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Com bom nível no solo, potássio pode ser dispensado na adubação do cafeeiro

POR JOSÉ BRAZ MATIELLO

FOLHA PROCAFÉ

EM 10/11/2020

3 MIN DE LEITURA

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O potássio é o segundo nutriente mais requerido pelo cafeeiro, só superado pelo nitrogênio. Por isso, seu uso na adubação tem sido realizado através de fórmulas ricas em K2O, como é comum a 20-05-20, em aplicações anuais sucessivas. Talvez por receio ou por falta de informação, boa parte dos técnicos não considera a disponibilidade de K no solo para ajuste dos níveis na adubação potássica a ser utilizada em cada lavoura.

É bem conhecida a característica do potássio de ficar retido nas cargas do solo e, portanto, armazenado e disponível para as plantas. Por esta razão, a avaliação desta disponibilidade, mediante a análise química, é importante para a indicação adequada na adubação com esse nutriente.

As pesquisas realizadas com diferentes níveis de K aplicados em cafeeiros tem mostrado falta de resposta e até respostas negativas na produtividade, quando o uso de doses de K2O é além daquelas adequadas. Resultados de alguns ensaios mais antigos sobre o efeito de doses podem ser observados nas tabelas 1 e 2 e, recentemente, novo trabalho foi realizado para adicionar mais informações sobre o uso de potássio em lavouras cujo solo já acumula bons níveis de K.

Na tabela 1, pode-se verificar que a produtividade dos cafeeiros aumentou entre as doses de zero a 200 kg de K2O por ha e se manteve, sem aumento, para a dose de 400 kg, onde os teores de K no solo já estavam acima de 138 mg/dm3 . Na tabela 2, observa-se que nos três níveis de K aplicados, onde o teor do nutriente estava muito alto no solo, acima de 198 ppm, a produtividade, ao invés de aumentar, diminuiu provavelmente por desequilíbrio.

Tabela 1 - Produção média (em sacas/ha, em seis safras (1982-1987)) e teores de K no solo em cafeeiros sob 4 níveis de K20 – Três Pontas (MG), 1987 – catuaí, espaçamento 2 x 1m

Tabela 2 - Produção de café na primeira safra útil após as adubações e teores de K no solo em ensaio de doses de K2O – M. Soares (MG), 2004

Visando dar mais subsídios para a recomendação de adubação potássica, considerando os níveis encontrados em análise de solo, recentemente foi instalado ensaio na Fazenda Experimental Varginha, onde o solo apresentava os parâmetros de fertilidade conforme tabela 3.

Foi escolhido para o ensaio, propositadamente, um talhão de cafeeiros da variedade acauã, no espaçamento de 3,5 x 0,5 m, com 8 anos de idade, que vinha recebendo adubações potássicas usuais, assim apresentava solo com nível alto de potássio, correspondente a 232 ppm ou 6,55% da CTC (tab 3). Foram testadas uma dose baixa de N e uma dose alta, esta isolada ou em combinação com potássio.

Os resultados obtidos na safra estão colocados ao lado dos tratamentos na tabela 4. Verifica-se que a combinação de 300 kg de N e 300 kg de K2O por ha não provocou aumento de produtividade em relação à aplicação exclusiva do N. Assim, conclui-se que em caso de níveis adequados de K no solo, pode ser dispensada a adubação potássica.

Tabela 3 - Caracterização química do solo antes da aplicação dos tratamentos. Fazenda Experimental de Varginha (MG), 2019

Tabela 4 - Produtividade na safra em 2020, com níveis de adubação nitrogenada exclusiva e combinada com potássio em lavoura com alto teor de potássio no solo. Fazenda Experimental, Varginha (MG), 2020


Nas três fotos podem ser observados os aspectos das plantas depois da colheita no ensaio (também depois de stress hídrico). Fotos em out/2020. A parcela de cafeeiros da dose baixa de N, apesar da menor produção, saiu mais sentida. Já na dose alta de N, com ou sem K, não se observa diferença entre essas duas

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