Cerca de 100 cafeicultoras de 12 municípios do Norte Pioneiro, no Paraná, participaram da colheita seletiva do café especial, realizada ao longo do mês de junho. Foi a primeira vez que as agricultoras do projeto Mulheres do Café, criado em 2013 pelo Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) realizaram o processo em mutirão, cada dia em uma propriedade diferente.
Foto: Felipe Pagani/Café Editora
O café selecionado é retirado da lavoura antes da colheita geral, que segue até agosto. A colheita seletiva é feita grão a grão, escolhendo apenas os maduros, chamados de cereja, e de melhor qualidade. As demais etapas do manejo do café, como a secagem e a estocagem, também são mais criteriosas, uma vez que os grãos especiais não podem fermentar ou tomar chuva.
Mulheres do Café
Criado pelo Emater como forma de valorizar o trabalho feminino na agricultura familiar, os grupos da colheita seletiva são supervisionados por 11 técnicos da instituição. Hoje, as produtoras se reúnem cinco vezes ao ano, participam de eventos externos para conhecer o mercado e buscar compradores, e fazem o Encontro das Mulheres do Café do Norte Pioneiro, que em 2017 reuniu 400 cafeicultoras.
Participantes do grupo foram as principais vencedoras nos últimos dois anos do Concurso Qualidade do Café do Paraná, feito pela Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, e destaque na premiação nacional da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Os lotes da colheita seletiva são para atender exportadoras e cafeterias que comercializam o café especial.
Ceres Trindade, produtora que venceu as duas últimas edições do concurso, também se destacou no leilão dos Melhores Cafés do Brasil, promovido pela Abic. Duas sacas de café da cafeicultora foram arrematadas por R$ 1,2 mil cada. O valor é três vezes mais alto que o preço de uma saca de café comum, que no ano passado custava entre R$ 380,00 a R$ 420,00. Os cafés de melhor qualidade eram vendidos a R$ 600 a saca no período.
Aliança internacional das Mulheres de Café
O grupo paranaense foi o primeiro no Brasil a integrar a Aliança Internacional das Mulheres do Café (IWCA, da sigla em inglês), rede internacional formada por mulheres envolvidas em toda a cadeia de negócios do café, presente em 15 países. O Brasil conta hoje com 12 subcapítulos – como são chamados os grupos de produtoras – associados à entidade. O do Paraná, porém, é o único que conta com a assistência técnica oferecida pelo Estado.