Ervas daninhas resistentes a herbicidas estão dominando as lavouras de café

O controle químico das ervas, de forma continuada, especialmente pelo uso de produtos à base de glifosato, resultou na seleção de ervas resistentes

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As ervas daninhas resistentes a herbicidas vêm, gradualmente, dominando as áreas de lavouras de café. 

O sistema de controle do mato em cafezais mais usado nas últimas décadas tem sido através do emprego de herbicidas, que se mostravam eficientes e econômicos. Esse sistema de controle químico das ervas, de forma continuada, especialmente pelo uso de produtos à base de glifosato, resultou na seleção de ervas resistentes. 

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As espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas vêm aumentando e, na lavoura de café, as que se mostram mais problemáticas são: a buva, o capim gengibre ou amargoso e o capim pé-de-galinha. 

A presença em grande escala de ervas resistentes em cafezais traz complicações e exige a adoção de manejo diferenciado para seu controle. Cada caso deve ser analisado, verificando quais as ervas presentes, o tipo e estágio da lavoura e as condições de mecanização. 

Na presença de buva, onde for possível (sem certificação) pode-se usar mistura do glifosato com 2,4-D. Onde não puder usar o 2,4-D, pode-se utilizar, de preferência com as plantas de buva ainda jovens, o herbicida Heat. Para o capim amargoso, pode-se usar mistura com herbicida à base de chletodin – este em dose mais alta e sempre com óleo, como adjuvante. Para o capim pé-de-galinha, pode ser experimentada uma maior dose de glifosato ou o mesmo com o chletodin. Sempre deve-se usar esses herbicidas com ervas no estágio mais jovem. Existindo ervas mais velhas, o ideal é passar, previamente, uma trincha ou carpideira, ou mesmo roçada bem baixa e na rebrota, ainda jovem, usar os herbicidas. A trincha ou carpideira já mata uma boa parte das ervas. 

Outras opções de manejo das ervas resistentes são possíveis, como a utilização de outros grupos de herbicidas disponíveis, o uso, em maior escala, de herbicidas em pré-emergência, e o emprego de métodos de capina mecânica em maior intensidade. 

Figura 1
Infestação severa de buva em lavoura de café na região Sul de Minas (acima) e falha de controle com o uso de glifosato, que controlou as demais ervas e só sobrou a buva (direita)

Figura 2Infestação de capim gengibre ou amargoso, que remanesceu depois da aplicação de glifosato, indicando sua resistência (esq.), e capim pé-de-galinha, que queimou parcialmente suas folhas após aplicação de glifosato e vai rebrotar (dir.). Também algumas plantas de buva resistentes (dir.)

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Material escrito por:

José Braz Matiello

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Júlio Trasferetti
JÚLIO TRASFERETTI

INDAIATUBA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 11/05/2024

É triste ver a recomendação de mais agrotóxicos, quando chegamos ao ponto de resistência das ervas "daninhas" (o que já se sabia antigamente). A solução: mais agrotóxicos? Deixar as ervas "daninhas" mais resistentes? Condicionar todo um ecossistema de solos, animais e seres-humanos a mais veneno?
E outras técnicas?