Boletim Carvalhaes: Não há alternativa para o grande volume de café importado do Brasil pelos EUA

Se impostas, tarifas irão prejudicar fortemente as exportações brasileiras para os EUA, maior consumidor do mundo e maior importador dos cafés do Brasil

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Após uma semana do anúncio pelo governo Trump de impor, a partir de 1º de agosto, tarifas de 50% sobre todas as exportações brasileiras para os EUA, o governo brasileiro ainda não conseguiu se organizar para negociar com os representantes americanos.

“Para se ter uma ideia da desorganização de nosso governo, circulou [na quinta (17)] que a embaixadora brasileira nos EUA está de férias”, informou o Boletim, que destacou que o Valor Econômico informou, em sua edição da última sexta (18), que há uma corrida de empresas do Brasil às bancas de advocacia em busca de medidas protetivas no caso da tarifa ser aplicada. 

No café, se as tarifas forem realmente impostas, irão prejudicar fortemente nossas exportações para os EUA, maior consumidor do mundo e maior importador dos cafés brasileiros. “Essas tarifas sobre os cafés do Brasil desorganizarão o mercado mundial de café. Não existe alternativa para o fornecimento do grande volume de café importado do Brasil pelos americanos”, escreveu. 

Os EUA consomem, atualmente, 24 milhões de sacas de 60 kg por ano. Em 2024, importaram 8,1 milhões de sacas do Brasil, maior produtor mundial e segundo maior consumidor. “A tentativa de comprar, em outras origens, um volume como o fornecido pelo Brasil, desorganizará e inflacionará ainda mais o mercado internacional de café”.

Um estudo realizado pela National Coffee Association (NCA), entidade que reúne as empresas americanas de industrialização e comércio de café, demonstra que 76% dos americanos consomem café, e que para cada dólar de café verde importado, são gerados US$ 43 na economia americana, que agregam US$ 343 bilhões na economia local e criam 2,2 milhões de empregos no país. “O café brasileiro produz muita riqueza nos EUA. A imposição de tarifas será um jogo onde só haverá perdedores”.

Contratos de arábica

Os contratos de arábica com vencimento em setembro próximo na ICE Futures US, em Nova York, oscilaram na sexta (18) 1.065 pontos entre a máxima e a mínima, e fecharam valendo US$ 3,0360, com queda de 360 pontos. Na quinta (17), caíram 125 pontos e, na quarta (16), subiram 1.110 pontos. Na semana passada, somaram alta de 1.710 pontos nesta semana. Na semana retrasada, caíram 310 pontos. Em 2025, até o fechamento desta sexta (18), os contratos para setembro próximo somam alta de 160 pontos.

Contratos de robusta

Na ICE Europe, os contratos de robusta para setembro próximo bateram, na máxima do dia, em US$ 3.407 por tonelada, alta de 95 dólares. Fecharam o pregão valendo US$ 3.348, alta de US$ 36. Na quinta (17), caíram US$ 115 e, na quarta (16), subiram US$ 19. 

Na terça-feira (15) perderam US$ 111 e, na segunda (14), subiram US$ 303. Somaram alta de US$ 132 na semana passada e queda de US$ 461 dólares na semana retrasada. Em 2025, desde o dia 28 de janeiro até sexta (18), os contratos de robusta para setembro próximo acumularam queda de US$ 1.996 por tonelada.

Contratos futuros em R$

Em reais por saca, os contratos para setembro próximo na ICE Futures US, fecharam a sexta (18), valendo R$ 2.244,15. Terminaram a sexta passada (11) valendo R$ 2.102,59 e, a sexta retrasada (4), à passada a R$ 2.077,84.

Mercado físico

As fortes e repentinas oscilações nas bolsas de Nova York e Londres continuam dificultando o fechamento de negócios no mercado físico brasileiro, com poucos produtores e compradores dispostos a fechar negócios. 

Nas últimas semanas, aos poucos, cresce o número de negócios fechados com lotes da nova safra 2025/2026. Há interesse comprador para todos os padrões de café. As vendas de conilon estão mais avançadas, com volume bem maior de negócios fechados.

Embarques e certificados de origem

Até a sexta (18), os embarques de julho estavam em 911.023 sacas de arábica, 223.717 sacas de conilon, mais 114.422 sacas de solúvel, totalizando 1.249.162 sacas embarcadas, contra 1.247.770 sacas no mesmo dia de junho. 

Até o mesmo dia 18, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em julho totalizavam 1.557.794 sacas, contra 1.517.636 sacas no mesmo dia do mês anterior.

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