Boletim Carvalhaes: Trump concede isenções tarifárias a produtos agrícolas, mas Brasil fica de fora

Sem acordo com Washington, o café brasileiro perde competitividade, em momento marcado por exportações em queda e incertezas quanto à próxima safra

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O presidente dos Estados Unidos promulgou uma ordem executiva que concede isenções às tarifas sobre a importação de produtos agrícolas estratégicos, incluindo cacau e café. A medida, em vigor desde o último dia 8, altera a política tarifária norte-americana para parceiros considerados “alinhados” e quem mantém acordos comerciais com os EUA, informa o último Boletim Carvalhaes. Porém, o Brasil não se enquadra nessa decisão por não haver negociações efetivas entre os dois governos, diz o informe. 

“Trump reconhece a questão de que são recursos naturais não disponíveis nos EUA, mas não renunciou à necessidade de acordo com cada país. Isso complica para nós, pois não temos, até agora, sinalização de diálogo entre os dois governos, e nossos concorrentes já fizeram acordos ou estão avançando para fazê-los”, diz o boletim. 

Ainda de acordo com o Boletim Carvalhaes, estoques baixos e clima seco, que ampliam as preocupações sobre o volume da safra brasileira em 2026, resultaram em mais uma semana de fortes oscilações nas cotações do café. Na última quinta (11), o estado de SP enfrentou uma das tardes mais secas e quentes do ano. Na sexta (12), os contratos de arábica na ICE Futures US fecharam em forte alta, e os robustas na ICE Europe terminaram em alta moderada.

Na terça (9), o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) divulgou que o país exportou 3,1 milhões de sacas em agosto – queda de 17,5% em relação à agosto de 2024. “Chama a atenção que, no acumulado entre janeiro e o final de agosto deste ano, o total embarcado pelo Brasil foi de 25,323 milhões de sacas, recuando 20,9% na comparação com o volume exportado nos mesmos oito meses de 2024”, destacou o BC.

Contratos de arábica

Na sexta (12), os contratos de arábica com vencimento em dezembro próximo na ICE Futures US oscilaram 1.425 pontos entre a máxima e a mínima. Bateram US$ 3,9685 na máxima do dia, uma alta de 1.075 pontos. Na quinta (11), caíram 80 pontos e, na quarta (10), subiram 510. Em 2025, até o fechamento de sexta (12), os contratos para dezembro próximo somaram alta de 10.750 pontos.

Contratos de robusta

Na ICE Europe, os contratos de robusta para novembro próximo bateram, na máxima de sexta (12), US$ 4.654 por tonelada, alta de US$ 133. Fecharam o pregão valendo US$ 4.601, em alta de US$ 80. Na quinta (11), subiram US$ 44 e, na quarta (10), subiram US$ 106. Esses contratos para novembro próximo subiram US$ 1.484 por tonelada (44,6%).

Contratos futuros em R$

Em reais por saca, os contratos para setembro próximo na ICE Futures US encerraram a sexta (12) valendo R$ 2.810,60. Terminaram a sexta anterior (5) valendo R$ 2.675,45, e a sexta anterior a ela (29/8), R$ 2.769,19.

Mercado físico

Segundo o Boletim Carvalhaes, o mercado físico brasileiro teve mais uma semana com volume de vendas abaixo do usual para esta época do ano. As fortes e repentinas oscilações nas bolsas de Nova York e Londres continuam dificultando o fechamento de um volume maior de negócios, com poucos produtores dispostos a fechar negócios nas bases de preços oferecidas pelos compradores. Há interesse comprador para todos os padrões de café.

Embarques

Até quinta (11), os embarques de setembro estavam em 765.305 sacas de arábica, 121.299 sacas de conilon, mais 85.178 sacas de solúvel, totalizando 971.782 sacas embarcadas, contra 1.045.128 sacas no mesmo dia de agosto. 

Até o mesmo dia, os pedidos de emissão de certificado de origem para embarque em setembro totalizavam 1.496.423 sacas, contra 1.195.897 sacas no mesmo dia do mês anterior.

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