Drawback: Abic e Mapa querem aumentar exportações
A indústria de café brasileira quer quintuplicar as vendas do produto torrado para o exterior nos próximos três anos. O objetivo é passar de US$ 30 milhões para US$ 150 milhões exportados por ano. Esta foi a principal pauta discutida ontem, 22, entre representantes da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.
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Para isso, será necessário, de acordo com o ministro, a importação de café de outros países, como da Etiópia, Colômbia e Peru, por exemplo. "A intenção é a de formar um blend que já está no gosto de alguns importadores", explicou. Esse produto comprado pelo Brasil seria misturado ao café nacional e vendido para o exterior.
O volume a ser importado, segundo Stephanes, seria muito pequeno em relação à produção doméstica: em torno de 0,2% a 0,3%. "Isso é praticamente um drawback (importação de produto para seguinte revenda ao exterior), mas agrega valor", avaliou o ministro.
Stephanes previu que todo o processo deve ter início em 2011. Os produtores que estiveram reunidos com o ministro salientaram que é possível até a transferência de empresas responsáveis pela formação de blends e que hoje atuam na Europa para o Brasil. "Sob o ponto de vista de política comercial, estamos de acordo.
Só precisamos de garantias a respeito de como estes cafés vão entrar aqui, se há risco de doenças", citou o ministro. De acordo com ele, a avaliação desse quadro demora de dois a três anos para ser feito pelo Ministério. "Mas vamos tentar ser o mais rápido o possível."
O que pensam os produtores
A indústria afirma que os compradores exigem a mistura do café brasileiro com outros tipos de grão de origens diferentes. "Estamos perdendo muitos negócios porque não podemos trazer cafés de outras origens", afirma o presidente da Abic, Almir da Silva Filho. A França exige 10% de café etíope no "blend" e os Estados Unidos preferem 15% a 20% de café colombiano em suas xícaras. "E deixamos de vender os outros 80% ou 90% por isso".
Os produtores temem, no entanto, a abertura do mercado nacional a grandes volumes de cafés de baixa qualidade, sobretudo do Vietnã. "Não temos medo de nada, mas corremos riscos sanitários e até risco de dumping de concorrentes que não respeitam leis trabalhistas ou sociais", afirma o presidente da Frente Parlamentar do Café, deputado Carlos Melles (DEM-MG).
Os industriais veem um entrave político difícil de resolver. "Reiteramos a demanda, mas há dificuldades políticas. O ministro ouve, mas não diz o que o impede de resolver", afirma o presidente da Abic, dono da indústria mineira Café Toko. E afirmam que a multinacionais têm vantagem porque podem importar o produto pronto de suas subsidiárias em outros países. "Isso privilegia as multinacionais. Se não faço aqui, tenho que fazer fora, investir e gerar empregos lá", reclama o presidente da Café Bom Dia, Sydney Marques de Paiva. Com a medida, sua empresa elevaria em 40% a produção de 2 mil toneladas mensais. "Um dia vou ter que abrir indústria lá fora".
O Ministério da Agricultura promete fazer a análise de risco sanitário para a importação dos café, mas deve demorar. "O ministro sabe que não é um tema fácil. E não vai decidir de uma hora para outra", diz Melles.
Para evitar descontroles, os industriais aceitam uma portaria com limitações à importações. "Poderíamos trazer só café arábica tipo 4 e robusta tipo 4 para melhor", diz Almir Silva Filho. A regra poderia prever ainda a obrigação de exportar cinco sacas de industrializado para cada saca de grão cru. "Aceitamos medidas severas para entrar só cafés de boa a excelente qualidade". A indústria busca importar cafés de Honduras, Etiópia, Guatemala, Colômbia, México e Indonésia.
Com informações da Agência Estado e Valor Econômico, resumidas e adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 27/10/2009
O Equador produz arábica e robusta, no entanto eles exportam mais café solúvel (maior valor agregado) do que café verde. Para atender a demanda, eles permitiram o drawback. Consultando os relatórios da USDA sobre o mercado cafeeiro do Equador em 2003, 2004 e 2005, é possível constatar que eles importaram respectivamente 130, 140 e 162 mil sacas de café, principalmente do Vietnã, mas também do Brasil e da Indonésia. Para 2010 a previsão já é de 410 mil sacas.
Até agora nada de novas doenças atacando os cafezais de lá...
MANHUAÇU - MINAS GERAIS - TRADER
EM 25/10/2009
Se o interesse das indústrias seria de fazer blends, que faça, não há problemas com isso. As maiores indústrias brasileiras, como o próprio artigo cita, são multinacionais. Se são, não precisam de fazer esse blend aqui no Brasil. Pra mim parece ilógico, pois nossa carga tributária inviabilizaria essa operaçao, e qual a garantia que teremos que esses blends não viriam a ser vendidos no Basil.
Se não conseguimos uma lei de rotulagem para uma fiscalização de qualidade, como teremos a garantia de que não serão comercializados aqui?
A classe produtora não pode aceitar isso, façam seus blends em outros países. Não queremos essa importação por razões fitossanitárias e financeiras.

VARGINHA - MINAS GERAIS - TRADER
EM 24/10/2009
Tenho certeza que o Sr. terá a sabedoria necessária para autorizar a importação de café para industrialização e exportação (drawback), pois o Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, porém café como matéria prima, como produto primário, e precisamos conquistar e aumentar a participação do café brasileiro com o produto industrializado, onde agrega-se muito.
Em praticamente todos os produtos que o ser humano consome, a maior parte da receita está no produto fornecido direto ao consumidor final, onde todos os custos, impostos e ganhos estão incluídos, e o Brasil está conquistando uma pequena parte desse mercado. A dificuldade é enorme, as marcas já estão consolidadas, já são conhecidas dos seus consumidores, mesmo assim a indústria brasileira de torrefação tem feito um ótimo trabalho para conquistar esses consumidores.
Os profissionais de qualidade do café sabem que cada café é único, que cada café de cada região tem características próprias; então o mercado consumidor mundial pede ligas (blends) com composições variadas de origem, daí a importância do drawback para o café no Brasil.
O bom vendedor sabe que ele deve servir o produto que seu cliente deseja comprar, atender o seu pedido e não empurrar o que ele tem. Por estes motivos e muitos outros aqui não descritos sou a favor com consciência da importância do drawback.
DIVINOLÂNDIA - SÃO PAULO
EM 23/10/2009
Quando este industrial acima citado fala que um dia vai abrir uma indústria lá fora não posso compreender o porque ele ainda não o fez, pois se assim ele fizesse, veria que seu maior fornecedor seríamos nós mesmos.
Será que o número de empregos que eles dizem que irão criar com a importação de café será capaz de absorver todo o contigente de pessoas que deverão abandonar o campo devido a esta ação? Portanto, produtores não podemos e não devemos aceitar tal proposta sem a menos participarmos da discussão.
Caro ministro, não aceite esta proposta, é só Vossa Excelência caminhar pelo Brasil afora para constatar o que tem sido torrado. Já é possivel encontrarmos bons cafés, mas ainda na sua grande maioria o que encontramos são verdadeiras porcarias. Se duvidar, posso enviá-lo várias marcas.
Caro Deputado Carlos Melles, ninguém mais do de Vossa Excelência para testemunhar o que estou falando. Vamos parar com esta conversa fiada de importação conforme a indústria exige, podemos vir sim discutir as misturas exigidas mas primeiro precisamos arrumar a casa, que diga-se de passagem, está uma bagunça.