Cafés do Circuito das Águas Paulista têm reconhecimento de Indicação de Procedência

Reconhecida pela combinação entre altitude, solo e tradição cafeeira, a região do Circuito das Águas Paulista conquista a Indicação de Procedência e reforça sua identidade como produtora de cafés de alta qualidade na Serra da Mantiqueira

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Por Cristiana Couto

A região do Circuito das Águas Paulista, na Serra da Mantiqueira, tornou-se em 26 de maio a mais nova indicação geográfica paulista, na modalidade Indicação de Procedência (IP). 

A nova IP inclui nove municípios – Águas de Lindóia, Amparo, Holambra, Jaguariúna, Lindóia, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Serra Negra e Socorro – distribuídos nos 177 mil hectares da região, que será gerida pela Associação dos Produtores de Cafés Especiais do Circuito das Águas Paulista (Acecap). 

De clima ameno (entre 13ºC e 26ºC), com altitudes que alcançam 1,4 mil metros de altitude, a IP permite a produção de cafés arábica, processados pelos métodos natural, CD, desmucilado ou por fermentação espontânea. 

Entre as variedades produzidas estão  catucaí amarelo e vermelho, obatã, mundo novo, bourbon amarelo, icatu amarelo e Iapar. 

O turismo da região, relacionado ao roteiro das águas, fortalece a identidade local e pode ser um atrativo, também, para o café, que conta com fazendas históricas que recebem visitas.

História da nova IP paulista de café

A cafeicultura chegou à região por volta de 1835, oriunda de Campinas. Em 1840, já há registros de cultivo do café em Socorro. A partir de meados do século, a produção aumentou, refletindo no crescimento econômico local. 

Amparo, que atualmente cultiva cerca de 1,6 mil hectares de arábica e é o maior município produtor da IP, já era um dos principais produtores de café na década de 1870, apoiado pela expansão dos trilhos da Companhia Mogiana e pela chegada de imigrantes, especialmente italianos. 

Na mesma época, Serra Negra produziu café em larga escala. Tanto que, em 1913, o município foi elencado no livro Impressões do Brazil no Século Vinte – fonte importante para a compreensão das economia e infraestrutura brasileiras na Primeira República (1889-1930), bem como das elites regionais – como responsável, ao lado de Amparo, por 10% da produção brasileira de café. 

Mesmo depois da crise de 1929, o café permaneceu como tradição familiar e contribuiu para a economia local. Desde a década de 1970, a mecanização da produção desestimulou a competitividade dos produtores de commodities da região, de topografia montanhosa. Mais tarde, porém, alguns produtores decidiram produzir grãos de qualidade. 

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