Até o fim de fevereiro, as cotações vinham pressionadas pela expectativa de uma safra recorde no Brasil em 2026/27. O cenário mudou nas últimas semanas, com a intensificação das tensões no Oriente Médio e o risco de fechamento do Estreito de Ormuz — ponto estratégico para o comércio global.
Segundo o Cepea, além da valorização do dólar frente ao real, o aumento das incertezas logísticas impulsionou os contratos futuros na ICE Futures e, consequentemente, os preços no Brasil. Há preocupação de que cafés produzidos na Ásia enfrentem dificuldades para chegar aos mercados ocidentais.
No acumulado entre 27 de fevereiro e 16 de março, o contrato com vencimento em maio/26 avançou 4,3% na bolsa. No mercado interno, o Indicador Cepea/Esalq para o arábica tipo 6, posto em São Paulo, subiu 6,14%, para R$ 1.908,03 por saca (60 kg).
Apesar da recuperação dos preços, o ritmo de negócios segue limitado. A maior parte da safra já foi comercializada — no Sul de Minas Gerais, entre 70% e 80% do volume total.
No caso dos cafés canéfora, agentes estimam que restem entre 5% e 10% da produção disponível em Rondônia, e que 70% a 80% do conilon do Espírito Santo já tenha sido comercializado.
O Indicador Cepea/Esalq para o robusta tipo 6, peneira 13, no Espírito Santo, fechou a R$ 994,04 por saca no dia 16, queda de 3,75% em relação ao fim de fevereiro.