É impraticável o uso de monitoramento de índices de infecção para controle da ferrugem do cafeeiro

O uso de índices de folhas infectadas como base para o controle da ferrugem do cafeeiro tem sido demonstrado ineficiente em diversos trabalhos de pesquisa

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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O uso de índices de folhas infectadas como base para o controle da ferrugem do cafeeiro tem sido demonstrado ineficiente em diversos trabalhos de pesquisa. Por isso, não tem sido adotado, na prática, o monitoramento da doença visando à indicação dos tratamentos fungicidas.

Para o manejo e controle de pragas e doenças de plantas, o acompanhamento da sua evolução através de amostragens é uma ferramenta muito útil para racionalizar o uso de defensivos, visando seu emprego apenas quando necessário, nas condições de evitar danos econômicos.

Na cultura do café, tem sido usados índices de ataque para sinalizar o início de controle da broca dos frutos e para o bicho mineiro, embora sempre considerando as condições ambientais, a problemática de cada região e as características dos produtos inseticidas utilizados.

Para as doenças do cafeeiro, em especial para a ferrugem, foram feitas diversas tentativas de definição de índices iniciais de controle, baseados em percentagem de folhas infectadas, e foram estudadas alternativas de uso de variáveis climáticas para sinalização do início de controle. No entanto, conforme já afirmado anteriormente, os estudos, até o momento, não mostraram resultados positivos.

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As principais razões para as dificuldades na utilização de índices de infecção pela ferrugem, em folhas de cafeeiros, como indicadores para a aplicação de fungicidas, são as seguintes:

1- A infecção que é observada visualmente pela presença de pústulas nas folhas quase sempre não é a real, pois, como o período de incubação do fungo é longo (30-60 dias), a infecção já existente internamente nas folhas ainda não aparece na forma de pústulas, externamente.

2- Os fungicidas utilizados, mesmo os sistêmicos (triazóis), não apresentam bom efeito curativo na atualidade, com problemas crescentes de resistência do fungo a eles. Assim, as formulações mais comuns, envolvendo triazóis mais estrobilurinas, tem sido indicadas de forma mais preventiva, com baixos índices de infecção e com recomendações de épocas baseadas em calendário.

3- A indicação de produtos e épocas de tratamento fungicida são comuns, para a ferrugem e a cercosporiose, então não seria adequado separar sistemas que priorizem uma doença, em detrimento da outra.

4- A evolução da ferrugem e, também, da cercosporiose está muito ligada à susceptibilidade da planta, vinculada à carga pendente e relacionada com a época de granação dos frutos, quando as reservas são transferidas das folhas para eles e, assim, as folhas ficando mais susceptíveis à infecção. Esse período é bem conhecido e dependente da época de floração.

5- Por último, a existência de vasta experiência da pesquisa e da prática já definiu bem a época de controle, com aplicações em curto período, de novembro-dezembro a março-abril, onde coincidem as condições adequadas de clima (temperatura e umidade), de susceptibilidade dos cafeeiros e de disponibilidade de inóculo da ferrugem, coincidindo, também, o controle da cercosporiose e, ainda, o período de aplicação de micronutrientes, assim integrando controles e correções de forma bem eficiente e econômica.

Na tabela 1 pode-se observar um exemplo de resultados de pesquisa com uso de índices de infecção em relação às épocas de aplicações de fungicidas em comparação com épocas conforme calendário. Verifica-se que na época de ocorrência da ferrugem e de susceptibilidade das plantas (de nov/dez a abril), o emprego de três aplicações se mostra eficiente, independentemente do índice de infecção. Apenas no caso de uso de dose muito elevada do produto, embora fora do registro, é possível usar duas aplicações. Verifica-se que, em todas as situações da doença, a proteção com fungicidas no período final do controle é mais importante do que o seu início.

Figura 1
Tabela 1- Especificação dos tratamentos do ensaio de índices de infecção no controle da ferrugem do cafeeiro, com épocas e doses de aplicação e índices de infecção e desfolha observados no pico da enfermidade. Varginha (MG), 2016

Figura 2
A ferrugem e a cercosporiose em cafeeiros são doenças que ocorrem e tem o controle praticado no mesmo período, assim, devem ser tratadas em conjunto

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Material escrito por:

José Braz Matiello

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