O Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC) aprovou, ontem, 12/7, o Plano Estratégico para o Desenvolvimento da Economia Cafeeira (Pedec), documento elaborado pelo Conselho Nacional do Café (CNC), Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
O projeto será encaminhado ao ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Luís Carlos Guedes Pinto, e aos governadores de Minas Gerais, Aécio Neves, e Espírito Santo, Paulo César Hartung Gomes. O documento deverá servir de base para a implantação das políticas para o setor para os próximos anos.
Na reunião, o CDPC também discutiu o lançamento de opções públicas de café - que serão avaliadas tecnicamente no próximo dia 26. O CNC propôs que sejam feitos leilões para cinco milhões de sacas, que demandariam R$ 1,1 bilhão de recursos do orçamento de 2006 e do ano que vem.
Considerando que a maior pressão sazonal brasileira será entre setembro e novembro de 2006, período em que cerca de 90% da colheita estará concluída, sugere-se o lançamento de séries de opções para vencimento em novembro de 2006 e em fevereiro e abril de 2007, no volume de 2 milhões de sacas para o primeiro leilão e de um milhão e meio de sacas para cada um dos dois leilões sucessivos.
O CDPC aprovou o encaminhamento de um voto ao Conselho Monetário Nacional (CMN) para ampliar o teto para a estocagem para até R$ 2 milhões e a liberação de
R$ 315 milhões para a estocagem das indústrias e exportadores.
Pedec
Financiado pelo CNC, o estudo ouviu mais de 40 representantes da cadeia do agronegócio do café, incluindo o setor produtivo, indústrias, exportadores, governo, parlamentares, instituições de pesquisa e analistas de mercado. "É um avanço importante pensar a cafeicultura estrategicamente. O plano será incorporado pelo CDPC e servirá também de base para o próximo governo", diz Maurício Miarelli, presidente do CNC. O Pedec é dividido em temas estruturantes básicos e complementares, que serão detalhados pelo Comitê de Planejamento Estratégico do CDPC.
Questões básicas
As estimativas de mercado apontam para uma necessidade de 53 milhões de sacas de café para os próximos 10 anos se o Brasil continuar com os atuais índices de crescimento de mercado interno (3% ao ano) e parcela no mercado mundial (30%). Para atingir esses objetivos é preciso trabalhar a renda, que assegura os investimentos necessários ao aumento da produtividade, concluir o mapeamento do parque cafeeiro e aprimorar o sistema de previsão de safra.
Como entre uma safra e outra há uma variação de até 10 milhões de sacas, devido ao ciclo bianual da produção brasileira, o setor considera que é preciso também um ordenamento da oferta, por meio do lançamento de programas de opções, aliados às linhas de financiamento.
Na avaliação do setor, o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) deve ser fortalecido, transformando-se, legalmente, em algo como o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que tem mais independência administrativa e financeira. Para isso acontecer, o agronegócio do café entende que o CDPC também deve ser modificado, visando ganhar mais autonomia e flexibilidade.
Agregar valor à matéria-prima, transformando o Brasil em uma plataforma exportadora de produtos industrializados é outro tema relevante para o setor. Neste contexto, é importante aprofundar a discussão sobre o drawback, barreiras tarifárias e não-tarifárias e sobre o "Custo Brasil".
No que se refere ao mercado interno, o setor avalia que o Programa de Qualidade de Café e o Café & Saúde devem ser apoiados e fortalecidos. Visando o marketing externo e também o aumento do preço do produto, o agronegócio do café pretende também trabalhar para viabilizar a entrega do produto brasileiro na Bolsa de Nova York.
Questões complementares
O setor vê que é necessária a capacitação de produtores, cooperativas, indústrias e exportadores para operar nas bolsas de mercadoria. Para o agronegócio do café, a melhoria do financiamento do setor depende da redução das taxas de juros e da implantação de um seguro de produção.
Investimentos no marketing dos Cafés do Brasil e na exploração do nicho de mercado para os cafés especiais e certificados, incentivando a participação no programa desenvolvido pelo governo: Produção Integrada do Café (PIC), também fazem parte do Pedec.
Segundo avaliação do setor, o Funcafé deve continuar investido em pesquisas, como as desenvolvidas pelo Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café.
A questão do endividamento dos produtores de café, embora não atinja todo o setor, tornou-se uma questão que demanda solução urgente. A falta de uma solução adequada compromete a capacidade de investimento de uma parcela significativa do setor, que é essencial para garantir competitividade e atender ao crescimento da demanda.
As informações são da Assessoria de Imprensa do CNC
Cafeicultura terá plano estratégico
O Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC) aprovou, ontem, 12/7, o Plano Estratégico para o Desenvolvimento da Economia Cafeeira (Pedec), documento elaborado pelas entidades representativas da cadeia produtiva, CNC, Abic, Abics, Cecafé e CNA.
Publicado por: CaféPoint
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