De acordo com o Boletim Carvalhaes, as chuvas nas principais regiões produtoras do Brasil têm atrasado o avanço da colheita, enquanto os estoques seguem em níveis historicamente baixos tanto nos países produtores quanto consumidores. Além disso, a possibilidade de formação de um forte fenômeno El Niño no Oceano Pacífico aumenta as incertezas sobre a produção global de café, contribuindo para a alta das cotações. A movimentação também foi influenciada pela intensificação da rolagem dos contratos de arábica com vencimento em julho para setembro na bolsa norte-americana.
No comércio exterior, os dados divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que o país embarcou 3,09 milhões de sacas de 60 kg em maio, volume 3,6% superior ao registrado no mesmo mês de 2025, mas 2,29% inferior ao exportado em abril deste ano.
O desempenho do café arábica, porém, chama atenção pela retração. Em maio, foram exportadas 2,13 milhões de sacas da variedade, uma queda de 11,91% em comparação com maio de 2025 e de 6,71% frente ao mês anterior.
Nos cinco primeiros meses de 2026, os embarques de arábica totalizaram 11,13 milhões de sacas, representando uma redução de 21,34% em relação ao mesmo período do ano passado. Considerando o atual ano-safra, entre julho de 2025 e maio de 2026, o Brasil exportou 27,47 milhões de sacas de arábica, volume 16,75% inferior ao registrado no ciclo anterior.
O cenário reforça a percepção de oferta mais restrita no mercado internacional, fator que tem sustentado o movimento de valorização dos preços do café nas principais bolsas globais.
Contratos de arábica
Os contratos de arábica para julho próximo na ICE Futures US oscilaram 505 pontos entre a máxima e a mínima, batendo, na máxima de sexta (12), em US$ 2,5795 por libra peso, alta de 400 pontos. Na quinta (11) subiram 555 pontos e, na quarta (10), 400 pontos (1,64%). Somaram alta na semana passada de 1.070 pontos (4,34%). Esses contratos para julho próximo somaram queda no último mês de maio de 1.995 pontos (6,99%).
Contratos de robusta
Na ICE Europe, os contratos de robusta para julho próximo bateram, na máxima de sexta (12), em US$ 3.628 dólares, alta de US$ 165, e fecharam o pregão a US$ 3.594, alta de US$ 131 (3,78%). Na quinta (11) subiram US$ 109 (3,25%) e, na quarta (10), US$ 61 (1,85%). Somaram alta de US$ 278 (8,38%) na semana. No último mês de maio, somaram alta de US$ 115 (3,42%).
Contratos futuros em R$
Em reais por saca, os contratos para julho próximo na ICE Futures US fecharam valendo R$ 1.722,21. Encerraram a sexta anterior (5) a R$ 1.681,54 e a sexta anterior à passada (29) a R$ 1.772,14.
Estoques certificados
Os estoques de cafés arábicas certificados caíram na sexta (12) 550 sacas e estão em 398.940 sacas. Há um ano totalizavam 837.524 sacas, caindo, no período, 438.584 sacas. Esses estoques somaram queda na última semana de 20.564 sacas. Somaram queda no último mês de maio de 63.853 sacas. Em 2025, os estoques certificados pela ICE Futures US recuaram 53,76%, acumulando perdas de 526.812 sacas.
Mercado físico brasileiro
O mercado físico brasileiro de arábica permaneceu calmo por toda a semana, com poucos negócios fechados. Os cafeicultores que ainda têm lotes de café arábica da safra atual, 2025/2026, relutam em vender nas bases de preços praticadas pelos compradores, mas diariamente saem alguns negócios.
Embarques
Até dia 12, os embarques de junho estavam em 582.625 sacas de arábica, 163.403 sacas de conilon, mais 78.826 sacas de solúvel, totalizando 824.854 sacas embarcadas, contra 1.001.435 sacas no mesmo dia de maio. Até dia 12, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em junho, totalizavam 1.320.563 sacas, contra 1.340.861 sacas no mesmo dia do mês anterior.