Por Thais Fernandes
Apesar de ter recebido sinal verde para utilizar o apoio de equipes técnicas como a do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a Companhia Nacional de Abastecimento - Conab não quis modificar sua metodologia para fazer o levantamento de estoque de café conilon capixaba disponível para o mercado.
“A Conab fez em um tempo muito curto a avaliação. Nós colocamos a nossa equipe do Incaper em todos os municípios à disposição, mas devido à metodologia estabelecida eles não foram consultados”, informou Marcelo Suzart de Almeida, diretor presidente do Incaper ao Jornal do Produtor, produzido pelo canal de televisão do Sistema CNA/SENAR.
Suzart participou, nesta terça-feira (17/1), da reunião entre o Mapa e o setor produtivo quando a Conab anunciou 2,14 milhões de sacas de café conilon em que o número em armazéns particulares. O resultado, contudo, contraria levantamento apresentado anteriormente pelo deputado federal Evair de Melo (PV/ES). Outras entidades capixabas como a Federação da Agricultura do Espírito Santo, a OCB/ES e Centro de Comércio do Café de Vitória (CCCV) deram respaldo o documento. O levantamento do setor aponta que entre os estados produtores de Espírito Santo, Rondônia e Sul da Bahia, ainda há pelo menos 4 milhões de sacas de conilon.
Os capixabas criticaram a postura adotada no trabalho oficial, encomendado pelo Ministério da Agricultura (Mapa), que terminou por não apurar os estoques dos próprios cafeicultores. “A informação que eu tenho é de que apenas sete municípios tiveram a visita dos fiscais da Conab para fazer avaliação. Pedi a lista de quais municípios foram visitados a um técnico da Conab, mas ele disse que não pode me entregar. Enfim, existe uma controvérsia que é mais ou menos o dobro. Provavelmente nós temos 4 milhões de estoque de café conilon no Espírito Santo, Sul da Bahia e Rondônia”, concluiu Suzart.
Ainda antes da reunião, o presidente do Sistema OCB/ES, Sr. Esthério Sebastião Colnago, se manifestou contra à possível importação de café verde. “Somos completamente contrários à medida e vamos lutar para que não aconteça”. Veja, abaixo, pronunciamento de Colnago:
O presidente da Comissão Nacional do Café da CNA, Breno Mesquita, que também esteve presente na reunião, reforçou a necessidade de incluir os estoques dos produtores. “No Espírito Santo é hábito do produtor guardar café nas propriedades. Por isso, as entidades questionaram a metodologia usada pela Conab. Isso significou a diferença entre o número da Companhia e do produtor”, afirmou ele em entrevista ao CaféPoint.
Mesquita lembra, ainda, que a partir de março haverá entrada de café conilon da nova safra no mercado. “Acreditamos piamente que o ministro não vai aprovar a importação, porque existe café disponível”, concluiu Mesquita.
Mapa e a importação
Ao CaféPoint o Ministério da Agricultura informou que o relatório da Conab “será utilizado para nortear a decisão do Governo sobre a inclusão do café conilon na LETEC. O volume encontrado foi de 2,14 milhões de sacos sendo 1,7 milhão no ES, 431,8 mil na BA e 20,7 mil em RO”.
A respeito da crítica a metodologia adotada pela Conab no levantamento, o Mapa afirma que “A Conab, como empresa vinculada ao Mapa, realizou a auditoria dos estoques com competência. O resultado apresentado está coerente com o balanço de oferta e demanda deste produto. O relatório do setor produtivo do ES foi acolhido e analisado e, serviu de motivação para a auditoria da Conab. Os resultados apresentaram diferença considerável”.
Ainda sem previsão para a decisão final, já que o ministro Blairo Maggi iniciou nesta terça-feira (17/1) missão ao exterior, o Mapa informou ao CaféPoint que “O assunto é considerado como decisão de Governo por envolver produtores e indústrias. As negociações estão em curso com decisão o mais breve possível. O Mapa, que tem ação no apoio ao produtor, apresentará uma proposta que não prejudique o produtor, mas que garanta o abastecimento nacional do café para atender o mercado interno e os compromissos de exportação”.
Estoque de produtores deve dobrar dado levantado pela Conab sobre conilon
Companhia dispensou auxilio de equipes técnicas do Incaper e metodologia ignorou volume de café em propriedades cafeeiras. "No Espírito Santo é hábito do produtor guardar café nas propriedades", lembra Breno Mesquita.
Publicado por: Equipe CaféPoint
Publicado em: - 3 minutos de leitura
Material escrito por:
Equipe CaféPoint
Acessar todos os materiaisDeixe sua opinião!

JAIME DE SOUZA
ITUETA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 23/01/2017
No Brasil nao ha fiscalizaçao nas industrias de torrefaçao de cafe . A quantidade de palha de cafe que e misturada junto com o nosso produto daria mais ou nenos a produçao do Mexico por dois anos. Nao sou fiscal mas tambem nao sou cego. Qual produtor que nunca viu ou nunca vendeu palha ?

RENATO PITA MACIEL DE MOURA
BAEPENDI - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 23/01/2017
Acho que a questão principal não é o estoque existente. A pergunta é: por quê os torrefadores e produtores de café solúvel brasileiros devem pagar mais pelo Conillon brasileiro do que pagariam pelo Coniloon importado!

CARLOS ALBERTO DE CARVALHO COSTA
MUQUI - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 23/01/2017
Logo no dia 17/01/2017 que o ministro Bairo Maggi saiu em "missão especial" . Porque o MAPA não quer fazer outro levantamento com o auxílio dá Incaper/ES. Nós produtores apesar de economicamente sermos inferiores à indústria, somos muito superiores quantitativamente o que poderá ocasionar um caus imensurável no nosso estado se for liberado a importação

AUGUSTO SÁVIO MESQUITA
SALVADOR - BAHIA - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 23/01/2017
Deve-se, ainda, alertar às autoridades e produtores rurais sobre os riscos fitossanitários da importação de café, pois há pragas de importância quarentenária (A-1), que podem ser introduzidas no País, como, por exemplo, espécie de Fusarium de grande virulência, endêmica no Continente Africano e a erva invasora Striga sp., de efeitos gravíssimos.