Existe um grande equívoco em taxar os blends de café robusta/conilon com café arábica como causadores dos problemas do café arábica. À primeira vista, pode-se pensar que sim. Se acrescento 30% de robusta/conilon ao café arábica, é menos 30% de café arábica que deixará de ser consumido. Tornam-se, portanto, concorrentes. Mas a coisa não funciona desta forma. Quando o café robusta/conilon participa no blend, há um aumento do consumo de café, fato evidenciado em todo o mundo. Assim, a redução do café arábica é recompensada pelo aumento do consumo do blend. Isto se deve a dois fatores: primeiro, há uma preferência dos consumidores pelos blends e segundo, pela redução do preço final do produto.
Alguns dizem que se não fossem os blends, estaríamos consumindo, hoje, menos café. Com certeza, a situação atual seria bem pior. Concluímos que os problemas de alguns produtores de arábica não são os blends de café robusta/conilon, e sim a sua baixa produtividade, cujas causas todos conhecem.
A preferência dos consumidores e a redução dos preços do café no supermercado, após o aumento de robusta/conilon nos blends, mudaram a forma de beber café no Brasil. Que o digam os recebedores da bolsa família do Governo Federal. O café passou a ser a principal fonte de alimento (desjejum) para a grande maioria dos brasileiros. Na realidade, para essa grande massa consumidora de café, existem dois tipos de café, o forte e o fraco, bebidos com muito ou com pouco açúcar. Agora, se este tem 10% ou 50% de café robusta/conilon no blend, pouco importa. Eles optaram pelo café que mais agrada o seu paladar, o que alimenta e o mais barato.
Recentemente, estive discutindo a polêmica dos blends com um importante representante do café arábica. Segundo ele, uma das alternativas para aumentar o consumo de café no Brasil, seria aumentar a produção de robusta/conilon de qualidade. Todos ganham com esse aumento de consumo. Os blends, na realidade, tornaram-se a solução da nossa cafeicultura.
O sucesso da rotulação vai depender da qualidade do café usado para fazer o TM, não importando a porcentagem de café arábica ou de café robusta/conilon presentes no TM. Neste contexto, o conilon ganha do arábica porque é muito mais fácil e barato fazer um café conilon de qualidade. Produzir café arábica de qualidade é difícil, caro, e quase sempre o clima não ajuda.
Vantagens do café conilon para se fazer um café de qualidade:
• colheita no pano é uma prática comum.
• pode ser colhido quase 100% maduro.
• não cai quando maduro.
• a secagem normalmente é iniciada poucas horas após a colheita.
• não chove durante o período de colheita.
• necessita de baixo investimento para melhorar a sua qualidade.
O aumento da participação do café conilon nos blends deve-se, principalmente, ao substancial aumento de sua qualidade. Isto foi alcançado graça às variedades clonais. Segundo os exportadores, nos últimos 4 anos, 72% do café colhido no Espírito Santo deu tipo exportação. Os produtores, até agora, fizeram pouco para melhorar a qualidade do café conilon. Podemos atribuir este ganho somente à pesquisa. O principal problema para fazer uma café conilon de qualidade encontra-se no processo de secagem. Havendo necessidade, isto pode ser resolvido de um ano para outro, é só mudar os procedimentos de secagem.
Parece-nos que o ganho de qualidade alcançado pelas variedades clonais, está sendo, até agora, suficiente para atender as necessidades do mercado interno de café conilon de qualidade. Hoje, o mercado paga algo em torno de R$ 10,00 a mais por saca para um café de qualidade, secado via indireta . Economicamente, isto não justifica o produtor mudar o que vem fazendo hoje.
Durante o VI Simpósio Brasil Café Conilon, o consultor de mercado Carlos H. J. Brando, da P&A Markting Internacional, teve a oportunidade de beber um café cereja descascado 100 % conilon. Segundo ele, quando se bebe um bom café, sentimos a vontade de tomar uma nova dose. Ao saborear este café, não repetiu uma dose, e sim quatro. Inclusive, pediu durante a apresentação, uma nova dose. Algo fora do normal. Justificou o pedido ao sabor agradável, deixado pelas doses tomadas anteriormente.
Sinceramente, não vemos a rotulação como um problema para os produtores de café conilon, nem para os produtores do bom arábica. Acreditamos que ganharemos muito com esse procedimento. Entretanto, tememos pelos produtores de café arábica de baixa qualidade.
No passado, a indústria de TM se sentia envergonhada, e omitia a presença do café robusta/conilon nos seus cafés. Hoje, dada a melhoria da qualidade dos cafés proporcionada pelo café robusta/conilon, e pela preferência dos consumidores por eles, a situação mudou. Portanto, por que ter medo da rotulação?
Rotulação de blends: problema ou solução?
Dizem que se não fossem os blends, estaríamos consumindo, hoje, menos café. No passado, a indústria de TM se sentia envergonhada, e omitia a presença do conilon nos seus cafés. Hoje, dada a melhoria da qualidade dos cafés proporcionada pelo café robusta/conilon, e pela preferência dos consumidores por eles, a situação mudou. Então, por que ter medo da rotulação?
