Novos horizontes para o Brasil

O ano de 2010 terminou com saldo positivo para a cafeicultura nacional. Os baixos estoques de café no mundo, principalmente os de bebidas finas, aliados à quebra de produção em alguns países e ao aumento contínuo da demanda mundial, fizeram com que as cotações da commodity subissem fortemente. O ano de 2010 será lembrado como o início de um ciclo de alta para o café. A análise dos fundamentos do mercado mundial de café mostra que as cotações do produto devem se manter elevadas em 2011, puxadas pelo crescimento consistente da demanda e pela dificuldade de alguns países produtores em atender a essa demanda.

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O ano de 2010 terminou com saldo positivo para a cafeicultura nacional. Os baixos estoques de café no mundo, principalmente os de bebidas finas, aliados à quebra de produção em alguns países e ao aumento contínuo da demanda mundial, fizeram com que as cotações da commodity subissem fortemente. De janeiro a dezembro do ano passado, o índice Cepea/Esalq para o café arábica apresentou aumento de 49%, mostrando como o mercado físico brasileiro acompanhou a elevação das cotações internacionais.

Parte desse movimento deve-se ao baixo volume de cafés finos colhidos no Brasil. Apesar da safra de 48,095 milhões de sacas divulgada pela Conab, a qualidade geral da bebida ficou abaixo da média. O grande número de floradas e a ocorrência de veranicos em janeiro em algumas regiões produtoras resultaram em maturação desuniforme dos frutos na colheita, degradando a qualidade do produto final. Em algumas regiões que produzem o cereja descascado, a porcentagem de despolpa ficou abaixo do esperado. Dessa forma, houve aumento da oferta de cafés baixos e grande retração de bebidas mais finas. Os diferenciais entre esses cafés foram se alongando, chegando a pelo menos R$ 220,00 por saca.

Um bom dado para mostrar o efeito da valorização do café é a balança comercial. Houve aumento de 35% da receita com exportação do grão, fechando o ano com US$ 5,762 milhões. Já a quantidade embarcada cresceu apenas 9%, para 1,877 milhão de toneladas.

Vale a pena relembrar outra conquista: a aceitação da Bolsa de Nova Iorque para entrega dos cafés lavados e semi-lavados brasileiros. Apesar do diferencial de preço para entrega ser grande, o maior triunfo dessa aceitação por parte da bolsa é o reconhecimento da qualidade dos cafés aqui produzidos. Este é um importante passo para que, cada vez mais, o Brasil seja conhecido pela qualidade dos seus cafés e não apenas pela quantidade produzida.

Diante desses dados, o ano de 2010 será lembrado como o início de um ciclo de alta para o café. Os patamares atuais de preços geram rentabilidade interessante para o cafeicultor, que poderá voltar a investir em sua lavoura e quitar os passivos de anos de preços baixos. Engana-se, porém, quem pensa que os problemas da cafeicultura já estão resolvidos. Somente alguns anos de cotações rentáveis poderão trazer a estabilidade que o setor precisa.

CENÁRIO PROMISSOR

A análise dos fundamentos do mercado mundial de café mostra que as cotações do produto devem se manter elevadas em 2011, puxadas pelo crescimento consistente da demanda e pela dificuldade de alguns países produtores em atender a essa demanda.

O Brasil estará em ano de baixa produção, colhendo cerca de 5 milhões de sacas a menos do que no ano passado. No mundo, temos a Colômbia novamente com problemas: o excesso de chuvas vem trazendo sérios prejuízos aos cafezais, fazendo com que a previsão de colheita fique abaixo do esperado inicialmente. Este fator tem impulsionado as cotações em Nova Iorque, que atingiram seu maior nível dos últimos 13 anos.

Também há bons fundamentos pelo lado da demanda. O consumo mundial retomou sua trajetória de crescimento após a crise de 2009, especialmente de cafés superiores. Há uma interessante procura por cafés finos pelos consumidores de mercados maduros e o crescimento de redes de cafeterias de alto padrão é um bom indicador desse movimento. O Brasil também obtém destaque no consumo de café. A Abic projeta consumo de mais de 20 milhões de sacas, o que faz do país o segundo maior consumidor mundial.

Com essas tendências se confirmando, 2011 deve ser um ano de continuidade de bons preços, trazendo rentabilidade para o setor. Alguns analistas prevêem até uma maior elevação de preços, porém é sempre bom lembrar que problemas na economia mundial podem derrubar as cotações das commodities - e com o café não seria diferente. O momento é bom para a cafeicultura, mas todo ciclo de alta tem um fim e estar preparado para o declínio de preços no futuro é essencial.
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Material escrito por:

Caetano de Carvalho Berlatto

Caetano de Carvalho Berlatto

Fazenda Carvalho Master in Coffee Economics and Science - Università degli studi di Udine // MBA em Comércio Exterior - Fundação Getúlio Vargas // Eng. Agrônomo - Universidade Federal de Viçosa //

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Caetano de Carvalho Berlatto
CAETANO DE CARVALHO BERLATTO

BARREIRAS - BAHIA - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 16/02/2011

Prezados Carlos Eduardo e Ricardo Pouças,

São exatamente nesses bons momentos de preços que o produtor deve se preparar para o futuro. Há alguns pontos que considero cruciais:
O investimento na lavoura buscando melhores produtividades, e consequentemente custos por saca mais baixos; E melhora do pós colheita visando a qualidade do seu produto, conseguindo assim valores mais altos na venda.

Durante as visitas que faço as regiões produtoras de café em Minas Gerais, vejo que quem investiu em produtividade está em melhores condições, pois mesmo com os preços baixos dos últimos anos, ele conseguiu se manter na atividade. Produtores que conseguiram melhorar a média da qualidade da bebida também mostraram resultados melhores na atividade.

É hora do cafeicultor se organizar e investir na cultura, garantido assim sua sustentabilidade na atividade.
Ricardo Pouças
RICARDO POUÇAS

CAMPO BELO - MINAS GERAIS

EM 16/02/2011

Acho importante lembrar o fato de que nada dura para sempre, os produtores devem aproveitar este momento para investir na lavoura, implantar sistemas de produção visando maior eficiência e a produção de cafés finos.
Carlos Eduardo Costa Maria
CARLOS EDUARDO COSTA MARIA

ANHEMBI - SÃO PAULO - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 15/02/2011

Muito pertinente a matéria.É verdade há uma tendência de crescente valorização do nosso produto no comercio exterior e é preciso o que o cafeicultor aprimore seus fundamentos e que invista cada vez mais na qualificação para que tenhamos sempre produtos competitivos.