Boletim Carvalhaes: Arábica fecha maio com queda de 7% em Nova York e acumula perdas de 18,5% no ano

Mercado segue pressionado pelas projeções de uma safra brasileira recorde em 2026/27, enquanto estoques globais permanecem apertados e analistas alertam para riscos climáticos associados ao novo El Niño

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Maio foi mais um mês negativo para as cotações do café arábica na ICE Futures US em Nova York, informa o Boletim Carvalhaes, divulgado nesta segunda-feira (1). 

Segundo o informe, os contratos para julho próximo somaram queda de 1.995 pontos (6,99%) em maio, acumulando perdas de 6.040 pontos (18,53%) desde o início de janeiro. 

Ainda em maio, na ICE Europe, os contratos de robusta para julho próximo somaram alta de US$ 115 (3,42%)o, mas acumulam queda de US$ 340 (8,91%) desde o fim de 2025.

“Os operadores focam apenas nas estimativas de produção para a nova safra brasileira de café (2026/2027), colocando em segundo plano (praticamente ignorando) todos os demais fundamentos, que foram determinantes para o grande movimento de alta dos últimos anos", analisa o Boletim Carvalhaes.

Ainda de acordo com o informe, os problemas climáticos globais continuam e a chegada de mais um El Niño, segundo os meteorologistas, “será de forte intensidade, e, portanto, afetará a produção de café dos principais produtores de café em 2027”. 

Os estoques mundiais dos países produtores e consumidores continuam criticamente baixos e, tão cedo, não voltarão a níveis confortáveis, relata o boletim semanal. “O quadro político e econômico internacional continua tenso e preocupante, agravado pelas guerras no Oriente Médio e na invasão da Ucrânia pela Rússia, que continuam sem perspectiva de uma solução. O preço do petróleo permanece alto e traz sérios problemas à economia global", analisa o informe. Esse cenário nos países produtores, segundo a análise, leva ao aumento dos custos de produção, enquanto os números de consumo mundial de café permanecem positivos, com crescimento na Ásia.

“A instabilidade, o sobe-e-desce das cotações, vão continuar dificultando os negócios no mercado físico de café", diz o Boletim Carvalhaes. Ainda segundo o informe, na sexta-feira (29), a ICE Futures US, em Nova York, e a ICE Europe, em Londres, trabalharam e fecharam em forte baixa. A queda de sexta-feira (29) levou os contratos de arábica a fecharem mais uma semana em queda. Os contratos de robusta encerraram a semana com balanço positivo.

Contratos de arábica

Na sexta (29), os contratos de arábica para julho próximo na ICE Futures US oscilaram 930 pontos entre a máxima e a mínima, batendo, na máxima do dia, US$ 2,7460 por libra-peso – alta de 35 pontos. Encerraram o dia valendo US$ 2,6560 por libra-peso, queda de 865 pontos (3,15%). Na quinta (28), subiram 440 pontos (1,63%) e na quarta (27) caíram 415 pontos (1,51%). Subiram 165 pontos (0,61%) na terça (26) – segunda-feira (25) não houve pregão em Nova Iorque devido ao feriado local. 

Somaram queda na semana passada de 675 pontos (2,48%) e alta na semana retrasada de 545 pontos (2,04%). Caíram na semana anterior a ela 790 pontos (2,87%). 

Esses contratos para julho próximo somaram queda em maio de 1.995 pontos (6,99%) e de 535 pontos (1,81%) em abril. Em março, subiram 1.490 pontos (5,40%), caindo em fevereiro 3.310 pontos (8,93%) e em janeiro 1.700 pontos (5,21%).

Contratos de robusta

Na ICE Europe, os contratos de robusta para julho próximo bateram na sexta (29), na máxima do dia, US$ 3.568 por tonelada, alta de US$ 14. Fecharam o pregão a US$ 3.476, baixa de US$ 78 (2,20%). Na quinta (28) subiram US$ 82 (2,36%) e na quarta caíram US$ 47 (1,34%).  Na terça (27) subiram US$ 63 (1,82%). Na segunda-feira (26) não houve pregão em Londres devido a um feriado local. 

Esses contratos somaram alta na semana passada de US$ 20 (0,58%) e na semana retrasada, de US$ 91 (2,70%). Caíram US$ 49 na semana anterior a ela  (1,44%).  Em maio, somaram alta de US$ 115 (3,42%); caíram US$ 44 (1,29%) em abril, US$ 147 (4,14%) em março e US$ 385 (9,78%) em fevereiro. Em janeiro, subiram US$ 121 (3,17%).

Estoques certificados

Os estoques de cafés arábicas certificados na ICE caíram na sexta-feira (29) 5.355 sacas. Estão em 435.430 sacas – há um ano, totalizavam 891.716 sacas, caindo, nesse período, 456.286 sacas. Esses estoques somaram queda na semana passada de 14.137 sacas. Caíram na semana retrasada 16.838 sacas, e 10.640 sacas na semana anterior a ela. 

Em maio, somaram queda de 63.853 sacas. Caíram 58.191 sacas em abril e subiram 80.245 sacas em março. Recuaram 41.508 sacas em fevereiro e 17.434 sacas em janeiro. Em dezembro, subiram 46.196 sacas, mas caíram 24.769 sacas em novembro, 138.209 sacas em outubro, 140.279 sacas em setembro,  60.425 sacas em agosto e 70.552 sacas em julho. 

Em 2025, os estoques certificados pela ICE Futures US recuaram 53,76%, acumulando perdas de 526.812 sacas.

Contratos em R$

Em reais por saca, os contratos para julho próximo na ICE Futures US fecharam valendo R$ 1.772,14. Encerraram sexta-feira (29) a R$ 1.811,41, e a sexta-feira retrasada a R$ 1.789,28.

Mercado físico brasileiro

O mercado físico brasileiro de arábica teve mais uma semana calma, com volume baixo de negócios fechados. Os cafeicultores que ainda têm lotes de café arábica da safra atual (2025/2026), relutam em vender nas bases de preços praticadas pelos compradores, mas, diariamente, saem alguns negócios.

Embarques

Até sexta (29) os embarques de maio estavam em 1.736.173 sacas de café arábica, 536.312 sacas de café conilon e 301.907 sacas de café solúvel, totalizando 2.574.392 sacas embarcadas contra 2.793.553 sacas no mesmo dia de abril. 

Emissão de certificados de origem

Até sexta (29), os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em maio totalizavam 2.911.048 sacas, contra 3.150.310 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova York - ICE, em fechamento de sexta-feira (22) até o fechamento de sexta (29), caiu 675 pontos ou US$ 8,93 (R$ 45,03) por saca nos contratos para entrega em julho próximo. 

Em reais, as cotações para entrega em julho próximo na ICE fecharam sexta (22) a R$ 1.811,41 por saca, e sexta (29) a R$ 1771,79. Ainda na sexta (29), nos contratos para entrega em julho, a bolsa de Nova Iorque fechou em baixa de 865 pontos.

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