Café colombiano no Brasil será bom para o mercado?
A entrada de cafés importados no Brasil constitui um recado a nós, produtores, para aprimorarmos a qualidade de nossos cafés. Fatalmente, regiões que não produzem cafés de qualidade serão alijadas do mercado, pois não há nada melhor para o mercado do que uma boa concorrência. Vamos usar a nossa inata criatividade, competência e inteligência e produzir um café melhor.
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A cadeia de cafés Starbucks, com várias lojas instaladas no Brasil, oferece cafés de várias regiões do mundo. Isso tudo constitui um recado a nós, produtores, para aprimorarmos a qualidade de nossos cafés. Fatalmente, regiões que não produzem cafés de qualidade serão alijadas do mercado.
Nós produzimos o café mais barato do mundo. O consumidor, na hora da compra, leva em consideração a qualidade aliada ao preço. Estes cafés, colombianos, Illy, Nespresso, Starbucks, terão nichos de mercado, mas estão num patamar de preços muito acima dos cafés brasileiros". Esta é opinião de Carlos Paulino da Costa, presidente da maior cooperativa de café do mundo, a Cooxupé, a respeito da entrada do café colombiano no mercado brasileiro.
Durante a enquete do CaféPoint sobre o assunto, no início de agosto, nossa equipe recebeu várias cartas de leitores, das mais diversas regiões produtoras de café do país. Acompanhe abaixo o que pensam produtores, pesquisadores e técnicos envolvidos com o agronegócio café.
Na opinião de Cláudio José Fonseca Borges, consultor de café em Belo Horizonte/MG, as lideranças da cafeicultura brasileira não tomam providências para melhorar o atual cenário da cafeicultura no país, e este é mais um exemplo da falta de política para o setor. "Quando Guga conquistou o tri-campeonato de Roland Garros, em 2001, alguém se lembra de onde era o café que se fazia propaganda? Pois é... nós brasileiros somos os maiores produtores de café do mundo, mas propagamos o café da Colômbia", protestou o produtor de café João Carlos Remedio, de São José dos Campos/SP.
O leitor Luiz Devos, cafeicultor de Sacramento, em Minas Gerais, lembrou que o Brasil já concordou com a imposição do gás da Bolívia e vai pagar mais pela energia de Itaipu vinda do Paraguai. Para ele, existe muita política da boa vizinhança, enquanto os cafeicultores brasileiros penam para administrar suas finanças. "Outro dia, o Ministro do Trabalho vangloriava na TV que o salário minimo já teve um ganho real de 136%. Muito bem, mas esqueceram que o produto que paga este salário está com correção zero ou até negativa", escreveu.
"Não creio que a entrada de Juan Valdez no Brasil seja culpa das lideranças ou de uma política de boa vizinhança. O Brasil em breve será o maior consumidor do mundo. Da mesma forma como a Starbucks quis entrar aqui, é natural que eles também queiram. É algo inevitável", ponderou o pesquisar do Centro de Inteligência em Mercados da UFLA, Eduardo Cesar. Segundo Cesar, a Starbucks utiliza em seus blends cafés latino-americanos e da Indonésia, assim como outras redes, nacionais, inclusive, também já oferecem blends com grãos importados.
Para Antônio Carlos Silva, cafeicultor em Boa Esperança/MG, não há nada melhor para o mercado do que uma boa concorrência. "Sei que as coisas estão difíceis, mas não devemos ficar esperando pela ajuda do Governo? Vamos usar a nossa inata criatividade, competência e inteligência e produzir um café melhor", acredita.
"A concorrência leal estimula eficiência. Só não podemos permitir que o BNDES financie a Juan Valdez", é a observação do consultor e produtor de café, Guilherme Juliano Braga da Rosa, de São Sebastião do Paraíso, em Minas. Já para Carlos Alberto A. Pagliarone, provador de café de Franca/SP, a atitude é motivo de vergonha nacional. "Como diria nosso ilustre jornalista Boris: é uma vergonha! Alguém irá pagar por isso.
Sérgio Soares da Silva, proprietário de fazendas de café na Bahia e no Espírito Santo, acredita que todos têm direito de buscar novos mercados. "Enquanto nossos governante ficam pensando em como ajudar os produtores, os colombianos partem é para a prática. Por isto é que os cafés deles mesmo não tendo a nossa qualidade são os mais falados no mundo"
"A Alemanha não tem um pé de café, mas é o maior exportador de café industrializado do mundo. A legislação brasileira é clara: os interesses públicos prevalecem sobre os privados. Acredito que é nesta linha que o Estado vai operar ora em diante. O sacrifício será o preço da competitividade nacional", defende a pesquisadora e professora universitária, Mara Luiza Gonçalves Freitas, de Juína, no Mato Grosso.
Mario Sérgio Pesarini, produtor de café do Paraná, por sua vez, questiona se não há interesse por trás da ação em favorecer a indústria no Brasil, em prejuízo ao produtor. Para Luiz Roberto Saldanha Rodrigues, cafeicultor de Jacarezinho, no Paraná, a situação traz uma oportunidade: "Por que não aproveitamos a situação para unirmos e profissionalizarmos a classe produtora? Vamos brigar pela qualidade para impedir que blends comerciais horríveis sejam engolidos por consumidores enganados. Não vamos criticar o café colombiano, mas sim valorizar o nosso".
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Essa falta poderia, finalmente, forçar a entrada de café "lavado" Brasileiro nas entregas no CSCE.