Brasil busca atender às exigências japonesas

As novas e mais restritivas regras japonesas sobre a presença de resíduos de agroquímicos, podem prejudicar as exportações brasileiras de café. Hoje o Japão é o quarto maior mercado do café brasileiro, atrás de Alemanha, Estados Unidos e Itália, respondendo por 10% da receita cambial obtida pelo Brasil no ano passado com exportações de US$ 233 milhões.

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As novas e mais restritivas regras japonesas sobre a presença de resíduos de agroquímicos, podem prejudicar as exportações brasileiras de café (vide notícia do Espaço CNC, de 9/6). Hoje o Japão é o quarto maior mercado do café brasileiro, atrás de Alemanha, Estados Unidos e Itália, respondendo por 10% da receita cambial obtida pelo Brasil no ano passado com exportações de US$ 233 milhões.
 
Segundo o assessor especial para assuntos da cafeicultura do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José de Paula Motta, a lista de restrição imposta pelo Japão, que começou a vigorar no dia 29 do mês passado, vale para o mundo inteiro. A restrição é mais ampla e atinge toda a agricultura e, segundo as regras, após três violações detectadas em um mesmo produto, as compras do país de origem serão canceladas.

A princípio, o Brasil está fazendo um levantamento para identificar resíduos no café produzido nas principais regiões produtoras: Sul de Minas, Cerrado mineiro e Alto Mogiana (SP). "Querendo respeitar os limites japoneses, por isso o Brasil está fazendo este levantamento", disse o assessor.

Para o café em grão foram proibidos resíduos de dois princípios ativos, o Azocyclotin e Cyhexatin. "Estamos extremamente preocupados com a situação, pois muitas dessas substâncias podem ter sido utilizadas na última safra", diz Maurício Miarelli, presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), em nota. 

Para o assessor do departamento técnico da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Thiago Masson, a questão não seria tão preocupante quanto à possibilidade de haver redução das exportações. "A priori, não vai impactar nas exportações, se fizermos o dever de casa", disse. "Até o primeiro momento, a restrição do Japão não é uma barreira, porque não impediram as nossas exportações, apenas impuseram uma modificação (nas regras existentes). Temos que nos enquadrar às novas regras", disse Masson. Por outro lado, Masson ressalta a imperiosidade da adequação às novas regras, visto que o Japão oferece os melhores preços para o café brasileiro. "Os japoneses aplicam um deságio em relação ao preço da Bolsa de Nova York muito menor que o obtido em outros países", disse.

Viviane Monteiro, para Gazeta Mercantil. Adaptado por Equipe CaféPoint
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