A cafeicultura de montanha tem grande importância no Brasil, pois ocupa mais de 650 mil ha de lavouras, sendo responsável por safras anuais de 14 a 16 milhões de sacas de café. Além do aspecto econômico, gerando renda para as propriedades e para as regiões, ela utiliza áreas declivosas, com poucas opções agrícolas.
Justamente pela topografia desfavorável dos terrenos, as lavouras de café nas montanhas utilizam, predominantemente, tratos manuais, o que onera os custos de produção. Na implantação de cafezais, o preparo usual tradicional consiste na abertura de covas para plantio, com utilização de enxadões ou de perfuratrizes motorizadas, de operação manual. Esse sistema tem baixo rendimento e exige muita mão-de-obra.
Um sistema novo, que permite preparar o sulco de plantio de café em terrenos declivosos, foi desenvolvido e vem sendo aperfeiçoado. Ele é realizado em quatro etapas. Primeiro são marcadas as linhas, onde vai ser feito o plantio. Para isso, usa-se um filete de calcário, distribuído em linhas sobre o terreno, acompanhando o nível ou contra o desnível, observando o espaçamento desejado entre elas.
Com as linhas marcadas, entra o trabalho de uma escavadeira de esteira de porte grande, munida de concha ou hastes subsoladoras especiais. Ela caminha morro abaixo ou morro acima, e vai abrindo, lateralmente, pequenas porções de sulcos, uns 5 metros em cada linha, coincidindo com o risco de calcário.
Com o uso da concha fica um sulco meio aberto, pois a terra escorre e tapa parcialmente o sulco. Com três hastes subsoladoras, no lugar da concha, o trabalho fica melhor, pois afofa o terreno de forma mais profunda e deixa uma faixa mais larga preparada. O rendimento do maquinário depende da declividade, sendo que ele pode operar em área com até mais de 100% de declive. Na área avaliada, em Marechal Floriano, para sulcar cerca de 4,5 ha, foram gastas 44 horas da escavadeira. Nessa área, no espaçamento de 3x0,5m, serão plantadas cerca de 30 mil mudas. Deste modo, o rendimento nessa área, bastante declivosa, foi de sulcar para o equivalente a cerca de 600 plantas por hora.
A terceira etapa consiste em distribuir os adubos e corretivos sobre o sulco. Normalmente vai o calcário, um adubo fosfatado e, pode ir também, um orgânico.
Finalmente a quarta etapa, onde se utiliza de um tratorito, um pequeno moto-cultivador (ver ilustração), que, com sua rotativa, vai se deslocando sobre o sulco, misturando e incorporando os adubos com a terra, à cerca de 20 cm de profundidade.
Sobre esse sulco preparado, é feito o plantio das mudas, que fica pouco mais profundo. Isso facilita o acúmulo de água das chuvas e melhora o pegamento e desenvolvimento das plantas.
A escavadeira de esteira, com três garfos no lugar da concha, no movimento de abertura do sulco. Normalmente passa duas vezes no mesmo local
Passando o tratorito sobre o calcário e adubos, distribuídos sobre o sulco, para sua mistura e incorporação na terra