Análise hEDGEpoint: El Niño poderia continuar pressionando a arbitragem NY-LN?

hEDGEpoint analisa arbitragem NY-LN do ponto de vista do status ENSO, fenômeno único que oscila entre três fases: quente (El Niño), neutra e fria (La Niña)

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Este ano espera-se que o El Niño se torne ativo (quando o índice ONI ultrapassa 0,5°C, conforme mostrado no Gráfico #2) na possível ocorrência mais forte desde 2015/16. O fenômeno geralmente leva a um clima mais quente e seco na maioria das áreas produtoras de café durante as principais janelas de desenvolvimento – incluindo Brasil, Centrais e Vietnã.

Figura 1

“A resposta da arbitragem NY-LN depende da intensidade do evento, mas, via de regra, embora a tendência seja inversamente proporcional, a influência exclusiva do fenômeno na arbitragem pode ter chegado a um limite”, explica Natália Gandolphi, analista de Café hEDGEpoint Global Markets.

O Gráfico #1, de acordo com o novo relatório de café da companhia, mostra a relação entre o índice ONI e a arbitragem NY-LN. Atualmente, a arb já está em um nível mais baixo do que seria sugerido para o nível atual do ONI.

Figura 2

Atualmente na faixa de 40-50 c/lb, a influência do fenômeno sobre o aperto da arbitragem pode estar chegando ao fim. No último mês, a arbitragem ao longo da curva passou de uma diferença de 9%, em relação ao contrato de setembro de 2023, para 28%, na arbitragem do contrato de novembro/dezembro de 2024.

Neste momento, a arbitragem está a um nível de distribuição de frequências comum, ao contrário do preço observado em Londres. Com a preferência por opções mais baratas, aliada à queda na produção no Vietnã (22/23), a expectativa de redução no Brasil (23/24) e queda na Indonésia (23/24), o preço em Londres está em um dos percentis de frequência mais baixos desde 2008 – apesar de um valor padrão na arbitragem.

No Brasil, o spread entre arábica e conilon também aperta. Seguindo tanto as influências do mercado externo quanto a dinâmica de disponibilidade interna para 23/24, o spread entre as variedades ficou abaixo de R$ 200/sc. No entanto, o spread interno é menos suscetível ao fenômeno El Niño, pois também pode afetar áreas produtoras de arábica, destaca o relatório.

Em resumo

Com a chegada do inverno ao Brasil sem grandes riscos de geadas, o potencial da safra 24/25 pesa na curva futura. O desenvolvimento da safra 23/24 mostra indicadores mais positivos na Colômbia e no Vietnã, com índice de vegetação positivo, enquanto o quadro na América Central é mais incerto.

Na dinâmica NY-LN, o suporte gerado pelo El Niño pode se desgastar. Embora o fenômeno seja altista em geral, já que atrapalha a produção dos principais países produtores de café, os possíveis impactos sobre a safra brasileira 24/25 ainda não estão sendo precificados.

Também é importante ressaltar que, embora a relação entre o Índice ONI e a arbitragem NY-LN já se encontre testando os suportes mencionados, outros fatores fundamentais ainda podem influenciar a dinâmica entre as duas bolsas de referência. Em especial, o desenvolvimento da safra 23/24 nos países que colhem em outubro, apetite comprador nos destinos, e o inverno brasileiro.

Confira aqui o relatório completo.

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Equipe CaféPoint

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