a sua opinião sobre café, ele demonstra que seus conhecimentos têm profundidade", saúda Hélio Casale, cafeicultor e consultor em café.

Reconhecido como discípulo de Alcides Carvalho, maior cientista de melhoramento de café do mundo, Fazuoli faz justiça ao prêmio recebido. Especialista em Genética e Melhoramento do Cafeeiro e doutor em Biologia Vegetal, sua carreira é marcada por estudos que influenciaram a cafeicultura nacional, como a participação nas novas seleções de café Mundo Novo e na avaliação das cultivares Catuaí Vermelho, Catuaí Amarelo e Acaiá, que representam 90% da cafeicultura brasileira (cerca de quatro milhões de cafeeiros da espécie Arábica).

O melhoramento genético do cafeeiro, foco de estudo do pesquisador, permite a introdução e manutenção da atividade em regiões onde o café é forte gerador de emprego e renda e o desenvolvimento de cultivares de porte baixo favorece o plantio adensado, com menor custo de manutenção e colheita.

O desenvolvimento de cultivares resistentes a pragas e doenças, com diferenciais de sustentabilidade e economia para o produtor rural, com redução de riscos à poluição ambiental e à saúde dos agricultores também é foco de seus estudos.

"Fazuoli é um batalhador do café há muitos anos. O prêmio é muito importante, pois geralmente não se dá valor aos pesquisadores brasileiros. Nós dobramos a produtividade da cafeicultura com a contribuição da pesquisa e o Fazuoli representa, na oportunidade, todo esse esforço. Fazuoli premiado, todos nós somos premiados" declarou Luiz Marcos Suplicy Hafers, cafeicultor e Presidente da Sociedade Rural Brasileira de 1996 a 2002.

Em 2000, a equipe de Fazuoli lançou três cultivares, Tupi e Obatã (resistentes à ferrugem) e Ouro Verde, de porte baixo e excelente qualidade de bebida. Ele também coordenou a seleção da cultivar Tupi RN, que será brevemente lançada e registrada pelo IAC, com resistência à ferrugem e ao nematóide Meloidogyne exigua.

Em colaboração com a equipe de pesquisadores do IAC e Unicamp, Fazuoli participou do descobrimento do café naturalmente descafeinado, em três plantas de introduções da Etiópia. Esse trabalho foi publicado na revista científica Nature, em junho de 2004, com grande repercussão nacional e internacional.

Desenvolve ainda projetos para o melhoramento do cafeeiro Robusta, tendo identificado 50 plantas matrizes com elevada produção e qualidade da bebida. Participou da identificação de 13 clones de híbridos F1 do cruzamento de Catuaí Vermelho x Coffea canephora Robusta, denominados Arabusta, altamente produtivos, com resistência múltipla à ferrugem e ao nematóide Meloidogyne exigua. O material apresenta bebida superior ao café robusta, constituindo em um blend natural.

"Além da capacidade técnica e cientifica incontestáveis, Fazuoli tem um carisma encontrado em poucas pessoas. Com uma visão global do agronegócio café, ele ensina a nós, pesquisadores mais novos, a importância de se buscar produtos e soluções que realmente cheguem ao cafeicultor", disse Sérgio Parreiras Pereira, pesquisador científico do IAC.

A partir de agora, Fazuoli terá seu nome entre os cientistas brasileiros premiados pela Fundação Conrado Wessel, organização sem fins lucrativos, que incentiva atividades educativas, culturais e científicas. A Fundação cumpre o desejo de seu idealizador, Ubaldo Conrado Augusto Wessel, que deixou um patrimônio dedicado à filantropia, ao progresso da ciência e valorização da cultura.

Conrado Wessel foi o criador da primeira fábrica brasileira de papel fotográfico, resultado de anos de pesquisa e que, mais tarde, renderia uma lucrativa parceria com a Kodak.

A entrega dos Prêmios FCW de Arte, Ciência e Cultura 2005 foi realizada na maior sala de concertos da América Latina, a Sala São Paulo, do Complexo Cultural Júlio Prestes (antiga estação de trens da Estrada de Ferro Sorocabana). Entre os agraciados, Wanderley de Souza (Ciência Geral), José Galizia Tundisi (Ciência Aplicada à Água), Aziz Nacib Ab'Sáber (Ciência Aplicado ao Meio Ambiente), Adib Domingos Jatene (Medicina), Fábio Lucas (Literatura) e os fotógrafos Maurício Salomão Nahas Filho, Andréas Christoph Heiniger e Gustavo Rodrigues de Lacerda (Fotografia Publicitária). A cerimônia foi finalizada com o concerto do pianista internacional Arnaldo Cohen.

Fonte: Embrapa Café, adaptado por Equipe CaféPoint.

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