O problema do café arábica do Brasil
"Ao longo da história, os arábicas do Brasil foram atacados em duas frentes distintas: os suaves colombianos construíram seu posicionamento em qualidade do produto e imagem de marca e os robustas cresceram sua participação com base em produto inferior com preço mais baixo (...) Criar a Associação de produtores de cafés arábicas deve ser descartada?" Confira novo artigo de Lúcio Caldeira.
Publicado em: - 3 minutos de leitura
O café arábica do Brasil é o líder absoluto do mercado de café. O Brasil chegou a deter 80% das exportações mundiais no início do século XX. Chegou a ter 16 % entre os anos 1993/1996 e nos últimos quatro anos (2009/2012) vende 31% das exportações globais. Caberia aos concorrentes descobrir o ponto fraco desse gigante. Teriam, naturalmente, ajuda dos compradores, a quem muito interessava reduzir a dependência em relação a um fornecedor tão poderoso. Desejavam fontes múltiplas de matéria prima, a fim de aumentarem seu poder de negociação.
Ao longo da história, os arábicas do Brasil foram atacados em duas frentes distintas: os suaves colombianos construíram seu posicionamento em qualidade do produto e imagem de marca e os robustas cresceram sua participação com base em produto inferior com preço mais baixo. O comprador, que deseja qualidade, compra os suaves (colombianos ou outros suaves), e o comprador que deseja preço compra os robustas. No primeiro caso, os compradores pagam mais caro e vendem mais caro (cafés de origens reconhecidas) e no segundo caso, compram preço a fim de reduzirem o custo da matéria prima de seus blends (misturas que utilizam diferentes tipos de cafés).
A atuação dos concorrentes e a não reação por parte do Brasil a esses movimentos competitivos, levaram o café arábica do Brasil a ocupar uma frágil posição intermediária. O que chamo no livro A Guerra do Café de armadilha estratégica. O Brasil não consegue competir em imagem de marca com a Colômbia e com os outros suaves e por ter custos mais altos que os produtores de robustas não pode competir em preço.
Apesar disso, os arábicas do Brasil conseguiram crescer sua participação em vendas. No período de 2001/2004 representavam 28,9% das vendas internacionais. Entre 2005 e 2008 passaram para 29,82% e nos últimos quatro anos (2009/2012) ficaram com 30,56%. Entretanto, os deságios de preço em relação aos suaves colombianos cresceram de cerca de 16 para 49 centavos de dólar por libra peso entre os anos de 2001/2008 e o período de 2009/2012. Com relação aos outros suaves ocorreu o mesmo fenômeno. O deságio subiu de 13 para 26 centavos de dólar por libra peso entre os anos de 2001/2008 e o período de 2009/2012. A queda das exportações colombianas de 13 para 8,5% entre os dois períodos analisados explica essa desvalorização relativa dos preços dos arábicas do Brasil. De fato, ganhamos participação de mercado em função de preços relativos menores. Esse é o preço pago por não criarmos uma imagem de marca associada à qualidade.
Na outra ponta, assistimos a um verdadeiro fenômeno no mundo do café. Os cafés robustas tinham participação de mercado (exportações globais) de 30,75% no período entre os anos de 1997/2000. Passaram para 37,38% nos últimos quatro anos (2009/2012). Em 2012 chegaram a 42 % com presenças marcantes de Vietnã e Indonésia. Seu preço relativo em relação ao arábica do Brasil caiu. Passou de 34 para 80 centavos de dólar por libra peso. O preço menor explica o sucesso da estratégia. As exportações mundiais cresceram 23 milhões de sacas entre os anos 2001 e 2012, os robustas contribuíram com 56% desse crescimento, com aumento de 13 milhões de sacas exportadas.
O preço mais baixo é compensado com custos menores. Os cafés da espécie robusta são mais produtivos que os arábicas, são mais resistentes a pragas e doenças e demandam menos cuidados. Por sua vez, o torrefador internacional estimulou e aproveitou-se desse crescimento.
Passou a utilizar mais robustas nos blends. Em 2001 o blend internacional tinha 63 % de arábicas contra 37% de robustas. Hoje a proporção é de 58 para 42.
O resultado é que o crescimento de robustas substitui cafés arábicas, puxa o preço de arábicas para baixo e proporciona uma brutal transferência de recursos dos países produtores para os torrefadores internacionais. O mais prejudicado dentre os arábicas é o Brasil, que além de tudo, vê aumentar seu deságio de preço em relação aos suaves colombianos e outros suaves.
Pergunto: A estratégia de combate aos blends e consequentemente aos robustas está fora de cogitação? Criar a Associação de produtores de cafés arábicas do Brasil, e até uma associação internacional deve ser descartada? Pensar um programa de educação ao consumidor pode ajudar?
É preciso refletir e agir, caros produtores de arábica.
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Material escrito por:
Lucio Caldeira
Mestre em Estratégia, prof. de Mkt e Planejamento Estratégico do Unis-MG e escritor. Comentarista na TV da Alterosa/SBT - Café com TV. Doutorando em Administração na Ufla, participante do Gecom e consultor de Mkt pela Foco Soluções Empresariais.
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Precisamos De 20 Milhoes De Sacas De Conilon Para Fazer Frente A Demanda Internacional Cafe Soluvel.

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É UMA DÚVIDA PELA QUAL APELO AOS SENHORES QUE SE POSSÍVEL ESCLAREÇAM POIS, TENHO LÁ MINHAS DESCONFIANÇAS !
SE FOREM MISTURAS, PORTANTO INCORREM NA PROPAGANDA ENGANOSA, DISPOSTA NA LEI nº 8.078/90, COMO CRIME CONTRA A RELAÇÃO DE CONSUMO, QUANDO ESTAMPAM NOS RÓTULOS QUE SÃO 100% ARÁBICA !
NO BRASIL, TUDO É POSSÍVEL E ACOBERTADO PELOS INTERESSES ESCUSOS !
As minhas desconfianças baseiam-se nas reações causadas pelo CAFÉ CONILON, NO MEU ESTOMAGO, OU SEJA, UMA DESAGRADÁVEL GASTRITE, O MESMO NÃ ACONTECENDO QUANDO INGIRO CAFÉS ARÁBICA PUROS, DAÍ AS MINHAS DESCONFIANÇAS !
Grato pela atenção.
Jairo Pinto de Carvalho

ARAGUARI - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 08/07/2013

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 08/07/2013
Se tudo correr dentro da normalidade, sem uma grande geada, os preços do café ainda não derreteram o suficiente; há muito espaço para aumentar a desgraça do cafeicultor. O mundo perdeu a credibilidade e o respeito para com o Brasil. E muita gente mentirosa, irresponsável e corrupta nos dirigindo. Estamos à deriva, num momento muito crítico as autoridades sumiram. o que nos resta é progredir com as colheitas e aguardar pelo pior. Salve se quem puder, a depender do nosso governo... já era...!

SÃO GABRIEL DA PALHA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 08/07/2013

SÃO GABRIEL DA PALHA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 08/07/2013
Dispa-se de seu preconceito e saiba que o Governo do Esp Santo, está na TV fazendo propaganda da bebida do Café Conilon recém lançado tres clones, para aperfeiçoar a bebida de um gostoso cafezinho CONILON.
Prof Lucio, venha tomar um cafezinho conosco! Nesta oportunidade, juntos vamos achar uma saída para os produtoresde arabica do Brasil que estão passando por um difícil "pedaço".