Crescimento na receita em out/07 já era esperado
As receitas com as exportações de out/07 aumentaram significativamente nos três tipos de café (verde, solúvel e torrado e moído). Para Anselmo Magno, gerente de comercialização de café da Cocapec, os números podem ser resultado de um out/07 com uma liquidez maior, fruto do cenário atual do mercado. Para Guilherme Braga, diretor geral do Cecafé, um dos fatores foi a recuperação do mercado, com maior volume embarcado acompanhado do aumento do preço médio, 24,15% e 4,57%, respectivamente. Mario Malta, secretário geral da ABICS, disse que houve uma mudança na estrutura do mercado. "Com a chegada dos meses frios nos países consumidores, há uma tendência desses países fazerem um estoque maior do produto para atender a demanda, também maior", explicou.
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Além disso, de acordo com ele, existe a maior demanda de café nos meses de setembro e outubro pelos países consumidores do hemisfério norte, portanto a alta é normal. "O que me espantou foi o número ter sido bem significativo, pensei que poderia ser maior que setembro, porém não tão grande", considerou.
"O sentimento que estou tendo agora, no curto prazo, é um "paradeiro" total", salientou. Para ele, a comercialização das cooperativas, se nada mudar, deve permanecer muito discreta, mas nem por isso a exportação pode ser pequena em novembro. Isso, segundo ele, seria fruto das negociações feitas anteriormente.
Guilherme Braga, diretor geral do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), também acredita que em novembro o volume embarcado deva ser parecido com outubro. Em relação ao aumento da receita das exportações de café verde em out/07 frente set/07, um dos fatores foi o maior volume embarcado acompanhado do aumento do preço médio, 24,15% e 4,57%, respectivamente. Isso mostra a recuperação do mercado, segundo ele.
Braga também ressaltou que a safra 07/08 entrou mais lentamente no mercado devido ao seu menor tamanho. "No mês de setembro estávamos passando pelo período de seca, isso gerou uma redução de ingresso de café no mercado", explicou.
Além da safra ser menor, também houve um incentivo à retenção, de acordo com Braga, "nesta safra o produtor está controlando mais a entrada de café no mercado, a pressão de venda é menor, o volume de recursos financeiros que o setor tomou neste ano foi maior que o ano passado".
Braga falou sobre a alta da receita originada pelos embarques de café verde à Síria, que percentualmente, cresceu 143,21%. Segundo ele, o volume é pequeno e não foi muito diferente do habitual nesse período do ano. "Quando o volume é muito reduzido, qualquer aumento gera um valor percentual relativo muito alto", afirmou.
Finalizou dizendo que acredita na estabilidade dos preços médios da saca, em dólares, já que a alavancada ocorrida out/07, 20,79%, comparado a out/06, foi originada pela espectativa da seca. "Com o retorno das chuvas, o mercado parece que já se acomodou", concluiu.
Mario Malta, secretário geral da ABICS (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel) falou sobre os 30,46% de alta na receita gerada pelos embarques de café solúvel brasileiro, em out/07 perante set/07. Para ele, a modificação que ocorreu, originando esse crescimento, foi na estrutura do mercado. "Com a chegada dos meses frios nos países consumidores, há uma tendência desses países fazerem um estoque maior do produto para atender a demanda, também maior", explicou.
"Não acredito que haja um motivo específico para essa alta de outubro", disse.
De acordo com Malta, o solúvel é um produto que está puxando o consumo de café no mundo inteiro. "O consumo de solúvel está com taxas ascendentes devido a entrada em mercados não tradicionais em consumo de café", disse.
Países consumidores de chá, não só os asiáticos, estimulam esse crescimento, salientou Malta. "Rússia e Reino Unido, por exemplo, já são tradicionais em consumo de café. Outro país, a Coréia, também tem aumentado o consumo e, praticamente, só de solúvel", ressaltou.
Em relação as altas taxas de crescimento da receita vinda do Canadá e Nicarágua, 532,31% e 418,67, respectivamente, Malta explica que são países importantes, mas que não sinalizam uma mudança de comportamento de mercado pelo baixo volume embarcado. O Canadá importou 69.377 sacas e a Nicarágua, 32.370 sacas, enquanto a Rússia - maior importadora - por exemplo, comprou 434.243 sacas (equivalente) de solúvel brasileiro.
Rodrigo Cascalles, equipe CaféPoint
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