Uma semana para não esquecer

Rodrigo Costa aponta que tecnicamente os contratos futuros do café em Nova York precisam se manter acima de US$ 106.00 centavos por libra peso, caso contrário podem testar 101.40 e depois a mínima do ano, 99.70

Publicado por: CaféPoint

Publicado em: - 2 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Por Rodrigo Costa*

A semana de 20 a 24 de abril deu duras lições com o contrato para entrega de maio do petróleo WTI inicialmente caindo 50% para, no fim do pregão da segunda-feira, perder 200%!

Isso mesmo, não se pode mais dizer que algo não pode perder mais do que cem porcento, haja visto que o barril de petróleo chegou ser negociado a - 40 dólares para o contrato mencionado acima, ou seja, o vendedor pagou para o comprador receber o produto.

O principal fator para isto acontecer foi a falta de espaço para armazenar o “ouro negro” dada a vertiginosa queda da demanda frente ao isolamento social forçado pela covid-19.

Continua depois da publicidade

Na terça-feira (21) o contrato de junho cedeu 40%, refletindo também a rolagem de produtos indexados (como ETFs e ETNs) para outros meses futuros na tentativa de diminuir a exposição dos investidores a vencimentos curtos e uma eventual “quebra” de alguns destes fundos.

Gestores de risco foram forçados a reduzir suas exposições across the board e a curta onda esperançosa de otimismo foi (brevemente?) interrompida, levando o mercado acionário para baixo, na semana, e empurrando o CRB, no dia 21 de abril, para o menor patamar da história.

A cesta de commodities recuperou a maior parte das perdas nos dias seguintes, mas o café na sexta-feira tomou um tombo empurrado pela desvalorização do Real, com o câmbio atingindo R$ 5,7475 – nova mínima nominal. A moeda brasileira sofre influências negativas de todos os lados.

Como se já não bastasse o cenário econômico frágil por conta da pandemia, há também as constantes crises políticas prejudicando o andamento do governo. Por outro lado, Bolsonaro parece estar se aproximando (para o bem ou para o mal) das forças as quais ele era ferrenho crítico anteriormente – buscando governabilidade?

O começo da colheita no Brasil e uma moeda fraca fizeram os diferenciais de reposição abrirem mais e não demorou para os descontos serem repassados aos compradores internacionais. A demanda externa, entretanto, ainda tem se concentrado no curto-prazo, atendendo as reposições de estoques usados para abastecer os supermercados no destino.

Para o segundo semestre do ano, o tom é de cautela por parte da indústria, haja vista as incertezas do comportamento do consumo diante de um cenário onde o desaparecimento pode diminuir significativamente, segundo os mais pessimistas, ou ter um “crescimento nulo” – o último sendo o que no momento acredito ser o mais prudente considerarmos.

Bastante relevante para acompanharmos será a mudança do perfil das qualidades utilizadas ao consumidor, o qual pode eventualmente buscar alternativas mais baratas e assim beneficiar os cafés menos finos e o canéfora, em geral.

Londres não tem refletido ainda uma procura maior e assim o contrato de café negociado naquela bolsa foi buscar níveis que não víamos desde 2006. A entrada da safra do canéfora (conilon) pode ser responsável por isto, pois o terminal pode ser o maior “tomador” do excedente exportável depois dos problemas vividos no ano passado.

Os estoques certificados do “C” mantem a trajetória de queda estando agora em 1.8 milhões de sacas, mas os embarques brasileiros se mantendo acima de 3 milhões de sacas em abril e maio, e a perspectiva do aumento das exportações com o avançar da colheita, podem diminuir o ritmo da utilização e fazer a estrutura alargar novamente.

Tecnicamente Nova York precisa se manter acima de US$ 106.00 centavos por libra peso, caso contrário pode testar 101.40 e depois a mínima do ano, 99.70.

Uma ótima semana a todos com muita saúde.

*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto CaféPoint

CaféPoint

O CaféPoint é o portal da cafeicultura no Brasil. Contém análises de mercado, perspectivas, cotações, notícias e espaço para interação dos leitores, além de artigos técnicos que abordam produção, industrialização e consumo de café. Acesse!

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.