Quantas vozes temos na cafeicultura?

Vontade de falar, vontade de se manifestar, necessidade de posicionar seu pensamento, necessidade de defender seus interesses, sejam coletivos ou individuais. Não seria interessante olharmos para outras cadeias e nos espelharmos em como eles vem realizando e organizando o supracitado? O tal do benchmark. É fato que, pensando e refletindo juntos podemos chegar a várias conclusões, podemos promover um melhor dialogo entre o setor, podemos desmistificar várias questões, entre outros.

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Vontade de falar, vontade de se manifestar, necessidade de posicionar seu pensamento, necessidade de defender seus interesses, sejam coletivos ou individuais. Vontade de mudar o mundo, vontade de estar à frente, vontade de externar sua voz. Ser humano. Um "bicho" cheio de vontades, necessidades e interesses. Nem sempre nossas vontades e necessidades são externadas da forma mais inteligente e assertiva. Na grande maioria das vezes fazemos isso de forma irracional, não estratégica, carregados de emoção e no final das contas nossa ingênua intenção de ajudar acaba se perdendo e sendo apenas uma intenção de boa vontade.

Quantas vozes temos na cafeicultura?

È verdade que vivemos num setor, que é a cafeicultura, onde existem milhares de cafeicultores e dezenas de milhares de atores, agentes, etc. A vontade de cada um em trabalhar em prol da classe é inquestionável. Dificilmente outros setores possuem profissionais e lideranças tão competentes e dedicadas como a cafeicultura. È verdade que dentro da cafeicultura temos várias cafeiculturas: Distintas em região, distintas em tamanho da propriedade, distintas em peculiaridades, distinta em pesquisas, em topografia, altitude, necessidades, situação econômica, política, institucional, arranjos produtivos, enfim, não falta distinção para esta nobre cultura.

Quantas vozes existem na cafeicultura?

É fato que avançamos muito tecnologicamente. A cafeicultura possui inúmeras instituições que produzem e promovem pesquisa, tecnologias, capacitação, extensão do conhecimento, sites e portais com conteúdo, rede social, enfim. Possuímos um aparato imensurável de recursos que contribuem em muito para o setor tecnologicamente, para que o mesmo se atualize e utilize técnicas modernas visando maior produção por área e conseqüentemente lucratividade para o setor.

Quantas vozes existem na cafeicultura?

Também é fato que possuímos um Fundo de Defesa da Economia Cafeeira, FUNCAFÉ que auxilia o cafeicultor no custeio agrícola, financia pesquisas, projetos de ,marketing do café, etc.

Quantas vozes existem na cafeicultura?

Outro fato é que possuímos inúmeras certificações a serem empregadas pelo cafeicultor, desde as que promovem boas praticas agrícolas, voltadas para preservação do meio ambiente, passando pelas certificações que prezam pelo bom trato ao trabalhador, passando ainda por boas praticas de gestão, comércio justo que beneficie os "menos favorecidos, entre outras. Temos até mesmo certificações provenientes de iniciativas governamentais. Todas estas vem contribuindo em muito para o setor no tocante a conscientização quanto às demandas globais e profissionalizando o setor pelas adequações e praticas que devem ser implantadas nas propriedades.

Quantas vozes existem na cafeicultura?

Constitui-se fato que possuímos inúmeros órgãos representativos, como Conselho Deliberativo da Política Cafeeira - CDPC, Conselho Nacional do Café - CNC, Câmaras setoriais do café, Associação Brasileira de Cafés Especiais, Associação da Indústria do Café, Conselho dos exportadores, inúmeras associações de cafeicultores em todas as regiões cafeeiras do Brasil, enfim, um verdadeiro emaranhado de instituições que lutam diuturnamente pelos interesses da classe cafeicultora, deliberando e buscando alternativas e políticas públicas para que o agronegócio café cresça cada vez mais e de forma sustentável.

Quantas vozes existem na cafeicultura?

Vem se consolidando o fato de que possuímos consumidores cada vez mais exigentes e conhecedores da bebida café. Boa parte disso se deve ao fato do crescimento da profissão de barista, do aumento da qualidade, das novas formas de consumo, do aumento do número de cafeterias, aumento da renda, etc.

