Sistemas de condução do mato em cafezais: resultados de nove safras

Diversos trabalhos de pesquisa têm evidenciado perdas de produtividade dos cafeeiros pelo efeito do mato, com prejuízos de 30-40% sem o controle

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Diversos trabalhos de pesquisa têm evidenciado perdas de produtividade dos cafeeiros pelo efeito do mato, com prejuízos de 30-40% sem o controle. Apesar disso, ultimamente, alguns técnicos têm recomendado a manutenção de ervas de forma constante no manejo da entrelinha das lavouras, tentando aproveitar as vantagens do mato. 

Um estudo recente, com o objetivo de avaliar diferentes tipos de manejo do mato nas condições da Mogiana Paulista, foi conduzido na Fazenda Experimental da Fundação Procafé, em Franca (SP), no período de 2013 a 2025. O experimento foi instalado com delineamento e repetições conforme a metodologia científica em lavoura da variedade mundo novo 379/19, no espaçamento 3,5 x 0,70 m, plantada em fev/2013. Em dezembro do mesmo ano, foi iniciado o trabalho, mantendo uma faixa de 1 metro da linha do cafeeiro no limpo. Assim, o manejo foi aplicado somente na entrelinha, ou rua da lavoura. Os 6 tratamentos utilizados estão especificados na tabela 1. As ervas predominantes na área do ensaio eram: braquiária decumbens, picão preto, corda de viola e buva. 

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Tabela 1 - Produtividade em cafeeiros sob sistemas de controle do mato - média de 9 safras e produção em condição em novo ciclo de produção pós poda safra zero. Franca (SP), 2025

Figura 1

Inicialmente, foram avaliados o crescimento dos cafeeiros e o acompanhamento por análises de solo e de folhas. Mais importante foram as avaliações sobre a produtividade, através da colheita das plantas nas safras anuais. Foram avaliadas nove safras e, em seguida, foi aplicada uma poda de esqueletamento, zerando a safra de 2024, e colheu-se a safra de 2025, para verificar o efeito do mato e seus sistemas de controle nessa condição do pós-poda. 

Os resultados das avaliações da produtividade média das nove primeiras safras e da safra pós-poda estão colocados na tabela 1. A análise estatística dos dados de produtividade mostrou diferenças entre tratamentos de controle, apenas em alguns anos, principalmente nas duas primeiras safras, com superioridade para os tratamentos 1, 2 e 5. Porém, na média das nove safras, todos os sistemas de controle foram semelhantes, diferenciando-se apenas da testemunha, sem controle do mato, cujas plantas produziram cerca de 38% menos. 

Como na testemunha a erva dominante acabou sendo a braquiária decumbens, demonstra-se o cuidado que se deve ter com o manejo desse tipo de erva pelo seu elevado potencial de prejuízo sobre a produtividade dos cafeeiros. 

A análise da safra pós-poda mostra esse efeito da braquiária decumbens, pois mesmo com a sua roçada sucessiva, houve severo prejuízo, ficando o tratamento 4 semelhante ao tratamento 6 – este sem controle do mato. 

Concluiu-se que: 1) A falta de controle do mato em cafezais causa prejuízos severos (na faixa de 38%) na produtividade verificada na média de 9 safras; 2) As perdas com o mato são maiores nas safras iniciais; 3) Os tratamentos com herbicidas e com o manejo da braquiária ruziziensis se destacaram, especialmente, nas safras iniciais; 4) A simples roçada do mato comum não é eficiente, representando pequena perda de produtividade em relação aos demais sistemas de controle; 5) No longo prazo, os tipos de manejo se mostraram semelhantes sobre a produtividade da lavoura; 6) No pós-poda de esqueletamento, o sistema de uso da braquiária decumbens, mesmo roçada, representa perda produtiva dos cafeeiros.

Figura 2
Aspecto de cafeeiros das parcelas do ensaio. À esquerda, a testemunha (tratamento 6) e, à direita, herbicida de pré emergência (tratamento 1)

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Material escrito por:

José Braz Matiello

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