O dia que os produtores decidiram parar
Espaço Aberto: O Brasil, economia dependente do agronegócio, que determina o superávit de seu balanço de pagamento e que alavanca toda a riqueza das cidades, foi tomado pelo desespero. O verdadeiro fim do mundo vinha agora, porque os produtores rurais, os cerca de 1,3 bilhão existentes, estavam indignados e decidiram numa manifestação parar e não fazer nada, por pelo menos seis meses. Por José Luiz Tejon Megido
Publicado por: CaféPoint
Publicado em: - 4 minutos de leitura
A princípio muitos não acreditaram e outros ainda, que achavam que comida, bebida, energia, fibras, borracha e mesmo as pitadas do cigarrinho vinham das fábricas, não deram muita importância ao fato. Mas logo nos primeiros dois dias seguintes, a escassez já começava a aparecer, pois os mais informados correram para criar estoques especiais em suas casas, e outros alugaram galpões para lucrar no inevitável mercado da escassez que tomaria conta do planeta nos próximos meses tenebrosos.
Países com capacidade de armazenagem determinaram um plano emergencial de racionalização total dos grãos, dos produtos resfriados e congelados. Alguns dias mais o suprimento de matérias-primas, vegetais e animais, começou a desaparecer e a agroindústria processadora parou, dispensou funcionários.
Os fornecedores de toda cadeia produtiva do agronegócio também pararam. Os insumos não tinham quem comprasse, as máquinas agrícolas estacionaram nos pátios das indústrias, os bancos que imaginaram poder fazer cobranças judiciais dos produtores, foram imediatamente surpreendidos por uma inadimplência instantânea de setores com contas muito mais volumosas do que os produtores.
As grandes tradings, as marcas globais, as gigantescas redes do varejo, as organizações privadas de porte que movimentam intracompany e intercompany cerca de 2/3 do comércio global estavam atônitas e não sabiam o que fazer . O sistema financeiro entrava em colapso. Os países que tem no PIB do agronegócio parte significativa de suas contas entraram imediatamente em colapso político.
O Brasil, economia dependente do agronegócio, que determina o superávit de seu balanço de pagamento e que alavanca toda a riqueza das cidades, foi tomado pelo desespero. Em seguida os macros setores da mineração e do petróleo estancaram suas extrações, os depósitos de diesel, gasolina e etanol ficaram abarrotados, pois o mercado inteiro parou, e porque o produtor parou, o mundo inteiro parou.
O caos, os saques, o crime, bandos de assaltos se organizavam e a polícia, as forças armadas, com um rancho limitado,escolhiam e selecionavam pontos muito específicos de defesa e de tentativa de manutenção de alguma possível ordem. Os religiosos reuniram fiéis, e as orações tomavam conta do planeta. Com o fim da produção rural foram feitas tentativas de grupos armados e de organizações urbanas de tomarem as propriedades rurais e passarem a produzir. Porém, essa ação se mostrou totalmente inócua, pois agropecuária só faz quem sabe, tem dom, vocação, e faz porque aprendeu a fazer,e continua fazendo nem sabendo muito bem por que...os produtores simplesmente fazem.
Na greve geral do campo, no lugar do milho veio mato, com o mato uma primeira rebrota de plantas nascidas dos grãos espalhados, formavam não mais um pé de milho mas uma espécie deformada, uns com alguma espiga outros sem, a soja consumida por ervas daninhas, algodão ralo, aração diminuiu, os animais minguaram, e o mundo assistia pela primeira e única vez um verdadeiro fim do mundo. Não era por bombas atômicas, ou meteoros, ou fim do petróleo, ou falência de sistemas financeiros, nem mesmo por uma inesperada doença devastadora.
O verdadeiro fim do mundo vinha agora, porque os produtores rurais, os cerca de 1,3 bilhão existentes, estavam indignados e decidiram numa manifestação parar e não fazer nada, por pelo menos seis meses. Eu fiquei tomado por um terrível pavor, e a morte por fome seria inexorável, antecedida por agressões e violência inimagináveis.
Pensando, analisei o ar é coisa vital, não vivemos mais do que poucos minutos sem. Porém esse oxigênio da vida está distribuído para todos, independente do esforço de alguém. A natureza provê. Deus dá a água, não vivemos sem. Podemos passar alguns dias. Porém, curiosamente, a natureza provê. Deus deu um planeta água. Mais aqui do que ali, mas, de verdade, na história humana até aqui, água tem sido bênção gratuita...não mais será, porém tem sido...
Alimento, comida, roupas, podemos viver sem, alguns poucos dias a mais do que a falta da água, porém comida, bebida, alimentos, a natureza oferece as condições, mas se o ser humano não trabalhar, Deus não consegue sozinho dar. Foi então, no meio de um terrível pesadelo, numa angústia de destruição e fim do mundo, que o despertador do meu rádio relógio soou. Acordei, aquilo era um sonho. Sonho horroroso, tormentoso.E logo agradeci.
Meu Deus, sem esse pessoal do agronegócio, sem os cientistas, pesquisadores, tecnologia, produtores rurais, e sem o trabalho diuturno e de amor desse pessoal, não haveria possibilidade alguma de vida na terra. Ainda bem que nunca houve um dia de paralisação geral dos produtores rurais. Mesmo quando eles saem para reclamar, nas estradas,cidades do interior ou nas avenidas de Paris, lá nas suas fazendas o trabalho não para. As plantas continuam florescendo, os animais continuam vivendo e sendo alimentados e a vida não cessa um minuto de se exercitar. Ou seja, o produtor rural não consegue parar, pois a vida em seu entorno nunca para.
Enquanto me levantava aliviado, ouvia no rádio do criado-mudo da cama: o agronegócio foi o único setor que gerou crescimento no Brasil, e os demais segmentos que apresentaram números positivos foram em decorrência do setor, como máquinas e caminhões e bens de produção... Agora, notícias do futebol... Bom dia produtores rurais, que a ficção jamais possa vir a ser real.
*José Luiz Tejon Megido é Diretor Vice Presidente de Comunicação do Conselho Cientifico para a Agricultura Sustentável (Ccas) e dirige o núcleo de agronegócio da Espm - São Paulo/SP
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POUSO ALEGRE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 06/08/2013
É de grande importância o assunto citado.
Seria um grande orgulho, que nós produtores tivéssemos reconhecimento pelas pessoas que vivem nos centros urbanos e não imaginam as dificuldades que o setor dos produtores rurais vem passando há anos.
Acredito que, se o setor fosse mais organizado não passaríamos por todo esse problema; a maior dificuldade é termos representantes, associações, amigos produtores .... e não conseguirmos fazer uma paralisação de importância para o setor.
Este seria o meio de mostrar a importância do homem do campo, pois as pessoas que se concentram nas cidades e mal cuidam de onde moram, não sabem a complexidade que é trabalhar em um ambiente como o nosso.
Boa matéria.
abrs.

