Falta de acordo entre indústria e produtor ameaça café

Uma queda-de-braço começa a ganhar força na cafeicultura, dividindo produtores e as indústrias de torrado e moído que, em plena safra de café, correm o risco de ficar sem o produto. A atual crise no mercado financeiro, que tem impactado negativamente os preços da commodity, e a expectativa do Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), levam o cafeicultor a optar por uma postura cada vez mais retraída, fugindo das negociações.

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Uma queda-de-braço começa a ganhar força na cafeicultura, dividindo produtores e as indústrias de torrado e moído que, em plena safra de café, correm o risco de ficar sem o produto. A atual crise no mercado financeiro, que tem impactado negativamente os preços da commodity, e a expectativa do Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), levam o cafeicultor a optar por uma postura cada vez mais retraída, fugindo das negociações.

Por enquanto os produtores devem somente realizar os embarques de contratos que foram firmados no início do ano, quando o preço do café atingiu seu pico. Nesse período, as multinacionais do setor investiram no planejamento estratégico e garantiram seus estoques.

Agora, a indústria interna, que esperou a entrada da safra para negociar, sofre com a retração da ponta vendedora e com a concorrência dos importadores que elevaram em 68,1% suas compras de café do tipo conilon (robusta).

Só em agosto, o volume embarcado pelo Porto de Vitória ultrapassou 285 mil sacas, gerando uma receita de US$ 39 milhões. No mesmo período do ano passado, o volume exportado era de pouco mais de 162 mil sacas e uma receita de US$ 17,8 milhões.

"As gigantes do setor antecipam bastante a compra como estratégia para fugir desse gargalo, mas de maneira geral a indústria vai sofrer um pouco mais com a postura retraída do produtor e corre o risco em plena safra não conseguir café", avaliou Gil Barabach, da Safras e Mercado.

O aumento de recursos para a cultura também leva o produtor a aguardar um momento mais propício para sair às compras. "O governo anunciando os leilões de Pepro alimenta ainda mais essa retração", disse Barabach. "Foi dado uma infinidade de alternativas para ele não vender o café", completou.

Preços

Na semana do dia 11 de setembro até a última quinta-feira, 18, a Bolsa de Nova Iorque caiu 800 pontos nos contratos para entrega em dezembro, ou US$ 10,58 (R$ 20,41) por saca. De acordo com o boletim do Escritório Carvalhaes, no físico brasileiro a forte valorização da moeda americana frente ao real compensou a queda nas bolsas. Mesmo assim, a maioria dos produtores preferiu ficar fora dos negócios e o mercado apresentou-se semi-paralisado.

"Como os produtores estão achando ruim os preços correntes, não há nenhuma pressão vendedora, só alguns poucos negócios para saldas dívidas", afirmou Sérgio Carvalhaes, sócio proprietário da corretora.

Para Barabach, a explosão da crise mundial que atingiu o mercado financeiro aconteceu no pior momento possível para a cafeicultura. "O preço do café lá fora estava caminhando para uma recuperação dos preços, até com uma certa consistência. Fatores como a quebra de safra e atraso da colheita ajudavam para a atuação forte da indústria na ponta compradora", destacou. A matéria, de Priscila Machado, foi publicada no Diário do Comércio e Indústria de São Paulo, resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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