O novo relatório da International Cocoa Organization (Organização Internacional do Cacau - ICCO) destaca que, diante do aumento dos custos de insumos, empresas do setor devem repassar parte dessa alta ao consumidor. O movimento pode elevar o faturamento em valores absolutos, mas reduzir o volume de vendas, já que o preço mais alto tende a restringir o consumo de itens não essenciais, como confeitos e chocolates.
A demanda global também sofre os impactos da incerteza econômica e das tensões comerciais. O relatório aponta que tarifas impostas entre grandes economias – com os Estados Unidos liderando esse movimento – geram instabilidade no mercado e podem afetar os hábitos de consumo.
Oferta africana cresce e supera expectativas
O avanço da produção de cacau nos países africanos aparece como um dos principais destaques do relatório. O levantamento da ICCO aponta que as cotações elevadas dos últimos anos estimularam novos investimentos nas lavouras, o que já se reflete na alta dos volumes embarcados.
Na Costa do Marfim, maior produtor global, os dados da LSEG indicam que, até 9 de março de 2025, as exportações atingiram 1,4 milhão de toneladas, um crescimento de 14,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Em Gana, os estoques já superam 550 mil toneladas, ultrapassando a produção total da safra 2023/24, que foi de 530 mil toneladas. Outros grandes exportadores também registram tendência de alta na oferta.
Inflação no setor pressiona grandes fabricantes
Se a produção avança, a demanda segue em trajetória oposta. Fabricantes de chocolate têm relatado dificuldades financeiras diante do cenário de insumos mais caros. A *Mondelez classificou a situação como uma "inflação sem precedentes nos custos do cacau", enquanto a Hershey prevê "pressão significativa sobre os lucros em 2025", segundo informação do site Comunicaffè International.
O repasse de custos ao consumidor deve intensificar um fenômeno já esperado: o deslocamento do consumo para produtos essenciais, reduzindo as vendas de confeitos e chocolates.
Oscilação nos preços e mercado de cacau sob pressão
A movimentação dos preços do cacau em fevereiro seguiu um comportamento distinto do ano anterior. Enquanto, em 2024, a oferta apertada levou o mercado ao modelo de backwardation (com preços à vista mais altos), este ano, o cenário mudou para contango (quando os preços futuros de um ativo são mais altos do que os preços à vista), refletindo maior disponibilidade da commodity.
O mês de março começou com preços elevados: em Londres, o cacau valeu US$ 10.747 por tonelada, enquanto em Nova York, alcançou US$ 10.952 por tonelada, embora ao longo da primeira semana de fevereiro, os preços tenham caído 9%. O principal fator para essa queda foi a combinação de um cenário de demanda fraca com boas condições climáticas na África Ocidental, que favoreceram a oferta.
Fonte: Comunicaffè International