Publicado por: josé sebastião machado silveira
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josé sebastião machado silveira
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LUIZ FERNANDO DE ANDRADE LEITE
PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 23/09/2009
Caro José Sebastião,
Também concordo com sua posição a favor da rotulagem, pois nada mais justo do que o consumidor saber o que esta ingerindo. Em uma época de crise da cafeicultura nacional não seria nada inteligente da nossa parte ficarmos brigando internamente, mas sim buscarmos soluções conjuntas para os cafés do Brasil.
Mas, o que me chamou a atenção em sua posição, foi a colocação do robusta com responsável pelo aumento de consumo do café. Não podemos ser demagagos e dizer que recebedores do bolsa família do Governo Federal consomem mais café hoje devido ao belnd com conilon/robusta. O que reduz o preço são as impurezas contidas em muitos cafés torrados ofertados nos supermercados.
E qto ao preço sabemos que o robusta possui preço pouco abaixo de um arábica de qualidade inferior. O que temos que ter é o bom senso, pois sabemos da importância tanto do arábica, quanto do conilon/robusta. Mas como, na sua visão o conilon/robusta é a solução, não concordo com o mesmo raciocínio.
1º - O conilon/robusta não vai a lugar nehum sozinho, pois é dependente do café arábica, pois ao contrário precisaria ser industrializado (aromatizantes, etc...);
2º - Até hoje não vi nenhum laudo técnico realizado por um juiz da SCAA, informando os atributos do café conilon/robusta, tais como aroma, sabor, doçura, entre outros;
3º - O café conilon/robusta é utilzado como enchimento, e seria uma insanidade ofertá-lo no mercado na forma de single, pois com certeza o consumo diminuiria, devido à ausência de atributos e aos altos teores de cafeína presentes no conilon/robusta. Isto seria um tiro no pé;
4º - Devemos nos unir em pró da cafeicultura nacional, independentemente de ser arábica ou conilon/robusta, pois o insucesso do produtor de arábica será também o insucesso do produtor do robusta. O que não podemos permitir é que o Brasil, o maior produtor mundial de café, importe café (draw back).
5º - Finalizando, o consumidor é quem vai decidir. Colocando um excelente arábica puro e um excelente conilon/robusta puro para ele degustar, com certeza ele saberá a deiferença. O que temos que fazer é informá-los sobre as diferenças.
Um abraço,
Também concordo com sua posição a favor da rotulagem, pois nada mais justo do que o consumidor saber o que esta ingerindo. Em uma época de crise da cafeicultura nacional não seria nada inteligente da nossa parte ficarmos brigando internamente, mas sim buscarmos soluções conjuntas para os cafés do Brasil.
Mas, o que me chamou a atenção em sua posição, foi a colocação do robusta com responsável pelo aumento de consumo do café. Não podemos ser demagagos e dizer que recebedores do bolsa família do Governo Federal consomem mais café hoje devido ao belnd com conilon/robusta. O que reduz o preço são as impurezas contidas em muitos cafés torrados ofertados nos supermercados.
E qto ao preço sabemos que o robusta possui preço pouco abaixo de um arábica de qualidade inferior. O que temos que ter é o bom senso, pois sabemos da importância tanto do arábica, quanto do conilon/robusta. Mas como, na sua visão o conilon/robusta é a solução, não concordo com o mesmo raciocínio.
1º - O conilon/robusta não vai a lugar nehum sozinho, pois é dependente do café arábica, pois ao contrário precisaria ser industrializado (aromatizantes, etc...);
2º - Até hoje não vi nenhum laudo técnico realizado por um juiz da SCAA, informando os atributos do café conilon/robusta, tais como aroma, sabor, doçura, entre outros;
3º - O café conilon/robusta é utilzado como enchimento, e seria uma insanidade ofertá-lo no mercado na forma de single, pois com certeza o consumo diminuiria, devido à ausência de atributos e aos altos teores de cafeína presentes no conilon/robusta. Isto seria um tiro no pé;
4º - Devemos nos unir em pró da cafeicultura nacional, independentemente de ser arábica ou conilon/robusta, pois o insucesso do produtor de arábica será também o insucesso do produtor do robusta. O que não podemos permitir é que o Brasil, o maior produtor mundial de café, importe café (draw back).
5º - Finalizando, o consumidor é quem vai decidir. Colocando um excelente arábica puro e um excelente conilon/robusta puro para ele degustar, com certeza ele saberá a deiferença. O que temos que fazer é informá-los sobre as diferenças.
Um abraço,

JOSE EDUARDO REIS LEÃO TEIXEIRA
VARGINHA - MINAS GERAIS
EM 22/09/2009
Prezado Sr. José Sebastião,
Ótimo sua aceitação pela rotulação. Quanto ao resto, caberá às características intrínsecas destes dois produtos distintos se apresentar aos consumidores, cabendo ao final decidirem pelo que melhor lhes satisfaçam, assim como ocorre com os vinhos.
Atenciosamente,
Ótimo sua aceitação pela rotulação. Quanto ao resto, caberá às características intrínsecas destes dois produtos distintos se apresentar aos consumidores, cabendo ao final decidirem pelo que melhor lhes satisfaçam, assim como ocorre com os vinhos.
Atenciosamente,