Os maiores desafios do nosso café

Principal pilar da economia capixaba ao longo da história, a cafeicultura vive um período de sérios desafios. Por Luiz Polese, diretor-presidente do Sindicato do Comércio de Café e Armazéns em Geral do Espírito Santo (Sindicafé).

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Por Luiz Polese*

Principal pilar da economia capixaba ao longo da história, a cafeicultura vive um período de sérios desafios. Alguns desses desafios são estruturais e históricos, e outros são conjunturais. Conjunturalmente, a forte crise hídrica por que passa o Espírito Santo, com uma longa estiagem, levou a uma quebra de safra histórica.

Alguns analistas previam safras entre 11 e 12 milhões de sacas em condições normais. Os mesmos analistas afirmam hoje que a colheita pode não chegar a seis milhões de sacas. As perdas são imensas e, legando em conta o preço da saca, devem ultrapassar os R$ 2,4 milhões.
Estruturalmente, na outra ponta, podemos afirmar que as dificuldades enfrentadas pelos exportadores na utilização dos portos em Vitória têm provocado uma queda de cerca de 60% na saída do café pela Capital, no período de janeiro a junho em relação ao mesmo período de 2015.

Nesse arranjo produtivo, perde o produtor de café e a indústria. Perdem também as empresas comerciais, cerealistas e exportadoras, com a redução e até com o encerramento de suas atividades.

A lista de causas está nos motivos acima citados, com uma série de agravantes como a crise econômica e política do País, que tem repercussão direta na redução de linhas de financiamento e no aumento dos custos das que se mantêm ativas.

As questões tributárias são outra dificuldade que o setor enfrenta. A incidência de PIS/Cofins de 2003 até 2011 produziu inúmeras distorções no mercado de café, notadamente a partir de 2005, com a majoração das alíquotas para 9,25%.

Ao longo desses anos, surgiram centenas de empresas “de fachada” nos estados produtores de café. O setor exportador, representado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e pelo Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV) e apoiados por lideranças políticas capixabas, lutou durante anos e conseguiu que o governo federal mudasse a legislação, acabando com a incidência de PIS/Cofins na cadeira do café cru em 2012, contendo a criminosa ação de sonegação fiscal. Uma vitória importante, mas que não veio sem deixar arranhões no setor.

É necessário aprofundar a discussão com o governo federal (Ministério da Fazenda, Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, Receita Federal) e bancada federal, envolvendo os governos estaduais, com a finalidade de separar tributariamente o legal do criminoso.

A verdade é que empresas cinquentenárias que atuaram na exportação de café e que tanto orgulho trouxeram ao Estado estão hoje com suas atividades paralisadas, reduzidas ou mesmo encerradas. Nosso objetivo é fazer um alerta, provocar, envolver e convocar todo o arranjo econômico da cafeicultura capixaba a um grande debate sobre o futuro.

O que não podemos é assistir pacificamente ao enterro de empesas familiares que ajudaram no desenvolvimento do Estado e que apresentaram para o mundo, através da exportação do nosso café, um pouco de nossa história, nossa economia, nossa tradição.

O desafio está posto. É preciso enfrentá-lo na tentativa de construir um futuro sustentável para a cafeicultura capixaba. Ganha o Espírito Santo e todos nós.

*Luiz Polese é diretor-presidente do Sindicato do Comércio de Café e Armazéns em Geral do Espírito Santo (Sindicafé)
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Texto originalmente publicado no site do Centro do Comércio de Café de Vitória e gentilmente cedido para publicação no CaféPoint. A opinião deste articulista não reflete necessariamente a opinião do site.
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