Cepea: vendedor retraído limita negociação em março

Em março, apesar de cerca de 20% da produção de café arábica ter sido colocada à disposição para comercialização, boa parte dos produtores seguiu restringindo seus lotes, à espera de preços mais elevados. Mesmo com compradores mostrando-se mais ativos, os negócios seguiram em ritmo lento, dado o reduzido interesse de venda. A disparidade de preços pedidos e ofertados também limitou a fluidez dos negócios no físico.

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Em março, apesar de cerca de 20% da produção de café arábica ter sido colocada à disposição para comercialização, boa parte dos produtores seguiu restringindo seus lotes, à espera de preços mais elevados. Mesmo com compradores mostrando-se mais ativos, os negócios seguiram em ritmo lento, dado o reduzido interesse de venda. A disparidade de preços pedidos e ofertados também limitou a fluidez dos negócios no físico. Além disso, com a aproximação da colheita da nova safra, a atenção da maioria dos cafeicultores esteve voltada aos trabalhos operacionais, agravando a lentidão do mercado. As poucas comercializações ocorreram apenas quando havia necessidade de cumprir compromissos ou de "fazer caixa".

Quanto ao desenvolvimento da safra 2009/10 de arábica, o clima foi considerado favorável em março. Precipitações atingiram as principais regiões cafeeiras do País, auxiliando na manutenção da umidade adequada do solo. Apenas na região da Alta Mogiana, pancadas de chuva ocorridas no final de março deixaram produtores em alerta, visto que chegaram a derrubar muitos grãos dos pés.

Os primeiros grãos de arábica devem apresentar maturação ideal para colheita a partir de maio, com as atividades devendo ganhar ritmo mais intenso entre junho e julho. No entanto, de acordo com colaboradores do Cepea, em regiões isoladas do noroeste do Paraná, estado que normalmente abre a colheita brasileira de arábica, as atividades de campo já podem iniciar em meados de abril. O tempo seco, seguido de chuvas intensas em março, auxiliou no processo de maturação dos grãos nas lavouras paranaenses.

Ainda que a colheita esteja prestes a começar, os primeiros grãos de arábica disponibilizados são pouco apreciados por compradores, já que não atendem o padrão de exportação. Assim, nos próximos meses, cafeicultores ainda deverão voltar suas atenções à venda da safra 2008/09.

Mercado Físico

Os futuros de arábica avançaram significativamente em março na bolsa de Nova York (ICE Futures). O contrato Maio/09 fechou a 115,75 centavos de dólar por libra-peso no dia 31, forte alta de 9,5%, sobre o dia 2. As cotações no físico brasileiro, no entanto, recuaram, dada a forte desvalorização do dólar frente ao Real e o reduzido volume de vendas. A moeda norte-americana foi cotada a R$ 2,31/US$ no último dia do mês, queda de 5,12% em março. A média mensal do Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6 bebida dura para melhor foi de R$ 262,48/sc de 60 kg, recuo de 2,55% sobre a de fevereiro.

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Figura 2
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