Brasil consumiu 16,33 milhões de sacas em 2006

O consumo de café no Brasil fechou o período entre Novembro/2005 e Outubro/2006 em 16,33 milhões de sacas, o que representa um crescimento de 5,10%, em relação ao período de Novembro/2004 a Outubro/2005, quando foram consumidas 15,53 milhões de sacas.

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Após um resultado aquém do esperado obtido em abril passado, o consumo de café no Brasil se recuperou, fechando o período entre Novembro/2005 e Outubro/2006 em 16,33 milhões de sacas, o que representa um crescimento de 5,1%, em relação ao período de Novembro/2004 a Outubro/2005, quando foram consumidas 15,53 milhões de sacas, de acordo com levantamentos realizados pela Área de Pesquisa da Abic - Associação Brasileira da Indústria de Café

Desde 2003, o consumo de café no Brasil evoluiu 19,2%, indo de 13,7 milhões para os atuais 16,33 milhões de sacas, numa taxa média anual de 6,03%. Nesse período o crescimento do consumo mundial ficou em 1,5% ao ano, segundo dados da Organização Internacional do Café, OIC.

"O mercado brasileiro ganha cada vez mais destaque, e já representa 14% da demanda mundial", comemora Guivan Bueno, presidente da Abic. "Os 16,33 milhões de sacas representam mais de 50% do consumo interno de todos os 57 países produtores de café, que é estimado pela OIC em 31 milhões de sacas/ano".

Razões do aumento do consumo

Para Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Abic, esse crescimento do mercado interno é resultado de um conjunto de fatores, a exemplo da melhoria contínua da qualidade do café oferecido aos consumidores, que foi ampliada com o PQC - Programa de Qualidade do Café, lançado pela entidade no final de 2004 e que, atualmente, já certifica mais de 160 marcas em todo o Brasil.

Ele também cita como fatores a consolidação do mercado de cafés tipo Gourmet ou Especiais, diferenciados e de alta qualidade; e a melhora muito significativa da percepção do café quanto aos aspectos dos benefícios para a saúde, como resultado dos grandes investimentos no Programa Café e Saúde, que todo o agronegócio apóia.

Além disso, de acordo com Herszkowicz, os investimentos em promoção e marketing têm sido fundamentais para assegurar o aumento do consumo de café. Em 2006, foram aplicados nessa área R$ 5 milhões em recursos do Funcafé - Fundo de Defesa da Cafeicultura, aos quais somaram-se contrapartidas privadas em valor superior a R$ 2,0 milhões e o Fundo Especial de Marketing da Abic, no valor de R$ 655 mil.

Meta de consumo interno para 2007: 17,4 milhões de sacas

A meta da Abic para o consumo interno em 2007 é de 17,4 milhões de sacas, o que implica num crescimento de 6,55%, que pode estar ameaçado pela menor oferta de matéria-prima, já que a safra brasileira está prevista, pela Conab, para entre 31,1 e 32,3 milhões.

A exportações brasileiras de café atingiram 27 milhões de sacas, em 2006, e a previsão do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, Cecafé, para 2007 é de 24,5 milhões.

"O volume industrializado em 2006 representou 38% da safra 2006/2007, quando foram colhidos 41,5 milhões de sacas. Nossa estimativa para 2007 é aumentar o consumo para 17,4 milhões de sacas, o que representará 52% da safra a ser colhida, estimada pela Conab em apenas 33 milhões de sacas", diz Guivan Bueno.

"A disponibilidade de café verde parece que não será suficiente para a demanda conjunta da exportação e do mercado interno porque, além do déficit potencial de 6 a 8 milhões de sacas na próxima safra, os estoques físicos brasileiros estão em nível baixo e os estoques oficiais de cafés antigos, de 1,9 milhão de sacas, serão inteiramente consumidos", acrescenta.

Majoração nos preços e recuperação do setor

Por conta do desequilíbrio entre oferta e demanda que deve levar à apreciação dos preços do grão cru no mercado mundial e no mercado físico brasileiro, a Abic estima que os preços do produto industrializado aumentem entre 20% e 25% para os consumidores, na média. Com isto, as vendas do setor podem alcançar R$ 7,0 bilhões em 2007, contra R$ 5,4 bilhões em 2006.

"Mas não podemos falar ainda em recuperação da rentabilidade do setor. Deve-se levar em conta que o preço do café aos consumidores evoluiu somente 17% entre Julho/1994, ano de implantação do Plano Real, e Dezembro/2006, contra uma variação da Cesta Básica Nacional de 135%", alerta Guivan Bueno, lembrando que o café representava 12% do custo da cesta básica em 1994 e seu valor relativo caiu para somente 5,7% em 2006.

"Esta perda de valor do produto está repercutindo muito fortemente no setor, que tem inúmeras pequenas empresas em situação critica. A evolução dos preços prevista para 2007 pode representar a salvação de uma boa parcela dessas empresas, quando não do setor como um todo, sem o risco de perda do consumo, uma vez que o preço do café para os consumidores encontra-se em nível muito pouco significativo", acrescenta.

21 milhões de sacas em 2010

Nos últimos três anos, o consumo interno brasileiro cresceu 9%, em 2004, 4%, em 2005 e, 5,1%, agora em 2006, donde se obtém um taxa média anual de 6%, no período. Apesar da necessidade de crescimento de consumo a uma taxa anual de 6,49%, para que seja atingida a meta de 21 milhões de sacas em 2010, quando o Brasil assumiria o posto de maior consumidor mundial, o presidente da Abic acredita que esta é plenamente alcançável.

"Não há o risco de não se alcançar a meta de ter em 2010 um mercado de 21 milhões de sacas, o que significa um crescimento de 6% ao ano, em média, ou 1,1 milhão de sacas a cada 12 meses", diz Guivan Bueno.

Este texto conta com informações enviadas pela Assessoria de Imprensa da Abic.
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Marcelo Nogueira Amorim
MARCELO NOGUEIRA AMORIM

ESPERA FELIZ - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 02/02/2007

Com essa tendência de aumento do consumo, nós produtores temos que saber vender a próxima safra, pois senão nem com aumento do consumo interno o preço reagirá.

Está na hora de ditarmos esse mercado tão "poluído ".