No arábica, o principal destaque foi a falta de fundamentos altistas na bolsa de mercadorias de Nova York (Nybot), pela não ocorrência de geadas nos cafezais brasileiros.
Com isso, o indicador Cepea/Esalq do café arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve média de R$ 218,16/saca de 60 kg, em julho, em queda de 2,8% em relação ao mês anterior e de 14,6% frente a julho de 2005, quando o valor foi de R$ 255,61/saca.
Não houve discrepância entre a variação do indicador e as oscilações da bolsa americana (gráfico 1), onde o suporte acabou sendo dado pela valorização do café robusta na bolsa de Londres (Liffe), puxada pela oferta restrita do produto no mercado mundial, já que o Vietnã encontra-se em entressafra.

Fonte: Cepea/Esalq
Gráfico 1: NY (futuro-Set/06) x Indicador Cepea (físico) - (US$ / sc 60 kg)
O Centro aponta que a colheita de arábica segue um pouco atrasada e que os produtores continuam retraídos, preferindo recorrer a financiamentos, ao invés de comercializar a produção pelos preços atuais, que consideram demasiado baixos.
Para agosto, é ressaltada a preocupação com a seca, que pode prejudicar as floradas, diminuindo ainda mais a próxima safra, que já será menor, devido à bianualidade do café arábica.
Conilon
Para o conilon, o Centro destaca que a colheita já está praticamente terminada. No Espírito Santo, maior produtor da variedade no Brasil, a produção teve boa qualidade neste ano, com baixo índice de brocas e o tempo bastante seco, apesar de causar preocupação antes da colheita, colaborou com os trabalhos de campo.
Em Rondônia, cuja colheita já foi finalizada, boa parte da produção, já foi comercializada, segundo o Cepea. Os produtores alegam que a produção foi menor do que esperavam, em função da chuva irregular durante o desenvolvimento da cultura e acredita-se que a produção do estado deve girar entre 800 mil e 1 milhão de sacas, bem abaixo da estimativa da Conab, de abril, de 1,8 milhão de sacas.
Boa parte da produção de conilon é direcionada ao mercado interno, o que faz com que o gráfico do indicador diário do conilon não seja tão semelhante ao da Liffe (gráfico 2). Ou seja, o mercado interno não acompanha tão de perto as oscilações do mercado de futuros.

Fontes: Cepea e Liffe
Gráfico 2 - Londres (futuro - US$/t - Julho/06) x Indicador Tipo 6 (físico - US$/sc 60kg)
Outro ponto a ser ressaltado é que, ao contrário do arábica, o preço do conilon teve um ganho de 3,14%, entre julho de 2005 e julho de 2006. Com isso o diferencial de preço entre os dois cafés se reduziu em 42,47% (tabela 1).

Fonte: Cepea
Tabela 1 - Evolução Histórica do Café Arábica x Conilon - R$/saca de 60 kg
Por outro lado, com as cotações internacionais acima de US$ 1.300/t, o que ocorreu devido à restrição na oferta mundial de robustas, começou a haver liquidez para as exportações do Brasil e alguns exportadores arriscaram embarques de robusta, em julho. Caso estas exportações se intensifiquem, pode haver um estreitamento ainda maior no diferencial de preço entre o arábica e o conilon.
Fonte: Equipe CaféPoint, com informações do Cepea/Esalq.