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Stops atingidos. E agora?

ESPAÇO ABERTO

EM 05/04/2021

6 MIN DE LEITURA

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Por Marcelo Fraga*

Como falamos há duas semanas setembro/2021 fechou a 132,95, em cima da média móvel dos 50 dias e 132,80 centavos de dólar por libra-peso, ao romper esse importante suporte será possível buscar o próximo entre 129,40 e 124,30 centavos de dólar por libra peso. Nos próximos 45-60 dias o mercado estará nas mãos dos fundos, consolidando, “2 pra lá, 2 pra cá” e na espera do inverno.

Fundos!! Ahh os fundos! Semana passada os stops de venda foram acionados e o mercado caiu -780 pontos. A segunda-feira (29/03) caiu apenas 145 pontos, com baixo volume negociado (29.300 contratos) e fechando em 131,00 centavos de dólar por libra-peso. Nos outros 3 dias da semana o volume diário praticamente dobrou negociando 64.400/69.600 e 55.600 lotes e fechando em 126,60/127,30 e 124,75 centavos de dólar por libra-peso. Os números oficiais do CFTC já saíram e os fundos novamente reduziram a posição comprada vendendo aproximadamente -6.000 lotes e seguem comprados em “apenas” 12.000 lotes.

O Real voltou a oscilar, entre R$/US$ 5,80-5,63, e não foi esse o motivo para o mercado “derreter”. Na noite da quarta para quinta-feira ocorreram fortes chuvas no Estado do Espírito Santo, com granizo em algumas áreas e consequente prejuízo nas propriedades. Para a próxima semana a previsão segue com chuvas pontuais.

Mercado físico spot e vendas para entrega futura (julho/dez-2022 e julho/dez-2023) estão praticamente parados. No mercado spot os produtores (que ainda possuem estoque disponível) aguardam por preços acima dos 900/1.000 R$/saca. Para vendas futuras, como já tem muita quantidade vendida, compromissos assumidos, produtores seguem reticentes, aguardando o início da colheita e os resultados tão aguardados. Do lado comprador os preços ofertados reduziram em função da queda do mercado em Nova Iorque e Londres e os diferenciais voltaram a fechar para tentar atrair os vendedores.

A colheita do canéfora no Brasil começa neste mês de abril com maior intensidade e a do arábica a partir de maio. Até lá, o mercado continua buscando motivos para seguir a dança dos “2 pra lá 2 pra cá”. E todos de olho em qual será o próximo movimento dos fundos.

Para setembro/2021, se os fundos/algoritmos dispararem novos stops e forçarem os preços a trabalhar abaixo do importante suporte dos 124,50 centavos de dólar por libra-peso, com apetite e força para irem “vendidos” num mercado prestes a entrar em um período de inverno rigoroso, poderemos ver o mercado cair mais 900 pontos e testar os 111.00 centavos de dólar por libra-peso (cenário possível, mas não acreditamos ser provável em acontecer).

Por outro lado, seguimos construtivos e acreditamos que os fundos irão voltar a comprar, construir uma nova tendência de alta buscando romper as resistências dos 130/133 e finalmente dos 140 centavos de dólar por libra-peso. Nestes novos movimentos não vemos venda de origem dando forças para um novo movimento de baixa, e da mesma forma não enxergamos volume de vendas para segurar o mercado caso stops de compra sejam acionados.

Os sinais positivos para o médio prazo seguem com o avanço da vacinação nos Estados Unidos (previsão da população estar toda vacinada até final de junho) e o novo pacote de estímulos econômicos anunciado pelo país na última quarta-feira (31/03) com reflexos em todas as principais economias mundiais (injetando mais 2 trilhões de dólares na economia americana focando investimentos na infraestrutura local). Na Europa a vacinação continua e segue o otimismo para que esse verão europeu não seja mais perdido, com as viagens/consumo voltando ao normal (porém a França voltou a anunciar novo lockdown por mais 30 dias).

As dúvidas e a grandes questões no mercado continuam sendo as seguintes:

- Qual o real estoque de passagem global referente 30 de abril 2020? 

- Qual o tamanho real da safra brasileira 2021/2022 (entre 60-75 milhões de sacas)? E a safra 2022/2023 será de quanto (estimada entre 43-57 milhões de sacas)?

