No dia 16 de novembro, em ocasião da 24a Conferência Internacional em Ciências do Café, (confira aqui informações sobre o evento ) promovida pela Associação de Ciência e Informação em Café (ASIC), mais de 150 pessoas vinculadas ao setor cafeeiro visitaram a região o Centro Agronômico Tropical de Pesquisa e Ensino - CATIE, na região de Turrialba, Costa Rica.
Os visitantes conheceram o Banco de Germoplasma do CATIE, especificamente coleção de café arábica, e presenciaram um ensaio de sistemas agroflorestais com café que é único no mundo, bem como o trabalho para a multiplicação dos híbridos F1 de café, considerados como o café do futuro.
"Parte de nossa tarefa é divulgar o trabalho e os resultados de nossas pesquisas, de forma que receber os participantes da conferência ASIC, que é o principal evento científico de café no mundo, é uma grande oportunidade para cumprir com esse objetivo e seguir identificando parceiros no trabalho que fazemos, não somente em pesquisa, mas também em capacitação". Disse o diretor geral do CATIE, José Joaquín Campos.
Dentro da coleção internacional de café do CATIE, os visitantes estiveram em contato com um laboratório vivo de diferentes espécies do gênero Coffea e materiais silvestres da Etiópia e Iêmen de suma importância, os quais constituem a base para o melhoramento do café.
"A coleção, a maior de cafés arábica do continente americano, conta com uma ampla diversidade genética, representada por mais de 1.900 materiais. Todos os materiais conservados nela são de domínio público, ou seja, estão a serviço da humanidade", disse o coordenador de áreas experimentais do Banco de Germoplasma do CATIE, Carlos Cordero.
Segundo ele, graças à sua diversidade, a coleção pode ser utilizada para pesquisa e melhoramento genético do café. Um exemplo disso são os híbridos F1 de café, que foram criados após a realização de cruzamentos entre variedades tradicionais e silvestres que se encontram na coleção do CATIE, com o fim de selecionar novos e melhores materiais de café arábica que estiveram à disposição dos cafeicultores.
"Esses híbridos são considerados o café do futuro, já que, cultivados em combinação com árvores, têm uma produtividade maior que as variedades tradicionais cultivadas da mesma maneira; além disso, contam com uma maior capacidade para resistir a doenças e aumentos na temperatura, o que os torna ideais para enfrentar os desafios da mudança climática", disse a pesquisadora do CATIE, Nelly Vásquez.
Para ela, entre as características que mais se destacam nos híbridos F1 é que têm uma melhor qualidade de consumo do que as variedades tradicionais e sua produtividade por área supera em até 30% ou mais as variedades como caturra ou catuaí.
Por outro lado, na visita do experimento de café cultivado em sistemas agroflorestais, que é desenvolvido pelo CATIE há uma década, a instituição mostrou vários resultados pioneiros no mundo que têm orientado produtores, técnicos e instituições sobre um melhor projeto e manejo dos sistemas sustentáveis de produção de café.
De acordo com Elías de Melo, pesquisador do CATIE, através desse experimento, tem-se conseguido determinar que ter café sob sombra com importantes níveis de produtividade é plenamente factível, garantindo, assim a rentabilidade econômica, além de serviços ambientais, como proteção da biodiversidade, armazenamento de carbono e proteção dos solos e da água.
Melo comentou ainda que ter café com árvores madeirais garante também a diversidade da produção, já que é possível obter madeira de alto valor comercial.
Outro resultado encontrado mediante esse experimento é que os sistemas agroflorestais com café, com um manejo adequado do solo, geram uma maior diversidade de fauna e flora e uma maior proteção dos solos em comparação com os cafezais que se encontram em pleno sol.
Segundo Campos, os dados gerados mediante o trabalho que o CATIE vem desenvolvendo desde suas origens, junto com seus parceiros, são muito importantes em razão de que o café é um cultivo que gerou uma aderência cultural e marcou o impulso de uma economia para a América Latina e Caribe.
As informações são do CATIE, traduzidas e adaptadas pela Equipe CaféPoint.
Evento em Costa Rica proporcionou aos visitantes a "descoberta do café do futuro"
No dia 16 de novembro, em ocasião da 24a Conferência Internacional em Ciências do Café, promovida pela Associação de Ciência e Informação em Café (ASIC), mais de 150 pessoas vinculadas ao setor cafeeiro visitaram a região o Centro Agronômico Tropical de Pesquisa e Ensino - CATIE, na região de Turrialba, Costa Rica. Segundo instituição, híbridos criados podem ser os "cafés do futuro". Confira
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