O sistema de poda safra zero em cafeeiros vem sendo muito usado nas lavouras de café arábica no Brasil. A técnica utiliza o tipo de poda de esqueletamento/desponte com o corte dos ramos laterais, zerando a frutificação no ano seguinte. A poda provoca a multiplicação dos ramos, o que resulta em alta safra no ciclo posterior.
Com o sistema safra zero, a safra fica concentrada, com colheita cheia a cada dois anos, havendo redução dos custos de produção. Além disso, tem sido observado que o sistema, reduzindo a área de copa da planta, dando melhor equilíbrio do sistema radicular com a parte aérea, melhora a tolerância dos cafeeiros a déficits hídricos.
A presente nota técnica objetiva relatar uma nova vantagem do sistema safra zero: a de reduzir o ataque da broca dos frutos.
Na safra de café atual (2024), foram feitas observações em lavouras na zona de montanha do Espírito Santo, em talhões vizinhos, uns com poda aplicada há dois anos, outros não. Nessas áreas, ao se amostrar os frutos para verificação da infestação de broca, ficou nítida a grande diferença de ataque, com a área podada praticamente sem infestação, enquanto que, na área vizinha, verificou-se infestações superiores a 20% dos frutos.
A nova constatação de baixo ataque aqui relatada pode ser explicada pela eliminação da frutificação pela poda anterior, ficando o talhão podado sem a multiplicação dos insetos, ou seja, sem população suficiente para o ataque no ano da safra. Também influi para a redução do ataque a abertura da área pela poda, condicionando um ambiente menos úmido e sombrio, desfavorável à evolução da broca.
Conclui-se, portanto, que o sistema de poda safra zero reduz, grandemente, o ataque de broca e, assim, o monitoramento e o controle nessas áreas devem considerar esse aspecto de baixa infestação.
Lavoura de café no ano de safra alta, em 2024, podada por esqueletamento em 2022, um dos talhões onde foi feita a observação da infestação de broca nos frutos - Santa Maria do Araguaia (ES), fev/24
Detalhe da infestação nos frutos amostrados, sendo, à esquerda, de plantas que vieram de safra zero, sem infestação, e, à direita, do talhão sem poda, este com frutos já bem infestados, inclusive com alguns já parasitados pela Beauveria