Boletim Carvalhaes: mercado ignora riscos globais e café registra nova queda nas cotações

Enquanto operadores apostam em uma safra brasileira recorde em 2026/2027, fatores como estoques globais baixos, tensões geopolíticas e riscos climáticos seguem fora do radar e perdem força na formação dos preços

Publicado em: - 2 minutos de leitura

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A semana foi marcada por forte queda nas cotações do café nos mercados futuros, mantendo a tendência observada nos últimos dias. Segundo o Boletim Carvalhaes, os operadores seguem concentrando suas atenções nas projeções mais elevadas para a safra brasileira 2026/2027, atualmente em fase de colheita.

Entre as estimativas que influenciam o mercado está a do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que projeta uma produção de 71,9 milhões de sacas de 60 kg, sendo 47,5 milhões de sacas de café arábica e 24,4 milhões de sacas de robusta/conilon. A expectativa de uma oferta mais robusta tem pressionado os preços para baixo.

Por outro lado, fatores que tradicionalmente sustentam as cotações permanecem em segundo plano. Entre eles estão os estoques globais reduzidos, as incertezas geopolíticas decorrentes de conflitos internacionais em andamento, a alta dos custos de insumos agrícolas e a irregularidade climática. Soma-se a esse cenário a possibilidade de formação de um novo fenômeno El Niño, que pode impactar a produção de café em diferentes regiões produtoras. Apesar disso, esses elementos têm recebido menor atenção por parte de grande parcela dos operadores do mercado.

Contratos de arábica

Na sexta (5), os contratos de arábica para julho próximo na ICE Futures US oscilaram 590 pontos entre a máxima e a mínima, batendo, na máxima do dia, US$ 2,4920 por libra-peso – alta de 205 pontos. Na quinta-feira (4) caíram 595 pontos (2,35%), e na quarta-feira (3) recuaram 610 pontos (2,36%). Somaram queda nesta semana de 1.910 pontos (7,19%). Esses contratos para julho próximo somaram queda no último mês de maio de 1.995 pontos (6,99%).

Contratos de robusta

Na ICE Europe, os contratos de robusta para julho próximo bateram, na máxima de sexta (5), em US$ 3.369 por tonelada, alta de US$ 17. Fecharam o pregão a US$ 3.316, queda de US$ 36 (1,07%). Na quinta (4), caíram US$ 19 (0,56%) e, na quarta (3), recuaram US$ 91 (2,63%). Esses contratos somaram queda de US$ 160 (4,60%) nesta semana. No último mês de maio, somaram alta de US$ 115 (3,42%).

Contratos futuros em R$

Em reais por saca, os contratos para julho próximo na ICE Futures US fecharam a sexta (5) valendo R$ 1.681,54. Encerraram a sexta passada (29) a R$ 1.772,14 e a sexta anterior a ela (22) a R$ 1.811,41.

Estoques certificados

Os estoques de cafés arábicas certificados na ICE caíram, na sexta (5), 6.559 sacas, e estão em 419.504 sacas. Há um ano totalizavam 826.484 sacas. Esses estoques somaram queda na semana de 15.926 sacas e, na semana passada, de 14.137 sacas. Somaram queda no último mês de maio de 63.853 sacas. Em 2025, os estoques certificados pela ICE Futures US recuaram 53,76%, acumulando perdas de 526.812 sacas.

Mercado físico brasileiro

O mercado físico brasileiro de arábica permaneceu calmo durante toda a semana, com poucos negócios fechados. Os cafeicultores que ainda têm lotes de café arábica da safra atual, 2025/2026, relutam em vender nas bases de preços praticadas pelos compradores, mas diariamente saem alguns negócios.

Embarques

Até dia 5, os embarques de junho estavam em 85.865 sacas de arábica, 46.693 sacas de conilon, mais 22.069 sacas de solúvel, totalizando 154.627 sacas embarcadas, contra 449.873 sacas no mesmo dia de maio. Até dia 3, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em junho totalizavam 511.065 sacas, contra 617.810 sacas no mesmo dia do mês anterior.

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