Atraso na colheita pode prejudicar a próxima safra
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), por conta do atraso da colheita da safra 2008/09, as atividades no campo este ano devem se estender até o início de outubro. Com isso, parte das flores da próxima safra pode ser derrubada dos pés durante o processo de colheita, reduzindo ainda mais a produção no ano, que será de bienalidade baixa.
Publicado por: CaféPoint
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O atraso se deu em razão do clima seco anterior à florada, ocorrida no ano passado. Essa mesma estiagem também está provocando prejuízos à safra que está sendo colhida atualmente. Segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 8,51% dos cafezais já estão em formação.
A colheita atual é beneficiada pela bienalidade positiva do café, regularização das chuvas e pelos bons tratos culturais, como uso adequado de adubos, controle de pragas e sistemas de irrigação. Conforme o terceiro levantamento realizado pela Conab, a produção brasileira de café deverá atingir 45,85 milhões de sacas, 27,1% a mais que na safra anterior. O tipo arábica chega a 35,27 milhões de sacas e a variedade conilon a 10,58 milhões de sacas.
A região Sudeste vai produzir 38,51 milhões de sacas, o que corresponde a 84% do total nacional. Minas Gerais é o maior estado produtor, com 23,38 milhões de sacas, seguido pelo Espírito Santo (10,23 milhões de sacas) e São Paulo (4,6 milhões de sacas). Nas outras regiões, Bahia e Paraná somam juntos 4,62 milhões de sacas.
De acordo com informações de agrônomos das entidades representativas do setor produtivo ouvidos pelo Conselho Nacional do Café (CNC), entretanto, há a percepção de que ocorre uma queda no rendimento dos grãos do café na hora do beneficiamento por conta de fatores climáticos.
No Paraná, segundo o Cepea, foi observado um maior volume de café sem bebida entrando no mercado - as precipitações ocorridas no início de agosto, quando os grãos estavam sendo colhidos e estendidos em terreiros, depreciaram a qualidade. Além disso, a quantidade de grãos de peneira maior diminuiu nesta safra. Conforme os trabalhos de colheita avançam, expectativas anteriores de safras maiores que a divulgada pela Conab, de 50 ou até mesmo 55 milhões de sacas de café para este ano, vão sendo esquecidas.
Mesmo atrasada e com a qualidade comprometida, a safra avança. De modo geral, os trabalhos de campo já atingiram 70% das lavouras plantadas, em média, até o final de agosto, desse volume, porém, menos de 40% foram comercializados.
O Indicador de preço do Cepea/Esalq para o café arábica, tipo 6, bebida dura para melhor, teve média de R$ 248,86/sc em agosto, queda de 0,66% sobre o valor de julho. Segundo os pesquisadores do Cepea, os cafeicultores estão capitalizados e seguram a oferta, "no aguardo de preços maiores". A produção, no entanto, deve ser apertada para atender demanda interna e externa, considerando que as exportações nesta temporada permaneçam estáveis, em cerca de 28 milhões de sacas, e o consumo brasileiro totalize 18,1 milhões de sacas.
No mês de agosto, o mercado internacional de café foi de altas moderadas. Segundo o analista da Safras & Mercado, Gil Barabach, indicações de uma retração nos embarques de café de países da América Central e a chegada da temporada de furacões no Caribe constituem-se em fatores importantes de suporte aos preços. Somam-se ainda a esses aspectos altistas as preocupações de que o atraso na colheita no Brasil deve encavalar com a florada, causando prejuízos certos à safra 2009/10.
Exportações
Conforme divulgação do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), as exportações de café em agosto alcançaram 2.167.109 sacas, com receita 18,6% maior que em mesmo período do ano passado, de US$ 354,1 milhões. No acumulado janeiro/agosto, o país vendeu 17.069.969 sacas do produto, para uma receita de US$ 2.772.808. Embora em relação ao acumulado janeiro/agosto de 2007 tenha havido queda de 6% no volume exportado (em 2007 foram 18.161.236 sacas), a receita mostra que houve um incremento de 14,2% (em 2007, a receita foi de US$ 2.427.721).
É importante salientar que o aumento da receita não permaneceu com o produtor, que encontra-se diante de surpreendente escalada dos custos de produção e tem enfrentado grandes dificuldades na contratação de mão-de-obra, por conta da escassez de trabalhadores dispostos a concluir os trabalhos de panha. Clique aqui para saber o custo de produção em algumas das principais regiões produtoras de café do país.
Segundo o diretor geral do Conselho, Guilherme Braga, os preços mantém a tendência observada nos últimos anos de aumentos graduais e continuados e refletem, em última análise, a oferta mundial do produto, que há anos se mantém, sem apresentar excedente, e a demanda, que vem acusando um incremento no consumo em vários mercados. Já os preços refletem um bom equilíbrio entre a oferta mundial do produto e a demanda.
Houve uma variação positiva de 68,1% na venda de café conilon no período: enquanto no acumulado janeiro/agosto de 2007 foram exportadas 771.849 sacas de robusta/conilon, no mesmo período deste ano foram comercializadas 1.297.209 sacas. Braga explica que o aumento das exportações é resultado de uma situação particular que ocorre no Vietnã, maior produtor mundial desse tipo de café. "O Vietnã adotou medidas de controle da sua oferta, o que elevou os preços mundiais da variedade, posicionando o conilon brasileiro em níveis competitivos".
Com dados da Conab/Mapa e Cecafé, e informações do Diário do Comércio e Indústria de São Paulo e Agência Safras.
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