O ano de 2012 se encerra com gosto amargo para os produtores de café, que viram as cotações despencarem ante o ano anterior, em meio a especulações pouco realistas do mercado internacional sobre volume de safras e estoques. Para prejudicar este cenário, a safra deste ano ficou marcada em grande parte pelas chuvas durante o período de colheita, que atrasaram a entrada dos cafés nos armazéns e muito afetaram a comercialização e a qualidade média dos grãos, reforçando a situação contábil bastante desafiadora dos cafeicultores (leia mais).
Estes acompanharam, no entanto, esforços de entidades ligadas ou próximas ao Governo, que buscaram incrementar projetos de estímulo à sustentabilidade econômica da cadeia cafeeira, trazendo alguns resultados em princípio de maior consistência, como planos de crédito mais promissores ou o apoio a projetos de valorização das origens regionais do café e consequente fortalecimento das cadeias locais a médio longo prazo (leia mais). Sem esquecer da conquista de trazer ao país o evento de comemoração aos 50 anos da OIC - Organização Internacional do Café (leia mais), fato direta ou indiretamente influenciado pela igualmente importante alçada de um brasileiro ao cargo máximo da instituição.
Os custos de produção se mantiveram significativos, com destaque aos desafios da mão-de-obra à cafeicultura de montanha, instigando discussões em torno da urgência em novas tecnologias para este tipo de cultura, acarretando em paralelo um maior foco à gestão eficaz dos dispêndios da atividade produtiva (leia mais). Neste âmbito, a procura por apoios técnicos e de conhecimento junto a grupos como cooperativas ou associações de produtores foi intensificada. Na mesma linha, tivemos as certificações como um tema recorrente, já que estas têm como argumento em suas visões do negócio a geração de um maior entendimento sobre o gerenciamento da propriedade e seus diversos agentes ativos.
Este ano a questão ambiental na propriedade ganhou grandes proporções com as discussões em torno da MP do Código Florestal (leia mais), alcançando a população nacional como um todo. Observou-se pouco conhecimento por parte da sociedade brasileira em geral a respeito da realidade do campo quando o assunto é sustentabilidade ambiental, o que teve como consequência diversas pressões civis sobre requisições ricas em argumentos por parte da população rural e seus representantes no governo. O teor 'Eco' dos discursos acabou por encantar o coro nacional e vetos caros aos produtores foram efetivados na MP.
O mercado mundial de cafés verdes termina o ano em estado um tanto apático, com poucas movimentações relativas intercontinentais, tendo um dos fatores críticos fundamentais a frágil economia global, esfriando os humores de investidores (leia mais). Vemos em contrapartida esforços de instituições ligadas ao setor na promoção dos cafés brasileiros, pegando carona com as perspectivas otimistas de desenvolvimento de produtos genuinamente brasileiros, ou que fazem parte da história do país a exemplo do café, perante eventos mundialmente significativos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, que ocorrerão em território nacional.
O anúncio da extinção do pesticida Endosulfan do mercado nacional, que ocorrerá em definitivo no próximo ano (anunciado em 2011 e com sua proibição de produção interna este ano), trouxe apreensões aos produtores e expectativas junto a fornecedores de insumos sobre novas opções para o combate à broca, relevante praga das lavouras cafeeiras do país (leia mais).
Vimos também uma tendência à valorização do conilon / robusta em 'blends' industriais em meio àqueles antes oficialmente produzidos somente com arábicas e em variações da bebida café em cafeterias (leia mais), gerando dúvidas e impasses entre os produtores de arábicas, que poderiam estar perdendo 'share' de mercado ao mesmo tempo em que a valorização relativa de seus grãos, principalmente para a cultura de montanha, se esvaem. A possível conquista de Conilon / Robustas 'especiais' também foi tema de controvérsias.
Assistimos à marcha evolutiva dos cafés especiais brasileiros, em pleno movimento de valorização tanto no mercado consumidor interno como entre os principais mercados internacionais da bebida. Grãos brasileiros fazendo sucesso em renomadas torrefadoras estrangeiras ao mesmo tempo em que o país conquista o segundo lugar, com uma barista paranaense, o campeonato mundial do gênero (leia mais).
Tivemos ainda um importante acontecimento pertinente à tributação, com a lei que alterou o PIS/Cofins do café, com o propósito de reduzir, ou até mesmo eliminar, distorções trazidas com o antigo modelo, relativas a estas contribuições na cadeia produtiva do café (leia mais).
Ao discorrer, de modo suscinto - em vista da enorme gama de possibilidade desta enorme e complexa cadeia - alguns dos principais acontecimentos do panorama cafeeiro deste ano de 2012, convido vocês leitores a refletirem sobre as perspectivas que se desenham neste curto e médio prazo para o nosso setor e a responderem a enquete lançada pelo CaféPoint:
Quais serão os principais desafios para a cafeicultura em 2013?
Breve retrospectiva de 2012 para o setor cafeeiro nacional
Colheita atrasada, queda das cotações, certificações, planos de crédito, qualidade, incremento do mercado interno de cafés especiais, valorização dos especiais brasileiros nos grandes compradores internacionais, novo código florestal, ... Muitos foram os acontecimentos que marcaram o ano de 2012 para o setor cafeiro nacional. E para 2013, quais os principais desafios? Por André Sanches Neto
Publicado por: Andre Sanches Neto
Publicado em: - 3 minutos de leitura
Material escrito por:
Andre Sanches Neto
Sócio na comercial-exportadora de cafés especiais Volcano Origin Coffees. Família produtora de café. Profissional de Marketing com Pós-Graduação em Análise Pluridisciplinar da Atividade de Trabalho. Ex-conteúdo do CaféPoint.
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