Drawback repercute entre lideranças da produção
Aparentemente surpreendidos pela inclusão da intenção de liberar o drawback de café verde, dentre as medidas do recente pacote agrícola, líderes do setor de produção reagiram com desde precaução responsável até o repúdio enfático.
Publicado por: CaféPoint
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A manifestação, a partir do anúncio do Plano Agrícola e Pecuário, no final de maio, da intenção Governo brasileiro de liberar o drawback não foi, no entanto, bem recebida pelas lideranças do setor de produção.
Segundo notícia do Diário do Comércio/MG, de ontem, representantes do segmento cafeicultor em Minas Gerais, juntamente com entidades ligadas à cultura no Espírito Santo (maior produtor de café robusta do país), deverão iniciar trabalhos conjuntos com o intuito de buscar esclarecimentos junto ao governo federal quanto à medida.
A medida desperta maiores preocupações nos produtores de café conilon, como o presidente da COOABRIEL, Antônio Joaquim de Souza Neto, que foi taxativo: "DRAWBACK? Nem pensar!". Ele destacou ainda que uma medida como esta seria um desastre para os cafeicultores, que estão saindo, neste momento, de uma crise de preços que durou mais de quatro anos. Além disto, não seria justificável importar café nesse momento em que o país colhe em torno de 40 milhões de sacas, sendo cerca 10 milhões de sacas de conilon. "Somos realmente contra essa posição".
Já na terça-feira, dia 7, o assessor técnico da Comissão de Café da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG), Rodrigo Pontes, ouvido pelo Diário do Comércio/MG considerou inaceitável que o maior produtor mundial de café compre o produto de outros países e classificou a idéia do governo federal de transformar o Brasil em uma plataforma exportadora de café como fruto de lobby de grandes indústrias.
Pontes ressaltou ainda que a modalidade poderá privilegiar países concorrentes, como o Vietnã e a Colômbia - segundo e terceiro produtores mundiais e que: "As oportunidades de emprego e renda poderão ser transferidas para outros países".
O Conselho Nacional do Café CNC alertou, em 8/6, para os riscos de contaminar as lavouras brasileiras, que preocupam os cafeicultores de Minas. Também citando a atual tentativa de recuperação frente à forte crise de preços dos últimos anos, causada pelo excesso de oferta do produto no mercado internacional, que poderia ser inviabilizada por problemas fitossanitários.
O presidente da entidade, Maurício Miarelli afirma que a postura adotada é de precaução responsável. Segundo ele, o tema já faz parte da pauta de discussão do setor, mas ainda não foi tomada uma posição de todo o agronegócio do café, as propostas estão sendo levantadas, serão discutidas brevemente e será necessário levantar as vantagens e desvantagens do uso do drawback para o café verde.
Fonte: Assessorias de imprensa da COOABRIEL e do CNC, Diário do Comércio/MG e equipe CaféPoint
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