- Qual o consumo mundial real durante os últimos 12 meses (segundo algumas pesquisas divulgadas nessa semana houve aumento do consumo doméstico nos Estados Unidos e Europa. Esse aumento de consumo, nos países ricos, foi suficiente para compensar a redução do consumo nos cafés/restaurantes/hotéis/aviões ao redor do mundo?);

- Qual o consumo real nos demais países consumidores? Houve redução ou crescimento na demanda? E qual será o aumento da demanda para os próximos 6-18 meses? Haverá aumento real nos países mais pobres ou a crise econômica/desemprego irá afetar o consumo de café nesses países?

- O aumento das exportações brasileiras nos últimos 6 meses reflete o aumento real do consumo? Alguns alegam que as exportações brasileiras seguiram fortes entre out-20-março-21, e, que isso significa aumento da demanda! Ora, esses compromissos de “compra e venda” e os compromissos logísticos foram assumidos antes da pandemia começar, e todos estes compromissos precisam e estão sendo honrados para evitar “quebras de contratos/inadimplências.

- Todo esse café exportado, não só pelo Brasil, mas também por outras origens (como Vietnam, América Central, Colômbia, Ruanda, Uganda dentre outros) vem sendo processados ou apenas estocados nos destinos? Estão encontrando compradores ou apenas sendo depositados contra os estoques certificados nas Bolsas de Nova Iorque e Londres e/ou nos portos de destino?   

- Como será o inverno brasileiro? Teremos geadas? Vamos ter nova redução na safra?

- As chuvas necessárias entre set-dez-2021 vão voltar? As lavouras vão conseguir se recuperar?

Seguimos cautelosos com as seguintes visões para o curto prazo e para o médio/longo prazo: Para o curto prazo, para a safra em andamento 2021/2022: seguimos com a sugestão da compra de proteção contra a alta no setembro/2021 através da compra de “Calls” strike 150/160, ou através da compra da “Call-Spread” strike +150/-190. Nesse caso, como já temos muitas vendas comprometidas, o risco que vemos será no caso de o inverno ser muito rigoroso e geadas venham a ocorrer destruindo e reduzindo ainda mais a produção brasileira. Geadas ocorrendo agora irão prejudicar a produção para as próximas safras.

Tivemos aumento em tudo no Brasil nos últimos 12 meses e o custo de produção dos produtores aumentou significativamente. Porém, o que dita a regra dos preços ainda é a da “oferta e demanda”. Se a safra brasileira não sofrer com geadas, se as chuvas voltarem ao normal, e a próxima safra 2022/2023 e 2023/2024 conseguirem se recuperar e voltarem a ser acima dos 70 milhões de sacas (e as safras nas outras origens também se recuperarem e os números de oferta mundial forem normais), então para o setembro/2022 acreditamos em preços novamente próximos dos 110/100 centavos de dólar por libra-peso.

Recomendamos para o setembro/2022 a compra da “Put-Spread” +135/-110 e a venda da “Call-Spread” -160/+190. Desta forma o produtor garantirá uma remuneração ao redor dos 790 R$/saca (cobrindo os novos custos de produção), e poderá maximizar os resultados se protegendo contra eventual alta nos livros caso o pior cenário venha a ocorrer, podendo vir a vender ao redor dos 900 R$/saca.

Como sempre, sejam prudentes! Cuidado com os acumuladores, as estruturas que “aparecem/desaparecem/dobram”.  Não coloquem riscos desnecessários nos seus livros!

*Marcelo Fraga Moreira escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting.

_____

** “Call” = opção de Compra

** “Put” = opção de Venda

** “Compra Call-Spread” = compra e venda simultânea de 2 Opções de Compra comprando a Opção com preço de exercício mais baixo vendendo a Opção com preço de exercício mais alto);

** “Venda Call-Spread” = venda e compra simultânea 2 Opções de Compra vendendo a Opção com preço de exercício mais alto e comprando a Opção com preço de exercício mais baixo);

** “Compra Put-Spread” = compra e venda simultânea 2 Opções de Venda comprando a Opção com preço de exercício mais alto e vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo);

** “Venda Put-Spread” = venda e compra simultânea 2 Opções de Venda vendendo a Opção com preço de exercício mais alto e comprando a Opção com preço de exercício mais baixo);

** “CFTC” = Commodity Futures Trading Commission – agência independente do governo dos Estados Unidos que regula os mercados de futuros e opções das commodities;

As informações são da Archer Consulting

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