Em meio ao entusiasmo que o setor cafeeiro vive com a alta dos preços, após vários anos de prejuízo, Minas Gerais prepara-se para colher a safra 2011. Em sua segunda estimativa, a Conab divulgou previsão de 22,1 milhões de sacas de café no estado, 50,8% do total previsto para o Brasil. Devido à bienalidade da cultura, este ano Minas terá redução de 12% em relação a 2010.
Ao se analisar a atividade cafeeira por região, observa-se nítida redução da produção no Cerrado, onde a alta produtividade acaba por exigir muito da planta, de certa maneira comprometendo a safra seguinte. O Sul do estado, principal região produtora, também vai colher uma safra menor, como era de ser esperar com a bienalidade negativa da cultura.
Entretanto, ao se analisar os dados da Zona da Mata, nota-se inusitada inversão na produção - 5,8% maior que em 2010. No ano passado, o veranico em janeiro e fevereiro prejudicou o pegamento e o desenvolvimento dos chumbinhos, acarretando quebra da produção e má qualidade dos frutos colhidos. Assim, a região colheu cerca de 6,89 milhões de sacas de café, quantidade inferior às primeiras estimativas para aquele ano. Contudo, a menor produção em 2010, aliada aos melhores tratos culturais e às condições climáticas favoráveis, fizeram com que a produção da Zona da Mata em 2011 saltasse para 7,28 milhões de sacas.
Fundamentos de mercado
Ao deixarmos de lado os problemas econômicos mundiais, principalmente a falta de confiança na rápida recuperação dos países desenvolvidos e o aumento da inflação no Brasil e China, tem-se um cenário com fortes fundamentos para o café. Em 2010, foram consumidas 134 milhões de sacas no mundo, ante uma produção de 133 milhões de sacas, cenário que vem se repetindo há alguns anos. Com isso, os estoques mundiais de café estão em níveis poucas vezes vistos na história. Como em 2011 o Brasil está em ano de baixa produção e o consumo se mantém estável, a perspectiva é que o mercado se mantenha firme no futuro próximo.
Apesar desse cenário favorável ao setor, não se pode esquecer que há vários fatores que influenciam os preços das commodities mundiais. A movimentação dos fundos, que migram com muita agilidade para os mercados mais atrativos, ajudou a levantar as cotações de commodities agrícolas e metálicas nos últimos meses. Porém, a saída dos fundos para mercados de menor risco, caso haja conturbações nas economias dos principais países, pode levar ao recuo dos preços. Assim, é muito importante que o produtor se proteja de riscos. Uma opção é a fixação futura de parte da produção.
Em linhas gerais, o cenário para a cafeicultura nesta safra é de manutenção de bons preços, talvez não tão altos quanto os vistos no primeiro semestre, porém ainda remuneradores. É hora de honrar o passivo contraído em anos de preços baixos e investir na lavoura. E nunca é demais lembrar: estar sempre bem informado é tão importante quanto adubar o cafezal na hora certa.
Minas Gerais - Preços em alta, produção em baixa
Ao deixarmos de lado os problemas econômicos mundiais, principalmente a falta de confiança na rápida recuperação dos países desenvolvidos e o aumento da inflação no Brasil e China, tem-se um cenário com fortes fundamentos para o café.
Publicado por: Caetano de Carvalho Berlatto
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Material escrito por:
Caetano de Carvalho Berlatto
Fazenda Carvalho Master in Coffee Economics and Science - Università degli studi di Udine // MBA em Comércio Exterior - Fundação Getúlio Vargas // Eng. Agrônomo - Universidade Federal de Viçosa //
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