Essa é a nossa cafeicultura. Uma cadeia complexa, com diversos atores, interesses diversificados, gigante pela própria natureza. Somos o maior produtor e o segundo maior consumidor. O setor emprega cerca de 8 a 10 milhões de pessoas no país direta e indiretamente. Políticos usam o setor como plataforma de governo, acadêmicos escrevem e publicam inúmeros artigos, teses de mestrado e doutorado e por ai vamos.

Quantas vozes existem na cafeicultura?

Olhando assim parece que estamos num setor organizado, ou não? È saudável para o setor termos inúmeras instituições ou não? Estamos realmente representados ou não? Evoluímos o que poderíamos ter evoluído na pesquisa ou não? Quando os inúmeros representantes vão ao governo com suas reivindicações, nossos governantes tem ciência de aquele é mesmo o verdadeiro representante do setor ou não? Temos uma comunicação eficiente entre o setor ou não? O setor é unido ou não? Todos convergem ao mesmo interesse ou não?

Quantas vozes existem na cafeicultura?

Será que chegou o momento de avançarmos e conhecermos um pouquinho mais, ou melhor, conhecermos muito mais de Governança coorporativa, cultura organizacional, comunicação setorial, liderança, princípios cooperativistas?

Não seria interessante olharmos para outras cadeias e nos espelharmos em como eles vem realizando e organizando o supracitado? O tal do benchmark.

Será que não precisamos ter decisões macro mais participativas, envolvendo verdadeiramente o setor inteiro, com igualdade em opiniões e decisões, com resultados mais igualitários para todos que atuam no setor (produtor, indústria e exportador)?

São muitas dúvidas caros colegas do agronegócio café. Talvez as respostas existam e a maioria como eu desconheça. Talvez as coisas já estejam encaminhando e agente (eu) não esteja percebendo.

Mas é fato que, pensando e refletindo juntos podemos chegar a várias conclusões, podemos promover um melhor dialogo entre o setor, podemos desmistificar várias questões, podemos deixar claras as estratégias, podemos desenvolver relações de confiança, podemos promover por fim um desenvolvimento organizacional do setor, livre de interesses individuais e repleto de interesses coletivos, que são os que realmente nos levam a algum lugar.
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Material escrito por:

Juliano Tarabal

Juliano Tarabal

Eng. Agronomo; Especialista em Gestão do Agronegócio Café; Superintendente Federação dos Cafeicultores do Cerrado

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Juliano Tarabal
JULIANO TARABAL

PATROCÍNIO - MINAS GERAIS

EM 02/09/2010

Prezado Artur Queiroz de Sousa,


Muito obrigado pelo comentário e pelo entendimento.

Sem duvida alguma quando propus esta reflexão a cerca do setor cafeeiro foi num intuito de promover um debate a cerca da importancia da convergencia de idéias dentro do setor.

Como voce citou o caso da UNICA que possui um trabalho exemplar no setor da cana, com profissionais altamente capacitados, que possuem discursos alinhados e repletos de fundamentação temos tambem outros bons exemplos como no caso da Soja representado pela APROSOJA e também no Mato Grosso pela Robusta e competente Fundação MT.

Bons exemplos não faltam e mesmo dentro do café podemos identificar os mesmos, possuimos muitas lideranças altamente competentes, instiuições sérias, mas sinto que que como voce citou falta convergencia.

Devemos busca-la e buscar ainda mais para podemos ter discursos em alto nivel, promover discussões e entendimentos e altamente necessário. Devemos possuir propostas bem fundamentadas, embasadas, com numeros e analises conjunturais do setor.

Eu como membro do setor produtivo sinto que aqui na base, no olho do furacão esta necessidade se faz cada vez mais latente...a coletividade passou a ser necessidade.

Saudações.

Juliano Tarabal
Artur Queiroz de Sousa
ARTUR QUEIROZ DE SOUSA

CAMBUQUIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 02/09/2010

Prezado Juliano;
Parabéns pelo seu artigo. Voce abordou o tema de uma forma bastante inteligente, e mostra que, desde o fim do IBC, a cafeicultura nao consegue falar a mesma língua, em todos os elos da cadeia. Nem mesmo, entre os orgãos dos produtores, e com isso ficamos fracos e a mercês das migalhas do governo. Quando vejo falar de cana, só vejo a UNICA, da soja, do boi, etc...
O orgão de representação política dos produtores é unico e exclusivamente a CNA, que é a nossa representação política. Necessário pois, que se faça a convergência em um só.