UNAÍ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 06/08/2013
a uma forma muito mais eficiente de protestar pelos descasos e porque não preconceitos contra os produtores rurais, infelismente hoje vistos como bandidos desmatadores, latifundiarios sanguinarios etc.
ao inves de parar a produção algo impossivel de acontecer, visto os motivos citados acima, basta que turante um ano produzamos metade doque produzimos normalmente,ou seja quem produz 1000 sacos soja que plante apenas 500, quem tira 500 litros leite reduza os investimentos e tire 250 e etc. para isso não gastamos nenhum esforço, e pode-se dar um baque sem precedende na sociedade mundial.provavelmente o preço iria compenssar uma parte a acabariamos apenas trabalhando menos. o problema é organização e cordenação. ta bom, eu sei é utopia!!!
PONTA GROSSA - PARANÁ - DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS (CARNES, LÁCTEOS, CAFÉ)
EM 06/08/2013
Poxa, felizmente eles vem para as cidades, para comprar as suas casas do programa do governo, mobiliar do programa do governo e viverem com as bolsas dos programas do governo.
E quem irá pagar por isso? os produtores rurais?
Penso que sejamos nós os consumidores dos produtos necessários a vida!

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 05/08/2013
É preciso que nos conscientizemos de nossa força e isto parece estar mudando com o acesso a internet, as redes sociais ainda que grande parte ainda não esteja conectada cada um de nós se torna um formador de opiniões mobilizando cada vez mais produtores. Como pode um alimento de primeira necessidade como o leite custar tão pouco e ter sido tão pouco valorizado ao longo dos anos. Se deflacionarmos o preço do leite pago em 2007 teremos um valor menor que o pago hoje. Neste período os insumos subiram muito mais que a inflação e a mão de obra além de ter ficado mais cara se tornou rara e em alguns casos descomprometida. Não canso de comparar a evolução do preço do leite com o de outros produtos como uma lata de refrigerante por exemplo. Já passou de hora do leite mudar de patamar de preços e devemos todos ter esta consciência. Além disto precisamos que haja valorização de nossa atividade e respeito ao produtor. Grande abraço.
Eduardo Amorim
Fazenda Caatingueiro
Patos de Minas

