O clima e o papel fundamental da agricultura brasileira em se aliar ao meio ambiente, em lugar de aderir ao embate, foi debatido no evento organizado pela maior cooperativa de café do mundo, a Cooxupé. O Brazil & Sustainable Coffee Conference ocorreu em São Paulo (SP), nesta terça-feira (25/4) e teve como palestrantes Marcelo Furtado, diretor-executivo do Instituto Arapyaú e facilitador na Coalition Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, Evaristo Eduardo de Miranda, chefe geral na Embrapa Monitoramento por Satélite, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, diretor da Canaplan e Eduardo Leduc, Vice-presidente Sênior da Unidade de Proteção de Cultivos da Basf para a América Latina.
Com dados comparativos entre Brasil e exterior, Evaristo Eduardo de Miranda, chefe geral na Embrapa Monitoramento por Satélite, apresentou que o bom desempenho da agricultura no Brasil tem crescido. “Até 11% das florestas estão nas propriedades rurais. Esse número deve aumentar ainda mais com a precisão que o CAR vai gerar”, pontuou Miranda sobre as áreas preservadas no país.
Contudo, questionado sobre os pontos frágeis da atividade agrícola brasileira, Miranda apontou que está na espécie robusta a oportunidade de melhora. “Se existe um ponto que ainda pode melhorar em relação ao café, eu diria que está entre a produção de conilon. Especialmente em Rondônia, ainda são produtores muito simples que cultivam e, por isso, boas práticas mais básicas ainda faltam ser implementadas”, afirma. O pesquisador acompanha a produção no estado há pelo menos 30 anos e acredita que na espécie robusta a “agricultura ainda é de mineração, ou seja, não utiliza calcário, complemento de nutrientes, por exemplo”, ponderou o pesquisador.
O que falta no setor do robusta e, especificamente em Rondônia ainda são entidades que abracem e englobem o trabalho dos produtores. “Justamente o respaldo que uma cooperativa, como a Cooxupé, pode dar é o que faz a diferença no trabalho da cafeicultura nacional. Isso levou o café à frente e o cooperativismo tem um papel fundamental ainda pouco debatido”.
OPORTUNIDADE
Miranda lembra que no estado a atividade ainda é implementada por pequenos produtores e não possui grande atrativo. No entanto, estudos da Embrapa Rondônia tem apontado potencial no cultivo. Em artigo, Leonardo Ventura de Araújo é mestre em Economia e analista da área de Transferência de Tecnologia da Embrapa Rondônia, apontou que as variações positivas no preço do café têm despertado o interesse e incentivado o cultivo deste grão em Rondônia.
O levantamento dos custos de produção do café realizado pela Embrapa Rondônia, em parceria com a Emater-RO e produtores de café no interior do estado, aponta que, em uma propriedade de cinco hectares – módulo padrão das lavouras de café em Rondônia –, o lucro líquido anual médio é de quase R$ 6 mil por mês, aproximadamente seis salários mínimos (Tabela 1). Esta remuneração foi calculada com base nos anos de produção da lavoura, do 3º ao 11º anos após o plantio. Confira aqui o estudo, com tabelas e mais dados sobre a cafeicultura em Rondônia. https://www.cafepoint.com.br/blogs/espaco-aberto/rentabilidade-da-producao-de-cafe-anima-produtores-de-rondonia-104887n.aspx