Com um declínio na produção de café e com as condições climáticas do próximo ano ainda incertas, os exportadores de café da Colômbia estão receosos em assinar contratos de distribuição futura com seus compradores.
A Colômbia, terceiro maior exportador de café do mundo depois do Brasil e do Vietnã, espera produzir cerca de 9,3 milhões de sacas de 60 quilos para o período de janeiro a dezembro, muito menos que as projeções anteriores, de 10,3 milhões de sacas. A produção tem sido prejudicada pelas chuvas que caíram no final do ano passado e pelo programa de renovação da colheita que deixou algumas terras fora de uso temporariamente enquanto recebiam cafezais novos e mais produtivos.
Os exportadores de café disseram que estão preocupados com o fenômeno climático do El Niño, que está produzindo altas temperaturas no país. A situação deverá piorar no primeiro trimestre do próximo ano.
"Eu somente concordo com acordos em que eu possa garantir café um mês para frente. Esse modelo de negócio se manterá até que exista clareza na produção e no clima", disse o diretor financeiro da Trilladora Villegas, uma das cinco maiores exportadoras de café verde da Colômbia, Rodrigo Villegas.
A Trilladora Villegas espera exportar 290.000 sacas de 60 quilos esse ano, menos que as 320.000 sacas exportadas no ano passado, como resultado da escassa oferta de café. A empresa exporta ao Japão, Reino Unido e Alemanha, bem como para Síria e Cingapura.
A exportadora de café Industria Cafetera La Meseta está se voltando a contratos de curto prazo, como a Trilladora Villegas. La Meseta, que planeja exportar 150.000 sacas de café esse ano, fecha negócios a uma base diária porque não quer arriscar não conseguir cumprir com os contratos devido às baixas ofertas. "Eu costumava vender café para envios dentro de um ou dois meses. Eu não posso mais fazer isso por causa da escassez da produção", disse o gerente geral da La Meseta, Fernando Munoz.
Os exportadores de café também estão preocupados com os contratos futuros por causa das incertezas sobre os pagamentos premiums pelo café colombiano, disse um oficial da Federação de cafeicultores da Colômbia. Atualmente, o premium pago pelo café colombiano é de cerca de 27 centavos acima dos preços futuros.
Os exportadores disseram que ainda é muito cedo para dizer se a Colômbia alcançará a meta da federação, de 11 milhões de sacas no próximo ano. As chuvas em setembro diminuíram 30% nos departamentos produtores de café de Santander, Norte de Santander, Quindio, Tolima, Huila e Narino. Foi o setembro mais seco dos últimos 12 anos, informou Governo do país. Se as previsões de mais tempo seco se concretizarem, as colheitas de café mudarão de ter que lidar com uma estação de chuvas intensas para condições intensas de seca. "Isso é fatal para o café", disse Villegas. "Os contratos de café não têm clausulas nos dando concessão de não cumprir com nossas obrigações se houver más condições climáticas".
A reportagem é da Reuters, traduzida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
Colômbia: exportadores evitam contratos de longo prazo
Com um declínio na produção de café e com as condições climáticas do próximo ano ainda incertas, os exportadores de café da Colômbia estão receosos em assinar contratos de distribuição futura com seus compradores.
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