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 05/08/2013
Parabéns pelo texto apocalíptico!
Fez lembrar-me uma música do nosso meio, o meio Rural. Lembra-se da moda de viola Fazenda São Francisco? Então, ela ao contrário do que o vosso texto narra, é uma linda historia de amor, onde tudo dá certo; mas o fim acontece com o despertar de um sonho verificando-se que a realidade se apresenta bem diferente.
Para o bem de toda a humanidade o vosso sonho "pesadelo" é desastroso, mas a realidade é acalentadora.
Até quando?

PARANAPANEMA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 05/08/2013
PONTA GROSSA - PARANÁ - DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS (CARNES, LÁCTEOS, CAFÉ)
EM 05/08/2013
E eu do alto da minha ignorância não serei jamais capaz de afirmar que a culpa de nossas mazelas sejam os produtores rurais!!!!!!!

CAMPO BELO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 05/08/2013
Existe um movimento de paralisação de vendas por uma semana.
Vamos dar este gostinho aos " grandes players" . Não somos escravos deles. Inclusive, acho questão de respeito ao produtor e a nossa cultura que as Cotações Publicadas ou informadas sejam em sacas/reais, ficando os buchels para a cultura deles. Até nesta simples questão complicam para o produtor. Será isso mais uma forma de desagregar a informação?
Abraços

MUZAMBINHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 04/08/2013

PASSO FUNDO - RIO GRANDE DO SUL
EM 04/08/2013
Cumprimentos pelo desenvolvimento do sonho de todo e qualquer produtor rural, - no mundo...
Quem sabe um dia 1,3 bilhões de produtores se ponham a sonhar acordados (por seis meses), para que, os que desfrutam das necessidades que produzimos se acordem para a real e urgente necessidade mundial...ou, vão arriscar correr com os últimos IDIOTAS SONHADORES de que que teremos (um dia) o reconhecimento ou a devida valorização dos nossos produtos.
Leite é vida
Fazenda São João

ÁGUAS DA PRATA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 04/08/2013
bom relembrar o amigo, sonhando com braço forte.
um abraço
Guedes

CIDREIRA - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 02/08/2013

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 02/08/2013
Abraços a todos companheiros.
Homilton

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 01/08/2013
O governo não dá nada do que é dele, mas retira de quem produz e dá gratuitamente para quem não produz. Pensam que tudo cai do céu, sem trabalho algum. O seu sonho, José Luiz, é um aviso importante para os homens que estão tomando do produtor rural o entusiasmo de produzir. Essas pessoas preferem os criminosos, os bandidos, os que nada produzem. Ignoram que a conta virá.
O seu sonho, José Luiz, já começou a se tornar uma realidade.
GOIÂNIA - GOIÁS
EM 01/08/2013
Se por um acaso do destino a classe produtora do agro negócio resolvesse boicotar geral ia ser o fim do mundo."greve da produção de alimentos" boicote geral", porém sabemos todos da dificuldade de um movimento desta magnitude.
Justamente a classe que deveria justamente ser a mais bonificada e parabenizada é justamente a mais penalizada e maltratada, seja com MST, com dois ministérios que não se entendem (com ministros e assessores que nunca pisaram em um curral), com INCRA, com códigos florestais absurdos, com "burrocracia" tamanha que deve ser a maior causadora do desmatamento de tanto papel que exige, com a famigerada CLT (cópia da carta de lavoro da Itália facista de 1940), com a proibição de utilizar certas áreas e obrigação de preservá-las sem nada em troca a não ser ameaça de pesados autos de infração, com a obrigação de ter que alimentar todo o pais a base de trocados dentre outras coisas inúmeras coisas. De pouco vale aquela máxima "se alimentou hoje, agradeça a um produtor rural" ante tamanha injustiça com o produtor rural.
E que apesar de tudo isto trabalha com esperanças e com um sorriso no rosto, na esperança de que um dia vai melhorar.
Belo texto parabéns.
BOM SUCESSO - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 01/08/2013

XIQUE-XIQUE - BAHIA
EM 01/08/2013
Abraços!

MARUMBI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 01/08/2013

BOA ESPERANÇA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 01/08/2013

SANTOS DUMONT - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 31/07/2013