O que falta ao café
O Brasil cultiva o café desde 1727, quando a história registra que o grão veio da Guiana Francesa, numa operação nebulosa, e ganhou as terras deste país liminarmente produtivas, com mão de obra escrava abundante e climas adequados à expansão dessa cultura, com larga tradição econômica, social e política. Até hoje, entre avanços e retrocessos, ainda persiste um elenco de problemas que afetam a economia cafeeira e os ganhos mais substantivos com esse grão se fazem depois da porteira da fazenda.
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São consideráveis as inovações tecnológicas adotadas pelos cafeicultores mineiros e elas são disseminadas, em nível de campo, pela Emater-MG, Epamig, universidades e institutos federais, Embrapa Café, cooperativas, entre outras fontes confiáveis. E a adoção de boas práticas na cafeicultura está claramente vinculada aos mercados estimulantes ou restritivos, sendo também uma cultura muito exigente para que se tenha um café de qualidade e numa perspectiva de sustentabilidade socioeconômica e ambiental. O Censo Agropecuário de 2006, ainda vigente, revelou, à época, que 113.903 estabelecimentos rurais praticavam a cultura cafeeira para consumo/vendas no mercado. Por que Minas ainda não tem uma política de agroindustrialização do café, sabendo-se que 70% do grão arábica exportado pelo Brasil tem origem no estado? Entre 2006 e 2012, as exportações mineiras do complexo café foram de US$ 24,34 bilhões, apenas superadas pelo minério de ferro.
Em 2011, uma pesquisa realizada numa parceria entre a Cooxupé (Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas (IFSuldeminaS) revelou muitos dados interessantes e cuja amostragem atingiu os cooperados nos municípios de Botelhos, Cabo Verde, Campestre, Juruaia, Muzambinho e Nova Resende, cidades cuja fonte de renda da maioria da população gira em torno da lavoura cafeeira num estratificado de até três hectares e chegando acima de 150 hectares ao focar o tamanho das propriedades. A média de ocupação de terra com café foi de 45,06% do total de 400 questionários aplicados, uma amostra representativa, e 74,13% dos produtores têm na cafeicultura a principal fonte de renda. O tamanho médio das propriedades atingia 25 hectares e onde se pratica a cafeicultura de montanha no Sul de Minas. Vale lembrar que 96,35% dos entrevistados têm televisão; celular (89,84%); internet (27,60%); e computador (36,28%). Essa rede de informação é estratégica à tomada de decisão. A motocicleta é um bem acessado por 59% e aumenta a mobilidade do produtor, no que couber.
Apenas 1% dos cafeicultores têm certificação, embora adotem inovações tecnológicas na cultura. Nova Resende teve o maior número de pequenas propriedades com até oito hectares, que em números absolutos se referem aos 125 cooperados da Cooxupé, entrevistados. Os 95,58% dos cooperados pesquisados nunca foram acionados por ações trabalhistas, o que reflete o cumprimento de leis vigentes e a base da mão de obra ser familiar. Um dado relevante. Atingia os 74,80 % os produtores com a posse da terra entre 10 e mais de 20 anos e quase 50% tinham a reserva legal, sendo que 92% acompanham os preços do café. Com relação à escolaridade, no conjunto, 74% terminaram os ensinos fundamental e o médio, sabendo-se que o acesso à educação tem relação consistente com a capacidade de inovar. Estima-se em até 89% as lavouras que, sob orientação técnica, podem produzir café com mais qualidade, e 91,14% alegaram que produzem café classificado como bebida dura. Em 2011, a média informada pelos produtores era de 39,45 sacas por hectare.
E mais, 90,1% dos entrevistados descartam corretamente as embalagens de agrotóxicos, o que é muito importante à qualidade do meio ambiente. Para 77% dos produtores, o bicho-mineiro é a principal praga e 85% afirmaram que a ferrugem exige muita atenção e controle.Com relação ao mercado, 98% dos cafeicultores dessa amostragem fazem os seus negócios por meio da cooperativa. A pesquisa ainda aborda os seguintes temas relevantes: caracterização das propriedades, sistemas de produção, aspectos socioeconômicos, leis trabalhistas, trabalho, saúde e meio ambiente. Para administrar é preciso conhecer; para conhecer é fundamental pesquisar; e para adotar as inovações é indispensável um amplo diálogo com quem planta e cria, sempre numa perspectiva de mercado e também na ótica sustentabilidade socioeconômica e ambiental. Faz sentido uma ampla discussão sobre uma agência para cuidar da economia cafeeira do campo à mesa do consumidor nos mercados interno e externo.
O artigo é do Engenheiro Agrônomo Benjamin Salles Duarte, publicado no Estado de Minas, adaptado pelo CafePoint
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também estamos completamente sem apoio governamental no tange a politicas de proteção e incentivo,como crédito de carbono por exemplo,quer floresta maior que os cafezais?

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Muito coerente o artigo! Sem dúvida dentro da porteira somos,relativamente, muito eficientes! Mas para mim, a pergunta continua...O que falta ao café?

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Permita-me apenas uma observação, Benjamin: se essa agência for governamental as chances dela funcionar corretamente (para mim "funcionar corretamente" é simplesmente priorizar, mas não exclusivamente, o lado dos produtores) e, mais importante, apresentar resultados mensuráveis, é praticamente zero.
Cláudio Barbosa.

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